domingo, 29 de março de 2009

Adeus Companheiro...


Você chegou e mudou minha vida, meus hábitos, meus horários! Sua presença está em tudo... Nos pelos no banco do carro, nas minhas roupas, nos brinquedos pela casa, nos ossinhos de couro guardados, no shampoo para os banhos, nos remedinhos... A gente sempre se cuidou mutuamente... Sempre ao meu lado, meu fiel companheiro, leal e carinhoso, tão esperto e sensível, mas do que cão, falta tão pouco para ser gente.
Me ensinou a tolerar os erros (os xixis fora de lugar, os cadarços mordidos), a brigar e chamar de volta, a dar beijo antes de sair, a não me demorar demais, a voltar pra casa...
Me despedir de você é tão difícil, você que esteve comigo dia após dia nos últimos dois anos, sempre com aquele estado de ânimo invejável, o rabinho balançava só de ouvir a minha voz, o amor gratuito, a parceria, os passeios por ai, e você sempre chamando atenção de todos com sua beleza e mansidão.
Meu consolo é te deixar bem, onde se sentirá igualmente amado e bem cuidado...
Eu jamais esquecerei de você Harryto! Quero que você seja um cãozinho muito, mais muito feliz! Eu vou sentir muitas saudades. Amo você filhote!

sábado, 28 de março de 2009

Sonhando com a cura...

Os sonhos sempre me chamaram atenção e me instigaram a curiosidade... Ultimamente ainda mais, por recomendação do tratamento psicoterápico, posto que a reação do inconsciente ao tratamento só pode ser percebida por meio dos sonhos.
Dos diversos sonhos que eu tive no período, o último de que me lembro foi o mais informativo.
Sonhei que estava num centro cirúrgico, uma médica estava ao meu lado, e me preparava para tomar um anestésico... Após a anestesia ela então me operou o abdome, durante o procedimento a médica percebeu que algo estava acontecendo de errado comigo, então ela imediatamente passou a fazer pequenos furos nos meus dedos dos pés, que me causaram dor, e por onde saiu algum sangue. No fim, a cirurgia foi bem sucedida, e a médica salvou a minha vida.
É cediço que os sonhos tem um significado direto com o que estamos vivendo... E decifrar essa mensagem do inconsciente não foi tarefa muito difícil...
Eu no centro cirúrgico significa que estava doente, a médica comigo era a Dulce, a incisão no abdome está relacionada a minha mais profunda ferida, a dependência afetiva, que esta simbolizada naquela região... A dor causada pelos furos que foram necessários nos meus pés, simbolizam a dor de algumas descobertas, e do quando foi sofrido o processo de limpeza...
E no fim, estou bem, salva, livre da enfermidade, melhor do que jamais estive...
A seu modo, meu inconsciente começa a me revelar o quanto importante foi o processo dos últimos meses, de todo o progresso que fizemos, e que em breve seguirei com minhas próprias pernas... E isso é razão para tantos sentimentos misturados, talvez seja uma boa idéia deixar que as emoções falem um pouco e ver o que acontece.
CSD./

sexta-feira, 27 de março de 2009

Madureza


Só se a sua meditação tiver proporcionado a você uma luz que brilha sempre à noite, é que a morte não será morte para você, mas uma passagem para o divino. Com a luz no coração, a própria morte é transformada numa passagem pela qual você adentra o espírito universal: você se torna um com o oceano. E a menos que você passe pela experiência oceânica, terá vivido em vão. O momento é sempre agora, e a fruta está sempre pronta para ser colhida. Só é preciso ter coragem para penetrar em sua floresta interior. A fruta está sempre madura, e qualquer momento é sempre o momento certo. Não existe essa coisa de momento errado.
Osho A Sudden Clash of Thunder Chapter 6

Comentário:
Quando a fruta está madura, ela cai da árvore por si mesma. Num momento, ela pende de um dos galhos da árvore, cheia de sumo. No momento seguinte ela cai -- não porque tenha sido forçada a cair, ou tenha se esforçado para tanto, mas porque a árvore reconheceu o seu amadurecimento, e simplesmente a deixou cair.Quando esta carta aparece em uma leitura, indica que você está pronto para compartilhar as suas riquezas interiores, o seu "sumo". Tudo o que você precisa fazer é relaxar exatamente onde você está, e desejar que isso aconteça. Este compartilhar de você mesmo, essa expressão da sua criatividade, pode acontecer de muitas maneiras -- no seu trabalho, nos seus relacionamentos, nas suas experiências de vida diárias. Não se requer nenhuma preparação ou esforço especial de sua parte. Trata-se apenas do momento certo.


