sábado, 28 de fevereiro de 2009

A Menininha...


Eu sei que estive ausente por muito tempo. Mas agora estou aqui do teu lado, pra segurar a sua mãozinha.
O nosso caminho é uma longa escalada... Mas estaremos lado a lado! Prometo cuidar de você, te amparar nas dificuldades, festejar nossas conquistas... Prometo brincar contigo, cantar pra você dormir.
Lembrando o 'poetinha' eu te digo: 'de tudo ao meu amor serei atento antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto...'
Eu te amo menininha, jamais se esqueça disso, seremos sempre você e eu!

CSD./

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

New Soul

Acompanhando esse movimento de mudança interna, que como é cediço, incomoda, dói e machuca, sempre há uma espécie de bálsamo, particular para cada um. O meu, sempre foi a arte, a literatura, a música.
Vários estilos musicais tem me chamado atenção ultimamente... O tango, o jazz, a bossa nova, dentre outros...
Em especial, uma cantora franco-israelita me fez voltar os olhares para seu ritmo, sua música, sua arte, ela se chama Yaël Naïm, mal sei pronunciar seu nome, mas seu som é de compreensão universal.
Para aliviar um pouco a pressão do dia, dedico esse post para uma de suas músicas, New Soul:

I'm a new soul I came to this strange world hoping
I could learn a bit about how to give and take.
But since I came here felt the joy and the fear
finding myself making every possible mistake

la-la-la-la-la-la-la-la...

I'm a young soul in this very strange world hoping
Icould learn a bit about what is true and fake.
But why don't please trying
to comunnicate finding
just that love is not always easy to make.

la-la-la-la-la-la-la-la...

This is a happy end cause'
you don't understand
everything you have done why's
everything so wrong
this is a happy end
come and give me your hand I'll
take your far away.

I'm a new soul I came to this strange world hoping
I could learn a bit about how to give and take
but since I came here fellt the joy and the fear
finding myself
making every possible mistake

la-la-la-la-la-la-la-la...
la-la-la-la-la-la-la-la-la-la....

Yaël Naïm

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Minha vida agora é surpresa...

Nesta tranquila tarde de segunda-feira de carnaval encontrei as queridas amigas Lu e Cleiva para um café, papo descontraído, a boa e velha companhia agradável das irmãs, propícia para falar de qualquer coisa, de amenidades ao que nos angustia.
Em algum momento falei sobre as certezas e de quanto elas podem nos trazer malefícios, eu que sempre tive tantas... Minha carreira, minha profissão, meu jeito de agir, a forma de conduzir os relacionamentos, o lugar onde pensava passar o resto de minha vida, meus objetivos de curto e longo prazo...
De repente um vento que veio do sul soprou e tudo se desfez. Meu castelo de cartas marcadas, meus erros, tudo trazido a luz.
Agora eu vivo a surpresa, minha vida é surpresa, o desejo ardente de seguir meu coração que quer me levar a outro lugar, e a única 'certeza' são as infinitas possibilidades que surgirão.
A duras penas eu aprendo mais essa lição... e esqueço as certezas do passado.
Voltando ao encontro com as meninas, nem quero pensar na falta que vou sentir dessas duas pessoas tão importantes na minha vida, quando eu sair para ver o mundo.
Por enquanto, vou aproveitando ao máximo, tudo que puder, até o fim, sabendo que alguns sentimentos não tem fim.

CSD./

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Viajando...

A vida é uma continuidade, sempre e sempre. Não existe um destino final ao qual ela esteja se dirigindo. Apenas a peregrinação, apenas a viagem em si já é a vida, não o chegar a algum ponto, a alguma meta -- apenas dançar e estar em peregrinação, movendo-se alegremente sem se preocupar com nenhum ponto de chegada.O que você fará depois que chegar a um destino? Ninguém nunca fez esta pergunta porque todo mundo está empenhado em ter alguma meta na vida. Porém, as implicações disso...Se você atingir de fato o destino final da vida, o que vem depois? Você irá parecer muito desapontado! Não haverá lugar aonde ir... você já alcançou o ponto de destino... -- e ao longo da viagem deixou escapar tudo. Era preciso deixar passar! Então, nu e plantado no ponto de chegada, você ficará olhando em volta como um idiota: qual era mesmo o propósito disso tudo...? Você esteve se apressando tanto, preocupando-se tanto, e este é o resultado final.

