quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Em tempos de crise... econômica, emocional, paradigmática...

Em meio ao monte de lixo eletrônico que recebo diariamente recebi essa pérola. É um texto atribuído a Albert Einstein. A abordagem do assunto é tão ampla e verdadeira que a torna atemporal como toda a obra desse grande cientista.

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado". Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-le calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la"
Albert Einstein

Uma carta para você

Sydney, NSW, Austrália, 27 de janeiro de 2014.


Querida Lu, quanta saudade, há cinco anos não nos vemos, e sua imagem em minha mente ainda é aquela do dia da despedida. Como estão as coisas em nossa calorosa capital? Conte-me sobre todos que tem notícias.
Por aqui as coisas vão muito bem. Passada a adaptação com a língua inglesa, no ano passado voltei a estudar espanhol, não é ótimo? Um dia conversaremos em sua língua natal.
A vida em Sydney tem sido muito boa, aliás, desde os primeiros tempos (mais duros), andar pela cidade a pé, ou de ônibus é sempre um momento de lazer, a vista é deslumbrante, e me encanta todos os dias como da primeira vez.
Recentemente conheci Melbourne, uma cidade linda, charmosa, de estilo Europeu, e aqui finalmente realizei o sonho de assistir uma corrida de fórmula 1, não podia ser mais perfeito, Felipe Massa venceu e minha bandeira esteve no alto do podium, foi a glória, senti saudades de minha terra, mas uma saudade boa... Meus amigos aqui riram muito de mim, porque fiquei toda comovida com o hino, que não ouvia a um tempão.
Hoje posso dizer que fiz bons amigos por aqui, pessoas muito boas com quem divido momentos alegres e outros não tanto, sempre com grande franqueza e honestidade.
No trabalho as coisas estão bem melhores agora. Nos primeiros tempos ter um trabalho manual que me deixava livre pra pensar enquanto o executava foi muito bom, mas eu queria poder fazer algo com o que me identificasse mais. E agora estou trabalhando com minha nova atividade. Estou cada dia mais encantada pelas técnicas terapêuticas alternativas. Acompanho diversos pacientes com as mais variadas enfermidades e desequilíbrios, e a maioria deles reage muito bem a terapia complementar pelo aroma. É gratificante ver a melhora deles, é interessantíssimo observar com os elementos emocional, mental, espiritual e físico de cada pessoa formam um sistema, e esse tratamento integrado traz uma cura verdadeira e duradoura. Sinto grande prazer com o que faço, cada paciente se torna um amigo, e a troca que acontece, é a experiência mais real que já experimentei.
O coração também anda bem, tranqüilo e aconchegado, nem se recorda da aridez de outros tempos, eu e meu amor estamos experimentando uma fase de grande cumplicidade e liberdade, ele gosta de coisas simples, ao ar livre, e aqui é a verdadeira capital do ar livre, então aproveitamos os fins de semana e feriados nos parques, praia, quando temos um pouco mais de tempo e grana, aproveitamos para viajar por esse continente paradisíaco.
Bom, para você não pensar que a vida aqui é só sombra e água fresca, estou aguardando resposta sobre vaga em um curso de osmologia (ciência que estuda os aromas), o primeiro curso de aromaterapia me abriu as portas para continuar minha investigação científica sobre os fitoterápicos, espero conseguir essa vaga, será um grande ganho.
Esta semana não me senti muito bem por aqui, passei mal com o cheiro de perfume forte de uma colega de trabalho, de início achei normal, mas se repetiu na manhã seguinte, e me veio uma suspeita... fiz exame e, estou grávida, dá pra acreditar? A gente já queria isso a algum tempo, estávamos planejando para ano que vem, mas o bebê acelerou os planos, e estamos muito felizes por ele estar a caminho... Aliás, ele ou ela? Nossa, pra mim, tanto faz, Clarice ou Luca... Apesar de desejar muito esse momento, me dá um frio na barriga, morro de medo de não ser uma boa mãe, de não saber cuidar, de não levar jeito, acho que preciso de um cursinho.
Olha, você e Gustavo têm que se animar a vir passar umas férias aqui conosco... Há muito a se conhecer, e agora você tem um motivo a mais, conhecer seu sobrinho(a).
Bom, vou me despedindo, sentindo uma imensa saudade de você, do Brasil, e dos queridos amigos que deixei ai.