É impressionante... Eu penso sobre algo, começo a organizar uma idéia, uma estratégia, e lá vem uma cartinha com a explicação do que se passa... Tudo bem, são mensagens edificantes, genéricas, tão belas que imaginamos escritas para nós no momento que lemos... Mas não sei não, tem algo mais ai que eu não entendo, por certo devia me esforçar em entender...

quinta-feira, 26 de março de 2009

A limpeza e a volta para casa...

Há alguns anos era impensável voltar para minha casa de infância, parecia-me a morte tal fato, um insucesso total, a derrota, o fracasso. Mas como ultimamente essa vida resolveu dar-me várias lições, eis que recebo mais uma.
Hoje, por minha vontade livre eu quero voltar a casa dos meus avós. Desejo passar meus últimos meses no Brasil antes da viagem com eles, organizando a vidinha deles. Não há lá nada que eu tema, não há lá qualquer significado de derrota, fracasso, insucesso. Lá foi meu berço, minha fonte de afeto e de calor, o lugar que me fez quem eu sou, bom ou mau, certo ou errado, lá tudo começou, e um dia sempre voltamos para onde tudo começou, e é chegada a minha vez de ser a filha pródiga que a casa torna.
A menininha cresceu quer voltar para casa de cabeça erguida, de alma limpa... Todo o passado vivido, mal vivido, ficou para trás, e nada nele assusta, não há mais fantasmas no armário, e a mesa está posta a minha espera. EU QUERO VOLTAR PARA CASA com o dever cumprido, crescida, madura, adulta.
Há tanto a minha espera lá. Dito e Nilinha precisam de ajuda, alguém que lhes organize a rotina, quem os levem ao médico, que entenda a limitação imposta pela velhice, que os respeite, que lhes digam do valor que tem, que os ame ainda mais.
Meus próximos meses serão de trabalho duro para tentar dar a meus avós uma velhice digna e tranquila na medida do possível. E essa é minha última tarefa, antes que o ciclo se feche, e antes que eu possa seguir me próprio caminho.
Tudo que acontece, acontece por alguma razão... Hoje mais do que nunca entendo isso... E me sinto grata e reverente ao Universo, que alguns chamam de Deus, por enxergar, e por entender aquilo que tenho que fazer.
Vô, Vó, eu amo muito vocês.
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CSD./

sábado, 14 de março de 2009

Faça seu coração vibrar

SAIA DA CONCHA

Ser curioso é bom porque assim que começa a jornada de questionamento da vida. Mas se você não for além dessa curiosidade, não haverá qualquer intensidade nisso. Talvez só pule de curiosidade em curiosidade como um barco à deriva, seguindo ao sabor das ondas, sem nunca ancorar em algum lugar.
A curiosidade é um bom ponto de partida, mas depois é preciso ficar mais passional. É preciso fazer da vida uma busca, não apenas uma curiosidade.
E o que quero dizer quando falo que é preciso fazer de sua vida uma busca? São muitas as perguntas, mas a busca é uma só. Quando uma pergunta se torna tão importante que você se dispõe a sacrificar a própria vida por ela, então ela é uma busca. Quando uma pergunta tem tamanha importância, tamanho significado que você pode arriscar e apostar tudo o que tem, então ela se torna uma busca.

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A sociedade lhe ensina: "Opte pelo conveniente, pelo confortável. Opte pelo caminho batido no qual seus antepassados e os antepassados de seus antepassados, desde Adão e Eva, já caminhavam. Essa é a prova - tantos milhões de pessoas já o percorreram, não pode ser o caminho errado."
Mas lembra-se de uma coisa: a multidão nunca passou pela experiência da verdade. A verdade só aconteceu a indivíduos.
Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte pelo que faz seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências.

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Cometer erros não é errado - cometa todos os erros de que for capaz. É desse jeito que você aprenderá mais. Só não cometa o mesmo erro mais de uma vez: isso faz de você um tolo.

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Você tem que se proteger de todas essas pessoas bem-intencionadas, que gostam de praticar o bem e estão a todo instante aconselhando-o a fazer isso ou aquilo. Ouça o que elas têm a dizer e agradeça. Elas não têm a intenção de lhe causar mal, mas causam. Ouça apenas seu próprio coração. Esse é o seu único professor. Na verdadeira jornada da vida, sua própria intuição é o único professor. Na verdadeira jornada da vida, sua própria intuição é o único professor que você tem.

