Meu maior defeito e minha maior virtude... Pensar!
Cogitar sempre me trouxe a tranquilidade da razão de respostas bem construídas mudarem minhas emoções positivamente e o pesadelo de meus pensamentos irem além da realidade e projetarem um falso mundo cheio de personagens e histórias que jamais existiram, senão em minha cabeça.
Contudo, a vida e suas forças invisíveis que sempre trabalham para nos tornar aquilo para o que estamos destinados a ser, me convidou a morrer. E desde então eu vivo pequenas mortes de tempos em tempos.
Para proteger-me, desde cedo, vi-me obcecada por construir minhas defesas. Elas foram sendo galgadas paulatinamente.
A intelectualidade veio primeiro, a educação formal, o amadurecimento de habilidades, o desenvolvimento acadêmico. Esse movimento foi acompanhado da construção de relações de amizade baseadas na necessidade de sentir-me amada, compreendida e admirada... E esforcei-me bastante por esse personagem, a gentil e prestativa Caranna, que reunia meritoriamente um punhado de bons amigos.
O terceiro viés foi a carreira profissional, algo que me proporcionassa algum conforto financeiro, e isso também alcancei, antes de encontrar-me em grande sofrimento psíquico. A dor da falta de amor que encontrei dentro dos meus muros fez tudo ruir. Isso aconteceu rapidamente, após esticar a minha mola (minha capacidade de conviver com a dor da solidão) ao máximo, bastaram poucos meses para que eu percebesse em dúvidas, e por fim notar-me trilhando o caminho errado. Não exitei em desertar.
Morri para a Caranna advogada, morri para meus relacionamentos pessoais conseguidos pela persona que eu interpretava. E dessa Caranna me restaram apenas um closet cheio de roupas que hoje coloquei numa caixa e destinei para a doação.
A morte inspira a morte... E então também morreu para mim minha antiga representação familiar. Por algum motivo isso aconteceu de um jeito a causar-me profundo impacto. Primeiro a vovó de uma misteriosa e fulminante sepsia. Depois o vovô num estranho acidente do qual escapei sem um único arranhão físico. Meu contato com a morte foi algo assustadoramente real. Quem já viu um último suspiro de vida antes que algo leve nosso espírito, sabe do que estou falando. A morte é um chiste.
Depois sucederam mortes mais suaves... Morte para padrões pré-estabelecidos, morte para a ignorância de um mundo tão diferente do meu, em que eu precisava nascer de novo para nele viver.
E nasci de novo. Balbuciei novamente, construi frases como uma garotinha de seis anos, e seu vocabulário parco... E floresci amorosamente num mundo que proveu-me por completo. Bonitas amizades, embora fulgazes, encontros cheios de intensidade e trocas, a alegria de fazer a própria comida, eu não sabia o quanto de beleza estava guardada no ato de cozinhar com amor meus próprios alimentos e ter com quem dividi-los.
O universo foi tão generoso que me trouxe um novo amor, que não se importou em lavar tempo para ser finalmente revelado... Esse amor está me conduzindo por um caminho novo e desafiador... Em pouco tempo, por ele, eu vou voltar a ser um pequena criança, a balbuciar frases num novo idioma, e buscar entender como funciona uma outra diversa realidade. Longe de meus paradigmas, longe de onde eu tinha uma profissão e uma persona. Tudo precisará ser reinventado, inclusive eu e meus velhos hábitos que não fazem mais sentido. Esses estão sendo aos poucos deixados de lado... O amor aponta o caminho, e eu confio dele como jamais confiei antes.
Não há nenhum plano formal, nada elaborado ainda, singelas linhas gerais... A única coisa em mente é ir. Ir, ver e viver... A ausência de planos talvez seja proposital, assim não há moldes, e as possibilidades se apliam ao máximo. Seguir e me atirar ao salto, é algo como uma força centrípeta, completamente irresistível.
A autora de minha vida sou eu. Mas a minha existência pertence a essa força maior que me conduz.