Espero te ver em breve irmã, você está sempre em meu coração.

Cacá

CSD./


Talvez você não esteja entendendo nada e ache essa carta uma loucura, mas esse foi o jeito que eu encontrei de visualizar o futuro que eu quero... Dei um salto na linha do tempo e escrevi para você do futuro, é claro que a única base para a carta são os meus desejos, espero me alinhar com eles, e transformar o máximo que puder em realidade!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ela está de volta...

Tarde de sábado preguiçosa... Peguei no sono lendo uma revista sobre sono, o assunto era muito sugestivo!
Acordei disposta a fazer uma caminhada... Caminhar tem sido uma boa estratégia para manter a sanidade, o contato com o verde, os animais do zoo da universidade, sentir os próprios passos e a respiração... Quem sabe com algum esforço começo a praticar meditação andando, li sobre o assunto e me interessei, preciso implementar.
Hoje, diferentemente de outros dias, tive companhia para caminhar, a Jô estava comigo.
Terminada a caminhada, fomos ao supermercado, lá encontramos Diego e Nelissa, que contaram os planos para o casamento, uma ótima notícia!
Voltando para casa, a Jô comentou como achava gostasa essa vida de namorados... E terminou por indagar, o por quê de estarmos sozinhas. Eu não tinha a resposta para Jô, mas me lembrei de Clarice, e lhe falei sobre 'o ovo e a galinha', nem tive coragem de olhá-la quando disse sobre sermos boas agentes, permaneci caminhando impassível, lembrando das palavras da Bruxa Mestre:

'meu sacrifício é reduzir-me à minha vida pessoal. Fiz do meu prazer e da minha dor meu destino disfarçado. E ter apenas a própria vida é, para quem já viu o ovo, um sacrifício... É necessário que eu tenha a modéstia de viver.' (...) 'Faço parte da maçonaria dos que viram o ovo e o renegam como forma de protegê-lo. Somos os que se abstêm de destruir, e nisso se consomem. Nós, agentes disfarçados e distribuídos pelas funções menos reveladoras, nós as vezes nos reconhecemos. A um certo modo de olhar, a um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e a isto chamamos de amor. E então não é necessário o disfarce: embora não se fale, também não se mente, embora não se diga a verdade, também não é mais necessário dissimular. Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquece a vida pessoal. É o contrário: o amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele, corromperiam o ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agente, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido adivinhar vagamente.'...
Clarice Lispector in 'O ovo e a galinha'

Longe de mim tentar entender e encontrar respostas para a vida que temos, eu só quero me ocupar de ir vivendo, porque para mim, como para todos, a vida nos ultrapassa. E não interessa a compreensão desse universo maior, preciso apenas que o jogo da minha vida se faça, e que eu encontre alguma alegria no caminho...
Para viver basta repetir o ato involuntário de respirar, deixar o ar adentrar os pulmões, mais nada... Mas para VIVER era necessário muito mais que isso, e estou começando a aprender a deixar o ar entrar, na primeira vez ele dói nos pulmões, para aliviar experimento o choro dos bebês.

CSD./

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Essas incursões perigosas...