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Existe algo de imensa importância sobre a verdade: a menos que você a encontre, ela nunca será verdade para você.
Se essa verdade é de outra pessoa e você pega emprestada, no mesmo instante ela deixa de ser verdade - passa a ser uma mentira.

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Seja o que for que esteja fazendo, pensando ou decidindo, lembre-se de perguntar uma coisa: isso está vindo de você ou se trata de outra pessoa falando? Você ficará surpreso ao descobrir a voz verdadeira. Talvez seja a de sua mãe - você a ouvirá falando outra vez. Talvez seja a de seu pai - não é muito difícil de detectar. A voz permanece ali, viva na memória, como se você a estivesse ouvindo pela primeira vez - o conselho, a ordem, a disciplina, o mandamento.

Livre-se das vozes que existem dentro de você e logo ficará surpreso ao ouvir uma voz silenciosa que nunca escutara antes. Você não consegue identificar de quem seja essa voz. Não, não é de sua mãe, de seu pai, de seu pastor, nem de seu professor... De repente você a identifica: ela é a sua própria voz. Depois faça o que ela diz sem receio.

Aonde quer que ela o leve, é ali que está o objetivo da sua vida, é ali que está o seu destino. É só ali que você encontrará satisfação, contentamento.

VERDADE OU CONSEQUÊNCIAS

Não pense nas consequências. Só os covardes pensam nas consequências.

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Todo mundo lhe diz para ser comedido. Por quê? Se a vida é tão curta, por que ser comedido?

Salte o mais alto que puder. Dance com toda a sua energia.

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Ser como todo mundo significa fazer parte de todo tipo de mentira que a sociedade chama de etiqueta, de boas maneiras. A razão é clara porque as pessoas falam sobre a verdade e ainda vivem em um mundo de mentiras. O coração delas anseia pela verdade. Elas tem vergonha de si mesmas por não serem verdadeiras, então falam sobre a verdade. Mas isso não passa de mera conversa. Viver de acordo com a verdade é perigoso demais - elas não podem se arriscar.

E o mesmo acontece com a liberdade. Da boca para fora, todo mundo quer a liberdade, mas ninguém é livre de fato e ninguém quer realmente ser livre, porque a liberdade traz responsabilidade. Ela não vem sozinha.

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A diferença entre ambição e anseio é que ambição visa a um objetivo, o anseio visa à fonte. A ambição significa que existe algo a se conquistar "lá fora". Ela depende de um objetivo, existe um motivo. Por isso você pode ser racional no que diz respeito a ela. Pode calcular se vale a pena atingir esse objetivo ou não. Não é uma questão de sentimento, é algo que se calcula. Você tem que seguir uma certa direção com cautela: o mundo é dos espertos, todo mundo está tentando atingir o mesmo objetivo e existe competição. Você tem que ser sagaz e inteligente, além de muito cauteloso. Tem que ser político, diplomático.

O anseio não tem um objetivo, mas tem uma fonte. O coração é a fonte.

Vicent Van Gogh sempre pintava as árvores tão grandes que elas iam além das estrelas. As estrelas eram pequenas, o Sol e a Lua eram pequenos e as árvores eram imensas... Alguém perguntou a ele: "Você é maluco? Por que nunca para de pintar árvores tão grandes? A estrela mais longínqua fica a milhões e milhões de anos-luz e as suas árvores sempre vão além das estrelas! Que maluquice é essa?"

E Van Gogh riu e disse: "Eu sei! Mas sei de outra coisa também, da qual você não se dá conta. As árvores são os anseios da terra para transcender as estrelas. Eu estou pintando os anseios, não as árvores. Estou mais preocupado com a fonte, não com o objetivo. É irrelevante se elas alcançam as estrelas ou não. Eu pertenço a terra, sou parte dela e compreendo o anseio da terra. Esse é o anseio da terra expresso através das árvores - ir além das estrelas."

E, por um anseio, tudo é possível. Nada é impossível porque a questão não é chegar a um lugar, mas apenas contemplar a fonte do próprio anseio.

Olhe bem dentro do seu coração. Ouça a voz calma dentro de você. E lembre-se de uma coisa: uma pessoa só se realiza na vida por meio dos anseios, nunca por meio das ambições.

A vida é basicamente insegura. Essa é sua qualidade intrínseca. Nada pode mudar isso. A morte é segura, absolutamente segura. No momento que você escolhe a segurança, sem saber está escolhendo a morte. No momento que escolhe a vida, está escolhendo a insegurança.