CSD./
Cogitar sempre me trouxe a tranquilidade da razão de respostas bem construídas mudarem minhas emoções positivamente e o pesadelo de meus pensamentos irem além da realidade e projetarem um falso mundo cheio de personagens e histórias que jamais existiram, senão em minha cabeça.
Contudo, a vida e suas forças invisíveis que sempre trabalham para nos tornar aquilo para o que estamos destinados a ser, me convidou a morrer. E desde então eu vivo pequenas mortes de tempos em tempos.
Para proteger-me, desde cedo, vi-me obcecada por construir minhas defesas. Elas foram sendo galgadas paulatinamente.
A intelectualidade veio primeiro, a educação formal, o amadurecimento de habilidades, o desenvolvimento acadêmico. Esse movimento foi acompanhado da construção de relações de amizade baseadas na necessidade de sentir-me amada, compreendida e admirada... E esforcei-me bastante por esse personagem, a gentil e prestativa Caranna, que reunia meritoriamente um punhado de bons amigos.
O terceiro viés foi a carreira profissional, algo que me proporcionassa algum conforto financeiro, e isso também alcancei, antes de encontrar-me em grande sofrimento psíquico. A dor da falta de amor que encontrei dentro dos meus muros fez tudo ruir. Isso aconteceu rapidamente, após esticar a minha mola (minha capacidade de conviver com a dor da solidão) ao máximo, bastaram poucos meses para que eu percebesse em dúvidas, e por fim notar-me trilhando o caminho errado. Não exitei em desertar.
Morri para a Caranna advogada, morri para meus relacionamentos pessoais conseguidos pela persona que eu interpretava. E dessa Caranna me restaram apenas um closet cheio de roupas que hoje coloquei numa caixa e destinei para a doação.
A morte inspira a morte... E então também morreu para mim minha antiga representação familiar. Por algum motivo isso aconteceu de um jeito a causar-me profundo impacto. Primeiro a vovó de uma misteriosa e fulminante sepsia. Depois o vovô num estranho acidente do qual escapei sem um único arranhão físico. Meu contato com a morte foi algo assustadoramente real. Quem já viu um último suspiro de vida antes que algo leve nosso espírito, sabe do que estou falando. A morte é um chiste.
Depois sucederam mortes mais suaves... Morte para padrões pré-estabelecidos, morte para a ignorância de um mundo tão diferente do meu, em que eu precisava nascer de novo para nele viver.
E nasci de novo. Balbuciei novamente, construi frases como uma garotinha de seis anos, e seu vocabulário parco... E floresci amorosamente num mundo que proveu-me por completo. Bonitas amizades, embora fulgazes, encontros cheios de intensidade e trocas, a alegria de fazer a própria comida, eu não sabia o quanto de beleza estava guardada no ato de cozinhar com amor meus próprios alimentos e ter com quem dividi-los.
O universo foi tão generoso que me trouxe um novo amor, que não se importou em lavar tempo para ser finalmente revelado... Esse amor está me conduzindo por um caminho novo e desafiador... Em pouco tempo, por ele, eu vou voltar a ser um pequena criança, a balbuciar frases num novo idioma, e buscar entender como funciona uma outra diversa realidade. Longe de meus paradigmas, longe de onde eu tinha uma profissão e uma persona. Tudo precisará ser reinventado, inclusive eu e meus velhos hábitos que não fazem mais sentido. Esses estão sendo aos poucos deixados de lado... O amor aponta o caminho, e eu confio dele como jamais confiei antes.
Não há nenhum plano formal, nada elaborado ainda, singelas linhas gerais... A única coisa em mente é ir. Ir, ver e viver... A ausência de planos talvez seja proposital, assim não há moldes, e as possibilidades se apliam ao máximo. Seguir e me atirar ao salto, é algo como uma força centrípeta, completamente irresistível.
A autora de minha vida sou eu. Mas a minha existência pertence a essa força maior que me conduz.
CSD./










O cedro do quintal, esperando por novas folhas, assim como eu...