Saber de si mesmo? Um risco. As vezes a gente se depara com um ser desconhecido, estranho, gritando por detrás de nossos olhos.
Esse ser nos pede coisas inimagináveis ao modelo pré-concebido, pré-moldado social... Ouví-lo e caminhar em direção a sua voz, nos faz iniciar uma incursão perigosa...
Seguir essa voz é estar disposto a entrar em túneis apertados e escuros onde estão escondidos os desejos e os quereres. Dentro desses túneis é possível sentir medo, desespero, hesitação, é possível querer gritar ao mundo o absurdo de nossas verdades íntimas. Estar lá dentro é o encontro mais real que já tivemos com nós mesmo.
Essa viagem tem perigos que a assemelha a viagem ao centro da terra de Júlio Verne... A diferença entre elas? A que me refiro não é ficção, e ao final, a bela e dedicada Graubem não estará esperando o héroi Axel para entregar-lhe seu amor.
Essa incursão é uma escolha, pura e simples. E não há qualquer garantia que ela lhe agrade, o risco é todo seu. Também não lhe é necessário nenhum pré-requisito, basta ter curiosidade e coragem para se olhar nos olhos, o que se vê, só você poderá classificar, pois como disse minha amiga Cláudia Beatriz, no almaço de hoje, fazendo citação do bom baiano Caetano Veloso, 'cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é'.

CSD./

domingo, 18 de janeiro de 2009

As fotos não divulgadas de Buenos Aires

A beleza da cidade a noite...



Derechos Humanos? Onde estão?


Chuva de papel picado no último dia do ano...



O presente de ano novo que me dei...


Pausa para rir de mim mesma... sempre quis fazer isso, hahaha!



Ele não acordou nem pra posar pra foto...



O mito da fundação de Roma... Rómulo, Remo e a Loba, 'leite de mãe severa'...

O túmulo que mais me chamou atenção no cemitério da Recoleta


Todas as manhãs na hora do café eu lia a recomendação do dia.

As bandeiras por toda a parte...

O diário de bordo...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Mais do 'tratadinho'

Por que preciso ter uma carreira?

Não é possível que em mais de dois mil anos de produção intelectual ninguém tenha dito que fazer um adolescente escolher uma carreira aos 16, 17 ou 18 anos seja uma barbaridade. Muito mais, quem diz aos jovens que devem ter uma carreira? Mais especificamente, quem me enfiou na cabeça que eu preciso de uma carreira pra ser feliz?
Tudo começou assim, eu devia ter uns 2 anos, me enfiaram um lápis na mão e comecei a desenhar, pintar, etc., atividades simples…
Com o tempo as coisas foram ficando mais complexas, ensinaram-me o alfabeto, e antes que chegasse a hora de ser alfabetizada eu pedi a professora para me avançar uma série, e eu tinha fortes argumentos para o meu pleito, e então uma tampinha de 5 anos encheu a lousa com o alfabeto, dizendo que poderia aprender a ler e a escrever imediatamente.
Mas por que diabos eu queria crescer tão rápido, por que queria me adiantar um ano na escola?
Neste ritmo frenético eu cresci, na ânsia de alcançar, o que nem sei.
Aos 18, faculdade, aos 23, advogada, nada de genial, era meu desejo de normalidade.
Empregos, promoções, salário, participações, carro, roupas, lugares chiques, dinheiro, apartamento, decoração, cores e sabores… A carreira começava a me dar tudo que eu podia comprar, e a cada dia eu queria um pouco mais, e passei a ser escrava do meu estilo de vida.
Mas o meu jeito de viver, em nada me agradava, eu era frívola, e minha vida a cada dia estava mais vazia de sentido, vazia de pessoas, eu tinha pouquíssimos amigos, me relacionava profundamente com duas ou três pessoas, aos demais, eu fingia aridez, fingia nada, eu era a verdadeira figura da aridez emocional.
Eu não soube levar a minha vida de forma equilibrada, me dedicar a uma vertente, a carreira e a profissão, está matando o restante por inanição, e não posso me deixar morrer aos poucos, o que sobrará não é capaz de me manter sã pelos anos que virão. Deliberadamente estou me rebelando.
Façamos os seguintes questionamentos: i. Gosto de minha profissão? ii. Por que me chamar todas essas responsabilidades? Ter carro, ter casa, guardar dinheiro, isso é importante para mim? Se for, o quanto?
Meu coração e minha alma me dizem que gostariam de sair para ver o mundo, conhecer lugares, pessoas, comidas diferentes, aprender línguas, estudar filosofia, psicologia ou aromoterapia…
Tantas coisas na minha cabeça, mas agora eu voltei pra casa, para o meu mundinho de coisas tristes, nele vou viver até o florescimento dos meus desejos e vontades. Também é verdade que há tempo para tudo, o tempo de mudar chegará, enquanto isso, peço a Deus ‘a coragem dos tragais na rota dos ventos, a inocência das flores expostas às abelhas e a paciência das pedras no leito dos rios’…