Com a segurança, com o conhecido, você fica entediado. Começa a ficar entorpecido. Com a insegurança, com o desconhecido, com o inexplorado, você se sente extasiado, belo, criança novamente - mais uma vez aquele coração capaz de se maravilhar.

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Quem tem medo da morte? Nunca cruzei com alguém que o tenha. Mas quase todo mundo com quem cruzei tem medo da vida.

Esqueça o medo da vida... Ou você tem medo ou você vive - a decisão é sua. E o que há para temer? Não há nada que possa perder. Você só tem a ganhar.

Esqueça todos os medos e mergulhe de cabeça na vida.

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Seja a favor da vida. vida é sinônimo de Deus. Você pode esquecer a palavra 'Deus' - a vida é Deus. Viva com reverência, com grande respeito e gratidão. Você não conquistou esta vida: ela é um mero presente do além. Sinta-se grato e reverente. Abocache o máximo que puder, mastigue bem e digira tudo muito bem. E desfrute a vida de todas as maneiras possíveis - viva o bom e o ruim, o doce e o amargo, o escuro e o claro, o inverno e o verão. Viva todas as dualidades. Não tenha medo da experiência: quando mais experiência você tiver, mais integrado ficará.

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Quando você encontrar um amigo, encontre-o de fato. Sabe-se lá... Talvez nunca mais volte a encontrá-lo. Então vai se arrepender. E, assim, esse passado insatisfeito vai assombrá-lo, cobrando aquilo que você queria ter dito e não disse. Existem pessoas que querem dizer "eu te amo" a alguém, esperam anos por isso e acabam não dizendo. E a outra pessoa pode um dia morrer e elas vão chorar e lamentar: "Eu queria ter dito a ela que a amava, mas não disse."

Eu amo você!

Esse texto e sua bela mensagem me chegaram pelas mãos da minha irmã e tiveram um papel essencial em minha vida anos atrás... Mas naquela época eu não cheguei a um entendimento mais amplo de tudo que estava aqui contido. Inicialemtne só me fez entender que deveria dar ouvidos a minha voz interior e meus desejos, na época foi isso que fiz, atendi meu coração.

O desejo de ficar, dois anos depois se transformou em desejo de partir. Que poderia muito bem ser sufocado a todo e qualquer pretexto... Mas a vontade de me desapegar daquilo que amo talvez seja indício de uma evolução... O desapego não é não amar, ou abandonar, é amar muito mais, e abrir mão da posse e da presença, e mesmo assim de coração amar.

É esquecer o conforto e a segurança, e se atirar num vôo no vazio acreditando que a sua verdade íntima lhe conferirá asas.

Meu coração me levará ao objetivo de minha vida. Ele me conduzirá a satisfação dos meus anseios, da minha busca pessoal. E eu jamais esquecerei o passado que serviu de lastro para o novo tempo... Das pessoas maravilhosas que caminharam ao meu lado, que me deram a mão e muito mais que isso, não me deixaram cair... Hoje mais do que nunca eu sinto o amor, e sou grata e reverente...