Osho Rinzai: Master of the Irrational Chapter 7

Comentário:

A pequenina figura que se desloca pela trilha que corta esta bela paisagem, não está preocupada em chegar a qualquer destino. Ele, ou ela, sabe que a viagem é a própria meta, que a peregrinação em si é o santuário. Cada passo no caminho é importante por si mesmo.
Quando esta carta aparece numa leitura, indica um tempo de movimento e mudança. Pode ser um deslocamento físico de um lugar para o próximo, ou um movimento interior de uma maneira de ser para outra. Qualquer que seja o caso, porém, esta carta assegura que a mudança será fácil, e que trará um sentimento de aventura e de crescimento; não há nenhuma necessidade de se esforçar nem de planejar em demasia. Esta carta da "Viagem" também nos lembra de que devemos aceitar e acolher o novo, exatamente como acontece quando viajamos para um outro país, com uma cultura e um ambiente diferentes daqueles a que estamos acostumados. Esta atitude de abertura e de aceitação estimula o surgimento de novos amigos e de novas experiências na nossa vida.


Coincidência ou não tudo aponta para esse tempo de mudança, para esse deslocamento físico e/ou emocional/comportamental. E já nem é preciso pensar ou premeditar mais, as coisas se sucedem e tudo parece "linkado".
Sigo naturalmente o fluxo a medida que tento de todas as formas melhorar o agora.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O reencontro com a chuva...

Os pingos de chuva começavam a cair lá fora... Eu dentro de casa, tão inquieta, a ameaça de chuva parecia me provocar, me chamar...
E fui ao encontro das águas celestes. Os pingos se tornavam mais abundantes e logo minha roupa estava completamente molhada, a água tocava o meu rosto e escorria cuidadosamente por todo meu corpo num processo catartíco, ela ia me limpando, lavando tudo...
A chuva e o vento me estremeciam, então comecei a caminhar além da minha rua, aos meus passos se seguiam os pensamentos, como numa espécie de filme, me lembrei de cada coisa ruim que eu havia feito ou sentido, e tudo aquilo que me envergonhava... Pedi perdão a mim mesma, esse é o perdão mais difícil de se obter, porque o perdão de Deus eu já tive.
Deus que sempre se ocupou de mim, mesmo a minha revelia, e jamais deixou nada do que me era necessário faltar. A Ele, sob a chuva, dirigi minha prece mais ardente, pedi que me ajudasse a deixar ir embora tudo aquilo que não preciso, que me ajudasse a soltar as amarras.
E Deus que sempre diz 'sim', me deu a chuva e as lágrimas, que lavaram-me por dentro e por fora.
Voltei para casa, para um banho quente e o descanso do corpo exausto de luta.

CSD./

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Some sweet words in your birthday

Eu ganhei uma irmã há oito anos... E é tão bom dizer o quanto sou feliz por tê-la presente em minha vida desde então.
Esta semana ela comemora mais um aniversário, e não há melhor momento para que eu demonstre meu amor e minha gratidão por essa convivência fraternal.
Ela e seu enorme coração capaz de compreender e olhar aos outros de forma tolerante, sem preconceito, um caminho que nega o egoísmo e a superficialidade das genéricas relações sociais e estabelece uma troca humana legítima e compensatória.
Sua simplicidade de ser é admirável. Sua leveza e desprendimento singulares. Sua fibra, seu bom senso, mas não são essas características nobres que mais me fazem gostar dela... Gosto sobremaneira de sua humanidade, de sua ternura e firmeza, de dentro dela sempre existir os dois lados em estado de equilíbrio.
Essa irmã me contrapõe muitas vezes, e eu também sei que a contrario, mas a nisso uma espécie de prova de nossa capacidade de conviver, de respeitar, e de amar o que realmente somos.
Nossas diferenças nos aproximam e assim tem sido por anos.
Ela que sempre me cuidou como a uma irmãzinha... Eu que sempre a tive como um motivo para querer ser melhor a cada dia.
Feliz Aniversário Lutti! Que o universo sempre te reserve aquilo que você espalha por ele... Felicidades, sonhos realizados, paz e muita saúde.