CSD./

'Tratadinho' de minhas pequenas verdades

Iniciei uma nova incursão literária, em que pretendo descrever as minhas pequenas verdades extraídas da vida, do alto da compreensão magnífica de meus 26 anos… Se estou sendo sarcástica? Um pouco, faz parte de minha personalidade ácida, nascida após a morte de algumas ilusões. Irei lançando os temas em forma de sentenças, uma a uma, as quais trarei de discorrer sobre, breve e singelamente, já que se trata de um pequeno tratado.
Eis a primeira:

Ter a confiança das pessoas é diferente de ter o seu amor:

Obter a confiança de alguém não é tarefa fácil, porém o caminho mais simples é a responsabilidade, o comedimento, o usual e comezinho bom senso, e ser a figura do apoiador.
Apoiador é aquele sujeito capaz de numa inundação, num desastre natural, permanecer ao seu lado dando-lhe tudo que precisa, tirando de si para lhe proteger e lhe salvar.
O apoiador vai te ajudar a arrumar um novo emprego, vai elevar sua auto-estima, vai ficar ao seu lado mesmo que em silêncio te velando e te protegendo, ele toma seu partido, toma seus problemas no colo. Ele é um ser servil, cresceu ouvindo a história japonesa da lebre, peço permissão para contá-la: alguns animais da floresta ajudam um lenhador faminto, o urso lhe trás um peixe, que conseguiu pescar com suas habilidades inatas, a ágil raposa lhe trás um cacho de uvas bem maduras, e a frágil lebre que nada poderia lhe oferecer, se joga no fogo e lhe dá a própria carne em sacrifício.
Quem foi o ser humano que contou pela primeira vez essa história? Ela é cruel, nos faz internalizar um padrão de doação ilimitada aos outros, que nos remete a uma vida de concessões além dos limites saudáveis de troca, disto falaremos mais, quando do desenrolar de outras de minhas verdades. Enfim, é este ser, o apoiador, capaz de se tornar o grande amigo confiável, alguém em que se possa contar para as adversidades da vida, alguém a quem confiar qualquer compromisso, obrigação, objeto, pessoa, ideal. Ele vai levá-lo a cabo por sua própria natureza.
O apoiador sempre terá muitas pessoas ao lado, todas muito interessadas em sentir a segurança deste ser perseverante, deste ser que se doa sem pensar, mas que, contudo, inconscientemente espera reciprocidade, aliás, não só reciprocidade, o apoiador é o que é porque deseja amor, deseja ser amado.
E ter a confiança das pessoas é bem diferente de ter seu amor… O apoiador ‘compra’ a confiança, o respeito, o seu status, afinal ele está sempre ali na sua lida diária, cultivando, regando suas afeições, ele é sempre tão gentil e cativo, difícil não destinar a ele um olhar afetuoso, mas amá-lo, é outra coisa.
Este ser parece não ter a capacidade de despertar amor, desperta outros sentimentos, mas não amor, como despertaria amor alguém que está pronto para se abandonar em favor dos outros, o apoiador é o exemplo de morte do amor próprio, sem o qual o amor dos outros não é possível.
Estranha verdade, desorientadora e real, o apoiador não consegue se amar, ele tenta, busca, se cuida, mas infelizmente não se ama, ele tão acostumado a ser a lebre, quantas vezes se atirou no fogo para servir de banquete, que alimentou e renovou alguém, que após satisfeito seguiu seu caminho, todos eles sempre seguem, aqueles que necessitam do apoiador, sanada a situação, a sazonalidade partem em busca de suas vidas.
O apoiador inerte vê a partida como mais um abandono, como mais uma rejeição para sua coleção, sem entender que o grande responsável por isso é ele mesmo.
Não se pode dar aquilo que não possui, não se pode ser simplesmente para se dar. Se doar faz parte de nossa natureza, mas o que não se deve fazer é entregar tudo e quedar vazio.
Se o apoiador conseguisse entender que todo ser humano é irremediavelmente sozinho, se entendesse, que solidão humana nenhuma união jamais ameniza, deixaria a sua busca desesperada por aquilo que nunca chega, por aquilo que nunca terá.
E se isso fosse simples eu fecharia meus olhos e não escreveria mais nenhuma palavra, sentiria o amor brotar sobre as pedras das calçadas e alcançar o coração ferido, curando-o.
Mas eu não sei o que é isso, eu só tive a confiança sinalagmática das pessoas, o amor é diferente.