CSD./


quinta-feira, 12 de março de 2009

É real e incrível

Nessa fase de mudança não é fácil manter um padrão de comportamento, manter um equilíbrio diante do contato com todas as situações onde a vida real acontece... E em momentos de desordem emocional me é comum os brainstorms, como este do post anterior, é uma forma desordenada de conectar emocionalmente os acontecimentos, que não guardam uma conexão completamente cognoscível. É minha forma de organizar as emoções, que me trouxeram um aprendizado inconsciente e revelá-lo ao consciente, para finalmente dar-lhe uma destinação dentro de mim.
No entanto, da ansiedade da noite sempre vem um dia ensolarado, como hoje. É preciso ter a sabedoria de se esperar pelos acontecimentos com qualidade, que é uma espera não-espera. Esta sabedoria transcende as bibliotecas e os livros e reside no fato de finalmente se acreditar que nós somos pequenos cosmos, que somos a miniatura do universo e funcionamos identicamente a ele.
Paciência, tranquilidade, compreensão das limitações, tudo isso se simplifica quando estamos conscientes de um plano maior ao qual pertencemos. Mas nossa máquina de pensar é ansiosa e condicionada a encontrar soluções rápidas, e nossos pensamento sempre estão em disritmia com o universo, e neste ruído perdemos a chance de viver plenamente.
Esta simples e complexa equação para mim resolveu-se, em parte, esta manhã, numa aula de inglês. Eu não estava sendo capaz de viver minhas descobertas, estava ansiosa, querendo que tudo se desenrolasse, que eu vendesse a casa, que negociasse o carro, que com tudo rapidamente resolvido na prática, eu, enfim poderia partir para minha viagem, meu momento esperado, meu resgate, minha nova vida. Contudo, a ansiedade pelo futuro fazia-me esquecer de que os praperativos não podem ser vividos mecanicamente, que tenho que estar alerta a tudo e aproveitar a vida agora, pois a vida está mudando dentro de mim nesse momento.
E hoje eu fui para aula de conversação, nas quintas-feiras pela manhã eu e a Teacher nos encontramos para estimular minha pronúncia, e me por em contato com os diálogos do contexto que provavelmente eu vá viver... As aulas de inglês tem sido ótimas, agradáveis, e aos poucos estou desenvolvendo um bom relacionamento com a Teacher, que está muito imbuída na intenção de me ajudar, eu sinto isso porque é muito verdadeira a atenção que ela me dá. Hoje passamos quase 2 horas (o combinado é 1 hora) conversando, em português e em inglês sobre a língua, sua fluência, como ela acontece, o que é necessário estar atento... Ela em seu enorme conhecimento linguístico pouco a pouco está me entregando elementos imprescindíveis dos quais eu tenho que entender... E essa é a espera não-espera. Viver as coisas quando elas acontecem, receber o que é dado e dar o que pode... Dessa nossa convivência de mútua ajuda já me ofereci para ajudá-la numa dificuldade particular, a Teacher morre de medo de dirigir, tem habilitação e não consegue sair sozinha, por isso me ofereci para nos domingos de manhã dar voltas com ela, vai ser uma honra e um prazer ajudá-la em algo que me é tão simples, dirigir para mim é como respirar, um ato quase involuntário.
Disso tudo me ficam várias coisas. O Universo me deu a chance de me reposicionar, de reencontra-me comigo, com a verdade sobre mim, e isso está me mudando por dentro e por fora, do jeito que posso, na velocidade que consigo. E essa conexão comigo e com o Universo está gradativamente alterando o meu ritmo, me pondo em consonância... E eu posso sentir que o ritmo é harmonioso porque minha frequência mudou, minha vibração é outra, e ela me confere bem-estar, paz, tranquilidade, ainda invadida por momentos mais conflituosos, mas o que eu posso esperar, mudar 26 anos em 6 meses? "Ainda vai levar um tempo", como dizia a canção do Lulu.
E sobre essa história de vibração... Isso sempre me pareceu papo de espírita, de naturalista, de gente 'zen'... Mas o que pode explicar as mudanças de perspectivas mudarem o seu ambiente, senão a vibração? Pessoas se afastaram e pessoas se aproximaram de mim nos últimos meses. Amigos se tornaram meros conhecidos que estão desconfortáveis comigo e me trazem desconforto, desconhecidos me acolhem e ajudam, se tornando companheiros de jornada. É inegável, hoje eu atraio outra coisa, porque transmito outra mensagem. Está ai uma boa coisa para fazer na minha não-espera, experimentar o que eu atraio agora, o que ainda continuo atraindo.
Neste momento eu me sinto feliz, intimamente muito feliz por conseguir enxergar minha melhora. E ela se reflete em tudo, hoje eu me relaciono com o trabalho de outra maneira e administro as consequências disso, hoje eu falo diferente, é, eu mudei a minha forma de falar (muito louco isso), meus gestos, minha expressão, meu olhar, tenho outros anseisos, outras necessidades... A mudança de sensações mudou o espetáculo, e este me agrada mais. E eu estou feliz, feliz com o que fiz.
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CSD./