Sua irmãzinha que te ama!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Into the wild

Long Nights

Have no fear
For when I'm alone
I'll be better off than I was before

I've got this light
I'll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know
I've got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

Eddie Vedder


Partir conscientemente. Me descobri inclinada a isso.
Por que dormir descontente...
Ah, o preço de ter companhia.
Minha sombra vem comigo enquanto nós deixamos tudo, deixamos tudo para trás.
A riqueza dos bolsos vazios
O amor vai criar uma sensação de riqueza
Por que me conter como outro livro na estante?
Minha sombra deita-se comigo sob o grande sol branco...
Vozes súbitas no vento
E a verdade que elas estão contando.
O mundo começa onde a estrada acaba.
Observe-me deixar tudo pra trás.

E.V. in 'far behind'

A carta que tirei...

A energia do todo se apossou de você. Você está possuído, você nem mesmo existe mais: o que existe é o todo.
Neste momento, à medida que o silêncio o penetra, você vai sendo capaz de compreender a significância dele, porque é o mesmo silêncio vivenciado pelo Buda Gautama. É o mesmo silêncio de Chuang Tzu ou Bodhidharma, de Nansen... O sabor do silêncio é o mesmo.
Os tempos mudam, o mundo continua se transformando, mas a experiência do silêncio, a alegria que vem dele, permanece a mesma. Essa é a única coisa em que você pode confiar, a única coisa que nunca morre. Esta é a única coisa que você pode chamar de seu próprio ser.
/
Osho Zen: The Diamond Thunderbolt Chapter 1

Comentário:
A receptividade silenciosa de uma noite estrelada de lua cheia, semelhante à de um espelho, reflete-se abaixo no lago coberto de névoa. O rosto que aparece no céu está em meditação profunda: uma deusa da noite que traz profundidade, paz e compreensão.Este é um momento muito precioso. Será fácil para você repousar internamente, e sondar as origens do seu próprio silêncio interior até o ponto em que ele se confunde com o silêncio do universo.
Não há nada para fazer, lugar nenhum aonde ir, e a marca do seu silêncio interior permeia tudo o que você faz. Isso poderia deixar algumas pessoas sentirem-se desconfortáveis, acostumadas que estão com todo o barulho e atividade do mundo. Não importa. Procure encontrar as pessoas capazes de entrar em sintonia com o seu silêncio, ou então desfrute a sua solitude. Este é o momento de reencontrar-se consigo mesmo. A compreensão e os insights que lhe ocorrem nesses instantes manifestar-se-ão mais tarde, em uma fase de maior extroversão da sua vida.
/
Está fui eu mesma que tirei essa manhã, para testar...
Mas não faço mais!
/
CSD./

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vuelvo al Sur

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,
Sur, te quiero.

Letra: Fernando E. Solanas
Musica: Astor Piazzolla


Interessante foi perceber como na música ou na literatura, que os argentinos frequentemente se referem ao "sur" e nele expressam o apego e a saudade da sua terra.
Tomo emprestado seu significado para dizer: que o sul é um caloroso abraço, o sul guarda meu coração, o sul é a saudade que sempre irei sentir...
Não me importa se o referencial hegemônico do mundo sempre foi o norte, para 'nortear' o que quer que seja, não me importa que as vezes pensemos que o céu aqui fica as avessas.
"Busco el Sur, el tiempo abierto, y su despues. Quiero al Sur, su buena gente, su dignidad..."
É bom sentir orgulho do que é... É bom se lembrar das raízes, onde quer que se esteja.
E o "Sul" sempre será um bom lugar para se voltar.