CSD./

Uno


Uno busca lleno de esperanzas
el camino que los sueños
prometieron a sus ansias.
Sabe que la lucha es cruel y es mucha
pero lucha y se desangra por la fe que lo empecina…
Uno va arrastrándose entre espinas
y en su afán de dar su amor,
sufre y se destroza hasta entender
que uno se ha quedao sin corazón…
Precio de castigo que uno entrega
por un beso que no llega
a un amor que lo engañó…
¡Vacío ya de amar y de llorar tanta traición!
Si yo tuviera el corazón…
(El corazón que di…)
Si yo pudiera como ayer
querer sin presentir…
Es posible que a tus ojos
que me gritan tu cariño
los cerrara con mis besos…
Sin pensar que eran como esos otros ojos, los perversos,
los que hundieron mi vivir.
Si yo tuviera el corazón…
(El mismo que perdí…)
Si olvidara a la que ayer lo destrozó y…
pudiera amarte.. me abrazaría a tu ilusión
para llorar tu amor…
Pero, Dios te trajo a mi destino
sin pensar que ya es muy tardey no sabré cómo quererte…
Déjame que llore
como aquel sufre en vida
la tortura de llorar su propia muerte…
Pura como sos, habrías salvadomi esperanza con tu amor…
Uno está tan solo en su dolor…
Uno está tan ciego en su penar….
Pero un frío cruel que es peor que el odio
-punto muerto de las almas,
tumba horrenda de mi amor
-maldijo para siempre y me robó…
toda ilusión…

Música : Mariano Mores
Letra : Enrique Santos Discépolo

O menino do Obelisco



Buenos Aires, 02 de janeiro de 2009.

Depois de jantar em Puerto Madero passei a caminhar pela Av. Corrientes, caminhar é digestivo!
Fui até a 9 de Julio, parei em frente ao Obelisco, fiquei a tomar algumas fotos como uma boa turista, quando escutei uma vozinha dizendo que aquela havia ficado boa.
A voz era de um menino bem pequeno, que perto das 23h estava sozinho no centro de Buenos Aires. Ele estava a chupar caramelos e a jogá-los fora, perguntei porque ele fazia aquilo, e me disse que não gostava muito daqueles, perguntei pelos seus pais e ele disse que estavam por perto, preferi acreditar.
Perguntei-lhe seu nome, Luca, se chamava o pequeno, tinha 10 anos. Pedi para tirar uma foto dele, ele gostou da idéia, e me fez uma pose, logo depois disse que precisava ir, e atravessou correndo a 9 de Julio.
Pobre niño, mais uma vítima do abandono e da pobreza. E eu conseguia ver tantas semelhanças e diferenças entre nós, ambos sozinhos, a noite, observando o movimento da métropole, mas eu estava segura pela idade e pelo conforto material, ele era apenas um menino de 10 anos. E hoje, por um instante, quando ele me olhou com aquele olhar doce, tive vontade de levá-lo para casa, e cuidar dele, tive vontade de ser a mãe de Luca.
Adíos Niño!
CSD./