quarta-feira, 11 de março de 2009

Minha desordem

O que eu ainda não disse? Que motivações me levam a querer mudar minha própria vida? Que sentimento me orienta nesse mar fragoso? O que desejo? O que me fortalece, o que me acalma? Meu grande medo, qual é? O que me machuca? Onde me dói?...
Até novembro do ano posto eu tinha uma vida 'normal', um trabalho desgastante mas que julgava gostar, alguns amigos de convívio próximo, ganhava algum dinheiro e poderia apostar numa bela carreira para o futuro.
Estava prestes a sair de viagem e uma amiga iria comigo... Foi quando, como num jogo, as peças mudaram de lugar. Por um descaso ou por um descuido, nunca vou saber a verdade, sai sozinha de férias. A paz e a tranquilidade da solidão, me fizeram acabar gostando da idéia.
Em São Paulo o primeiro entrechoque: Mariana, a amiga de infância, as vivências trazidas da América do Norte, histórias de viagem, o descaso pelo comum, a contrariedade ao pré-estabelecido, a revolta contra os valores internalizados pelo elemento social... O exemplo de amor a liberdade, a vida fora dos limites ditados. Me deparei ali com o avesso dos meus medos.
O segundo entrechoque paulistano foi a pobreza estampada na fachada da favela a caminho de Cumbica, a desordem me tomou, meus sentimentos todos se misturaram naquele momento, um
velhinho de 70 anos, que dirigia o táxi pediu para eu olhar a beleza dos jardins que logo surgiram a nossa frente, mas eu havia sido completamente absorvida pela realidade da favela, dos que sofrem, dos que vivem sem saber por que ou pra quê.
Naquele dia eu parti rumo ao sul. Em Buenos Aires tudo me deslumbrou e me sorveu... Aqueles jovens todos explorando a cidade de mochilas nas costas, a diversidade, a vida diferente e leve. Mas eu não conseguia entender o que se passava comigo. E com a calma e serenidade de quem encontra conforto na solidão e no silêncio eu fiz um prece na catedral de San Izidro, inicialmente agradeci tudo que me foi ofertado nessa vida, e a oportunidade de estar ali, e também pedi orientação para seguir uma vida que fosse útil aos designos do Pai, e completamente entregue a minha precariedade humana eu pedi para ser um instrumento nesse universo, para ajudar de alguma forma, dar a minha singela contribuição no que fosse.
E como numa frase de Oscar Wilde, que ouvi esta noite: 'Os deuses quando querem nos castigar atendem nossas preces'. As minhas preces foram atendidas, uma venda foi retirada dos meus olhos, que embora embaçados, viram pela primeira vez. Tal foi meu susto, minha vida não era minha, minha ambição despetalava meus valores, uma pressa por alcançar algo de tão furtivo prazer, que nem bem se consumava e já se desvanecia.
O meu tempo, minha saúde, minha juventude sendo gastos com ilusões patéticas... E foi grande meu desespero por ver a areia fina das certezas desfeitas escoando pelos meus dedos laços, a dor tomou meu coração, e as lágrimas desde então não mais secaram, as lágrimas são fundamentais hoje, elas impedem a implosão, seguram o desmoronamento.
Não se passa nem um dia sequer, sem que me lembre do pequeno Luca, e do quanto ele me ensinou. Não há um dia que não me lembre que EU SOU AQUELE MENINO DE RUA, que por um golpe de sorte teve uma vida diferente, mas somos iguais na raíz, e essa realidade me agride e consola, me conscientiza e me faz pequena como um átomo, digna da primeira humildade: "ser um tubo processador de merda".
Hoje vivo para mudar minha vida, dar colorido ao acromático. E me emprestar de utensílio ao universo, para o que quer que seja. Tenho pouquissímas certezas sobre mim, sobre o que gosto, mas alguns desejos são ululantes, quero falar várias línguas, ser poliglota... Quero usar as minhas mãos para o trabalho, elas são capazes de produzir calor e curar. Quero deixar todo o tempo já vivido, mal vivido ou sem sentido para trás.
A zona de conforto, o conhecido, o caminho trilhado e batido já não me cabem. O desapego é a lição a ser aprendida, e o tempo meu único e grande professor. A vida, a única possível estrada.
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CSD./

terça-feira, 10 de março de 2009

Maturidade


A diferença entre a relva e as flores é a mesma que existe entre você enquanto não sabe que é um buda, e você no momento em que compreende que é um buda. De fato, nem poderia ser diferente.O buda é completamente florescido, inteiramente aberto. Os seus lótus, suas pétalas, chegaram a uma realização...Com certeza, ser você mesmo, pleno de primavera, é muito mais belo do que o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus. E olha que essa é uma das coisas mais lindas de se ver: o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus, brilhando ao sol da manhã, como pérolas verdadeiras. Naturalmente isso não passa de uma experiência momentânea. À medida que o sol se levanta, o orvalho de outono começa a evaporar-se...Essa beleza passageira certamente não pode ser comparada com uma eterna primavera em seu ser. Por mais longe que você consiga olhar para trás, verá que essa primavera sempre esteve ali. Olhando para frente o mais que pode, você se surpreenderá: trata-se do seu próprio ser. Onde quer que você esteja, essa primavera estará também, e as flores continuarão a cair sobre a sua cabeça. Isso é primavera espiritual.
Osho No Mind: The Flowers of Eternity Chapter 5