CSD./

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cambalache

E esse blog virou uma 'tangueria'... Vai mais um em homenagem a minha revolta com a imoralidade. O mundo sempre foi assim, mas daqui pra frente para ser diferente só depende de cada um...

Cambalache

Que el mundo fue y sera una porqueria,
ya lo se;
en el quinientos seis
y en el dos mil también;
que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dubles,
pero que el siglo veinte es un desplieguede malda insolente
ya no hay quien lo niegue;
vivimos revolcaos en un merengue
y en un mismo lodo todos manoseaos.
Hoy resulta que es lo mismo
ser derecho que traidor,
ignorante, sabio, chorro,
generoso, estafador.
Todo es igual; nada es mejor;
lo mismo un burro que un gran profesor.
No hay aplazaos ni escalafon;
los inmorales nos han igualao.
Si uno vive en la imposturay otro roba en su ambición,
da lo mismo que si es cura,
colchonero, rey de bastos,
caradura o polizon.
Que falta de respeto,
que atropello a la razon;
cualquiera es un señor,
cualquiera es un ladron.
Mezclaos con Staviskyvan
Don Bosco y la Mignon,
don Chicho y Napoleon,
Carnera y San Martin.
Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida
y herida por un sable sin remaches
ves llorar la Bíblia contra un bandoneon.
Siglo veinte, cambalache
problematico y febril;
el que no llora, no mama,
y el que no roba es un gil.
Dale no mas, dale que va,
que alla en el horno nos vamo a encontrar.
No pienses mas, sentate a un lao,
que a nadie importa si naciste honrao.
Que es lo mismo el que trabaja
noche y día como un buey
que el que vive de los otros,
que el que mata que el que cura
o esta fuera de la ley.


Letra e Música de Enrique Santos Discépolo

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Esperança


A alegria do amor só é possível se você tiver conhecido a alegria de estar sozinho, porque só então você terá algo para compartilhar. De outra forma, serão dois mendigos se encontrando, agarrando-se um ao outro, mas não poderão obter o êxtase. Criarão infelicidade para ambos, porque cada um irá esperar em vão, que o outro o preencha. O outro está esperando a mesma coisa. Não podem se completar. Ambos estão cegos, não podem ajudar um ao outro.

Ouvi contar de um caçador que se perdeu na selva. Por três dias ele não conseguiu encontrar ninguém para perguntar pelo caminho de volta, e ele estava ficando cada vez mais assustado, entrando em pânico - três dias sem comer e com um medo constante de animais selvagens. Por três dias ele não foi capaz de dormir; ele ficava sentado acordado em alguma árvore, com receio de ser atacado. Havia cobras, leões, e outros animais selvagens.
No quarto dia de manhã cedo, ele viu um homem sentado debaixo de uma árvore. Você pode imaginar sua alegria. Ele correu, abraçou o homem, e disse: "Que alegria!" e o outro homem também o abraçou, e ambos estavam imensamente felizes. Depois eles perguntaram um ao outro, "Por que você está tão contente?"
O primeiro disse, "Eu estava perdido e esperava encontrar alguém." E o outro disse: "Eu também estou perdido e esperava encontrar alguém. Mas se ambos estamos perdidos então nossa felicidade é pura tolice. Agora estamos perdidos juntos!"
É isso que acontece: você está sozinho, a outra pessoa está sozinha. Então vocês se encontram. Primeiro há a lua-de-mel, o êxtase do encontro, o êxtase por não estarem mais sozinhos. Mas dentro de três dias ou, se você for inteligente o bastante, dentro de três horas... depende de quão inteligente você for. Se for tolo, irá levar mais tempo pois pessoas tolas são aquelas que não aprendem. Caso contrário, uma pessoa inteligente pode perceber em três minutos... "O que estamos tentando fazer? Não vai funcionar. Essa outra pessoa está tão sozinha quanto eu. Agora iremos viver juntos, serão duas solidões juntas. Juntar duas feridas não faz com que elas se curem."
Cada um de nós é parte dos outros, nenhum homem é uma ilha. Pertencemos a um continente invisível porém infinito. Nossa existência não possui limites.
Contudo, essas experiências só são vividas pelas pessoas que estão se aperfeiçoando, que estão em um estado de amor tão grande consigo mesmas que podem fechar os olhos, ficar sozinhas e ainda assim em êxtase absoluto. Essa é a essência da meditação.Meditação significa estar em êxtase dentro da sua solidão. Mas, quando você encontra o êxtase em sua solidão, logo esse êxtase se torna tão grande que você não pode contê-lo. Começa a transbordar de você. E quando começa a transbordar, torna-se amor. A meditação permite que o amor surja. E as pessoas que não conheceram a meditação jamais conhecerão o amor. Podem fingir que amam, mas não podem amar de fato. Apenas fingem, porque não têm nada para dar, não estão transbordantes. Amar é compartilhar. Mas antes que você possa compartilhar, você precisa ter algo para dar. A meditação deveria ser a primeira coisa. A meditação é o centro, o amor é a circunferência em torno dela. A meditação é a flor, o amor é o perfume.