Comentário:
O personagem desta carta está só, quieto, porém atento. O seu ser interior apresenta-se repleto de flores -- portadoras do espírito da primavera, e que renascem onde quer que ele vá. Este florescimento interior e a completude pessoal que ele sente, criam-lhe a possibilidade de uma mobilidade ilimitada. Ele pode deslocar-se em qualquer direção -- no seu próprio interior ou no mundo aqui de fora, não faz diferença, pois a sua alegria e maturidade não podem ser diminuídas por fatores externos. Ele chegou a um tempo de centramento pessoal e de expansividade -- a aura branca que o envolve é a sua proteção, e a sua luz. O conjunto das experiências da vida o trouxeram a este tempo de perfeição.
Quando você tirar esta carta, saiba que o momento lhe traz um presente -- pelo trabalho pesado que foi bem feito. Agora, suas bases são sólidas, e o sucesso e a boa sorte estão assegurados porque são a conseqüência natural daquilo que já foi vivenciado em seu íntimo.
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Muito interessante a carta de hoje... Ainda mais por me fazer lembrar de um singelo acontecimento de domingo.
Eu estava no Zoo da Federal, depois de uma breve caminhada sentei-me em frente ao viveiro das capivaras e das antas. Contemplativa... fechei os olhos por uns minutos... Ouvi o barulho do tecido sintético da minha calça ao ser tocado por algo...
Imaginei rapidamente, deve ser uma caca de passarinho, uma gota d'água, abri os olhos e era uma delicadíssima florzinha...
Enfim, que não tenha nenhum significado... me trouxe um sorriso e me fez um pouco mais alegre naquela tarde.
CSD./

domingo, 8 de março de 2009

Eu sei que vou te amar

'Eu sei que vou te amar' é um livro inspirado num filme, o que por certo já foge do normal, posto que em geral os livros é que inspiram os filmes, seu autor é Arnaldo Jabor, que nos anos 70 levou milhões ao cinema, na maioria jovens ávidos por entender esse mistério de amor e sexo.
Este livro estava há meses aguardando minha disposição para lê-lo, finalmente li.
Em minha opinião não traduz sequer um terço da genialidade de Jabor, mas há umas pérolas que merecem destaque, que passo a fazer:
- Eu sabia que você não aguentava!... é impressionante como este cara não aguenta ser amado!... Agora quando eu falei um pouco de verdade... de emoção... "aceita um drinque?" Que drinque? Cara... tu é barman, que drinque? Só se for coquetel das minhas lágrimas com tua hipocrisia!... Olha, essa bobagem de "quer um drinque" é o símbolo de tudo que nos aconteceu nos últimos anos... você não sabe o que é amor!... Eu não te culpo... eu te entendo... é teu sintoma... você não consegue, que que eu vou fazer? Tudo bem...
(...)
- Ai!... Meu Deus do céu... como a verdade de um homem é diferente da verdade de uma mulher... eu... eu... fiz tudo pra essa mulher... mas ela só lembra dos erros... mulher só contabiliza coisas negativas... só... "estraguei a vida dela"... tá legal... e as milhares de vezes que eu a protegi sem ela saber, hein? E a mão protegendo dos golpes do mundo, hein? E a contemplação muda da ingenuidade, e os ensinamentos discretos? E a carícia desinteressada? E a ejaculação contida pelo bem dela? E a muda concordância e a bobagem consentida para evitar o triunfo sobre a juvenil ignorância? Nada conta? Nada... nada... conta o quê? Conta uma frase que eu disse sobre uma ex-namorada... Isto pesa mais que tudo!... Quer dizer... esta senhora... esta senhora está a fim de me sacanear!!
(...)
- Rosas... eu olhava minha mulher dormindo... e pensava: "A vida é perfeita." Rosas brancas tremem, a grama está molhada, nosso quarto, o rosto dela... a vida é perfeita! O mundo está hamônico, eu tinha organizado tudo pra tua felicidade, e você destruiu! Você dormindo... o mundo era harmônico... então você quis ir embora... me abandonou... e destruiu tudo...
(...)
- ...Não aguento mais este papo... O Brasil está devendo cem bilhões de dólares... As multidões estão aí fora urrando de fome! Ouça! Ouviu? São as multidões... e a senhora e eu levando este papo de Sartre e Simone de Beauvoir, este lero-lero de casal! Isto não tem a menor importância para a vida humana! O mundo vai acabar e nós aqui nesta mediocridade, com o processo histórico lá fora.
(...)
... só a infância é verdadeira... por que as árvores ficam escuras e tremem?... por que o mundo era tão lindo e sinistro? E hoje só esta areia seca... e eu pensava: "Vou crescer... vou casar com um vestido de baile branco... um sonho de volsa... vou casar com um oficial da marinha... lindo... vou dançar"... eu achava meu futuro um luxo... meu Deus... que luxo era meu futuro!... E agora...
(...)
Estou ficando louco, quero um milagre, estou ficando louco, quero um milagre... um crime, um veneno, adeus amor, estou indo, adeus amor, estou indo para a sujeira, quero a luz da sarjeta, adeus pureza, quero o sujo, quero o que ninguém quer, adeus amor, a tua alma branca... adeus amor, você e teus cabelos adeus amor, você e a nossa felicidade...
(...)
... Eu era feliz, um robô feliz na minha mediocridade...
- ... a primeira humildade que um ser humano tinha de ter: eu sou um tubo! Um tubo processador de merda... começa aí a humildade...
(...)
- ... Doce é o limão, minha filhinha... doce é o mais ardido dos limões perto da tua crueldade absoluta... nunca confie, meu amigo, numa delicadeza doce! daí é que sai a morte!
(...)
- ... Quero que você diga para as mulheres que você conhecer... que lá no fundo... onde eu fui... é só escuro... eu desci no poço de Alice... sem fundo... e lá, na solidão completa, de repente surgem uns peixes luminosos... embriões flutuando a sua volta... os filhos de tua coragem... e você começa a subir de volta... sentindo uma alegria nova... e não é a tal "purificação pelo sofrimento" não, é ver... ver... que há qualquer coisa eterna na tua loucura... que a tua loucura é eterna... real... como o vento... o fogo... as árvores que se moviam na minha infância... hoje minha loucura é verdadeira como as coisas... aí eu comecei a me sentir uma habitante do planeta, igual... à miserável... igual à faminta... eu sou verdade... como a miséria... como os bichos... e também quero que você saiba que quando eu vejo você caído no chão, fraco feito um trapo... você passa a ser meu herói de novo... engraçado... quanto mais fraco você fica, mais gosto de você... nós dois... destruídos... sem pose... desamparados... aí eu nos quero... aí eu nos amo... eu acho que a gente tem hoje uma dignidade que nunca teve... era isto que eu queria te dizer... te dar... como um presente de amor...
(...)
Um beijo fecha a minha boca, um beijo fecha a minha boca!
Eu sei que vou te amar - Arnaldo Jabor

segunda-feira, 2 de março de 2009

Possibilidades...


A mente pode aceitar fronteiras em qualquer lugar. A verdade, porém, é que, por sua própria natureza, a existência não pode aceitar fronteiras de espécie alguma, pois o que haverá do outro lado do muro? Céu e novamente um outro céu. Por isso é que estou dizendo que céus sobre céus estão disponíveis para o seu vôo.
Não se contente facilmente. Os que se contentam com pouco permanecem pequenos: pequenas são as suas alegrias, pequenos são os seus êxtases, pequenos são os seus silêncios, pequeno é o seu ser.
Mas não há necessidade disso!
Essa pequenez é uma imposição que você mesmo faz à sua liberdade, às suas possibilidades ilimitadas, ao seu potencial sem limites.

Osho Live Zen Chapter 2

Comentário:
A águia tem uma visão panorâmica de todas as possibilidades existentes na paisagem lá embaixo, enquanto voa livremente pelo céu, com naturalidade e sem qualquer esforço. Ela está realmente no seu domínio, majestosa e senhora de si.
Esta carta indica que você se encontra num ponto em que um mundo de possibilidades lhe é oferecido. Por ter desenvolvido mais amor para consigo mesmo, por estar mais pleno de si mesmo, você consegue trabalhar facilmente com os outros. Por estar relaxado e à vontade, você é capaz de reconhecer possibilidades à medida que elas se apresentam, algumas vezes até antes que outros as consigam perceber. Por estar em sintonia com a sua própria natureza, você compreende que a existência lhe está proporcionando exatamente aquilo de que você precisa. Aproveite o vôo! E celebre todas as variadas maravilhas da paisagem aberta diante de seus olhos.

Acreditando ou não nas cartinhas, você tem toda razão quando diz que cada mensagem vale um minutinho de reflexão, aliás, vários minutos eu diria.
São edificantes... E pra mim, já ando ficando cismada com essa brincadeira, risos!
Tem gente me espionando! Você anda passando informações privilegiadas pra alguém???
Olha lá hein...

CSD./