Fonte: Osho Times

Você pode colocar no lugar de meditação a palavra consciência. Há várias maneiras de se chegar à consciencia, a meditação é uma delas.

LP./


Encontrei esse texto fazendo uma limpeza na caixa de e-mails, e ler isso hoje teve um pouco mais de sentido do que lê-lo há um ano e meio... Esse processo de busca da consciência é longo, o bom é que a cada dia pode ser melhor.

CSD./

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Malena (é um nome de um tango)...

Buenos Aires me deixou de herança dois cds de tango, os quais tenho escutado com relativa frequência (sem trema diz a nova regra ortográfica)...
É música para quem tem ouvido bom e permissivo, para quem gosta de ritmos que toquem os tímpanos e o coração. Os cantores e cantoras de tango lembram tenores, de voz grave e as vezes sibilante. Há quem os diga tristes, mas há também os festivos, apaixonados, debochados e de protesto. Pode-se dizer que é um movimento cultural engajado.

Aqui vai mais um que gosto, música e a letra, se chama Malena:

Malena canta el tango como ninguna
y en cada verso pone su corazón.
A yuyo del suburbio su voz perfuma,
Malena tiene pena de bandoneón.
Tal vez allá en la infancia su voz de alondra
tomó ese tono oscuro de callejón,
o acaso aquel romance que sólo nombra
cuando se pone triste con el alcohol.
Malena canta el tango con voz de sombra,
Malena tiene pena de bandoneón.

Tu canción
tiene el frío del último encuentro.
Tu canciónse hace amarga en la sal del recuerdo.
Yo no sési tu voz es la flor de una pena,
sólo sé que al rumor de tus tangos, Malena,
te siento más buena,
más buena que yo.

Tus ojos son oscuros como el olvido,
tus labios apretados como el rencor,
tus manos dos palomas que sienten frío,
tus venas tienen sangre de bandoneón.

Tus tangos son criaturas abandonadas
que cruzan sobre el barro del callejón,
cuando todas las puertas están cerradas
y ladran los fantasmas de la canción.
Malena canta el tango con voz quebrada,
Malena tiene pena de bandoneón.

Música: Lucio Demare – Letra: Homero Manzi (1941).


Sobre esse tango, sem querer descobri sua história, parece que o poeta 'arrabalero' de Buenos Aires, Homero Manzi inspirou-se, numa noite brasileira em que encontrou a cantora Malena de Toledo (Elena Tortolero, seu nome real), numa casa noturna de São Paulo (há quem afirme ter sido em Porto Alegre - quem afirma isso dever ser algum gaúcho sem dúvida).
Manzi estava com Demare. Encantou-se com a voz da musa inspiradora (nascida em 1916, falecida em 1960), no ano de 1941, quando ela era acompanhada pela orquestra de Hector Gentile. Essa música (de Demare), com letra de Manzi se eternizou como um dos clássicos do tango argentino.
Há controvérsias sobre o nascimento de Malena: alguns afirmam que foi no Uruguay; o escritor e Amigo pessoal Hector Ángel Benedeti, estudioso do tema, assegura que Malena nasceu na Argentina.
De onde é Malena? Só sei que é um inesquecível nome de tango.

CSD./

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um exercício para a vida

Todos esses anos de busca por auto-conhecimento, terapias, ocupação, atividades das mais variadas, tiveram apenas um único objetivo, aplacar a angústa e a solidão que sempre senti.
Tanto tempo depois de iniciar esse caminho por mim mesma, parece que começo a ver uma singela luz, capaz de direcionar-me para fora do túnel escuro.
O maior teste de sucesso ou de fracasso de um ser humano ou de uma sociedade deveria ser medido pelo crescimento da vida solidária, pelo volume de troca humana legítima, útil e compensatória. Uma vida social deveria ser orientada pela confiança, pela lealdade, mas será que é isso que temos? A vida comum é capaz de curar os medos? Ela auxilia na compreensão das incertezas?
É incrível, mas hoje a amizade é um luxo. Por isso estou aprendendo a cuidar do que tenho, contudo, sem controle, sem excessos, e com respeito pelos outros.
Não tenho hesitado em alcançar um estado de conhecimento e clareza sobre minhas próprias dores, e minha finitude, que vem funcionando como conscientização de minha precariedade, e isso indica que o desenvolvimento material não representa nada, se me diluo enquanto pessoa e deixo os valores essenciais da condição humana escorrerem das minhas mãos.
É indispensável para construir e manter as relações compreender a singularidade do outro. Olhar o outro sem preconceito e de forma tolerante, nega o egoísmo e a superficialidade corriqueira dos relacionamentos humanos atuais. Preciso deixar de querer ver estampado no rosto alheio um pouco daquilo que sou, e ver o que realmente é. Vem-me à mente as palavras da infinita Clarice que a há muito já dizia: 'Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado pensava que, somando as compreensões eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente... E porque no fundo eu quero amar o que eu amaria e não o que é...'O acomodamento humano faz preferir modificar o outro, em vez de modificar a si mesmo. Ao contrário, desprezar e reprovar menos, devem ser as palavras de ordem para escapar dessa lógica que exclui, deste modo se amplia a diversidade das perspectivas humanas.
Esse treino para a alteridade é o exercício que pode conduzir para fora do bloqueio defensivo, abrir o horizonte de uma vida menos solitária, mais plena e repleta de significado e experiências interessantes.

CSD./

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Perdendo a vergonha de existir

A tardezinha sai pra caminhar na pista da Universidade, tenho feito isso com relativa constância, mas não apenas como atividade física, esse é um momento para treinar o 'não pensar em nada'.
Parei um pouco, me sentei e fiquei a olhar a paisagem ao meu redor, observei uma criança jogando bola com seu companheiro, senti grande vontade de jogar também... Estava ali desenhada a chance de me aproximar e pedir para participar da brincadeira.
Eu que sempre morro de medo de me relacionar, morro de medo de dizer qualquer palavra... Então me aproximei e disse: '- Posso jogar também?'
Eles disseram que sim, então entrei na roda e começei a trocar passes, passei quase uma hora ali correndo, chutando, tocando, 'matando a bola' e fazendo embaixadas, fiz isso até cansar. Então me despedi e fui saindo, passei perto do menininho bati na mão dele, perguntei-lhe o nome, agradeci e continuei caminhando bem devagar em direção ao carrinho de água de coco.
Olhei para os meus pés, eles estavam sujos de lama, meu tênis branco ficou preto, e até minha canela tinha marcas de barro... Dei risada dessa molecagem, peguei minha água de coco e voltei andando pra casa, com uma sensação boa de estar perdendo a vergonha de existir.

CSD./