domingo, 7 de novembro de 2010

Minhas muitas mortes

Meu maior defeito e minha maior virtude... Pensar!
Cogitar sempre me trouxe a tranquilidade da razão de respostas bem construídas mudarem minhas emoções positivamente e o pesadelo de meus pensamentos irem além da realidade e projetarem um falso mundo cheio de personagens e histórias que jamais existiram, senão em minha cabeça.
Contudo, a vida e suas forças invisíveis que sempre trabalham para nos tornar aquilo para o que estamos destinados a ser, me convidou a morrer. E desde então eu vivo pequenas mortes de tempos em tempos.
Para proteger-me, desde cedo, vi-me obcecada por construir minhas defesas. Elas foram sendo galgadas paulatinamente.
A intelectualidade veio primeiro, a educação formal, o amadurecimento de habilidades, o desenvolvimento acadêmico. Esse movimento foi acompanhado da construção de relações de amizade baseadas na necessidade de sentir-me amada, compreendida e admirada... E esforcei-me bastante por esse personagem, a gentil e prestativa Caranna, que reunia meritoriamente um punhado de bons amigos.
O terceiro viés foi a carreira profissional, algo que me proporcionassa algum conforto financeiro, e isso também alcancei, antes de encontrar-me em grande sofrimento psíquico. A dor da falta de amor que encontrei dentro dos meus muros fez tudo ruir. Isso aconteceu rapidamente, após esticar a minha mola (minha capacidade de conviver com a dor da solidão) ao máximo, bastaram poucos meses para que eu percebesse em dúvidas, e por fim notar-me trilhando o caminho errado. Não exitei em desertar.
Morri para a Caranna advogada, morri para meus relacionamentos pessoais conseguidos pela persona que eu interpretava. E dessa Caranna me restaram apenas um closet cheio de roupas que hoje coloquei numa caixa e destinei para a doação.
A morte inspira a morte... E então também morreu para mim minha antiga representação familiar. Por algum motivo isso aconteceu de um jeito a causar-me profundo impacto. Primeiro a vovó de uma misteriosa e fulminante sepsia. Depois o vovô num estranho acidente do qual escapei sem um único arranhão físico. Meu contato com a morte foi algo assustadoramente real. Quem já viu um último suspiro de vida antes que algo leve nosso espírito, sabe do que estou falando. A morte é um chiste.
Depois sucederam mortes mais suaves... Morte para padrões pré-estabelecidos, morte para a ignorância de um mundo tão diferente do meu, em que eu precisava nascer de novo para nele viver.
E nasci de novo. Balbuciei novamente, construi frases como uma garotinha de seis anos, e seu vocabulário parco... E floresci amorosamente num mundo que proveu-me por completo. Bonitas amizades, embora fulgazes, encontros cheios de intensidade e trocas, a alegria de fazer a própria comida, eu não sabia o quanto de beleza estava guardada no ato de cozinhar com amor meus próprios alimentos e ter com quem dividi-los.
O universo foi tão generoso que me trouxe um novo amor, que não se importou em lavar tempo para ser finalmente revelado... Esse amor está me conduzindo por um caminho novo e desafiador... Em pouco tempo, por ele, eu vou voltar a ser um pequena criança, a balbuciar frases num novo idioma, e buscar entender como funciona uma outra diversa realidade. Longe de meus paradigmas, longe de onde eu tinha uma profissão e uma persona. Tudo precisará ser reinventado, inclusive eu e meus velhos hábitos que não fazem mais sentido. Esses estão sendo aos poucos deixados de lado... O amor aponta o caminho, e eu confio dele como jamais confiei antes.
Não há nenhum plano formal, nada elaborado ainda, singelas linhas gerais... A única coisa em mente é ir. Ir, ver e viver... A ausência de planos talvez seja proposital, assim não há moldes, e as possibilidades se apliam ao máximo. Seguir e me atirar ao salto, é algo como uma força centrípeta, completamente irresistível.
A autora de minha vida sou eu. Mas a minha existência pertence a essa força maior que me conduz.
CSD./

sábado, 21 de agosto de 2010

De volta...

A volta pra casa já é antiga... Meses aqui calada com medo de admití-la, meses com as malas por esvaziar, mas já as esvaziei. Não adianta lutar contra a realidade, o que se pode fazer é focar nas mudanças que deseja promover.
Voltar é um fato. Traz alegrias e velhas tristezas... Coisas a se trabalhar.
Traz bom tempo, calor, ternura nos olhares. Traz impaciência, pressa, infindáveis receios que me fazem acordar assustada em relâmpagos de medo, que aos poucos estou tentando entender e dissolver, como quem dissolve um pacotinho de gelatina em água quente.
A fé é água quente, a coragem também, não-pensar também.
Não há nada de errado em se estar onde está desde que isso seja aceito.
Inúmeras coisas foram feitas e muitas outras estão se fazendo... Aos poucos, desafiando a preguiça e empáfia, derretendo orgulho com passos no chão.
E sobre estar em casa... Bom, minha casa continua sendo meu corpo, todo o resto são ilusões ao meu redor. O meu lar, esse é onde me sinto bem e tranquila, logo meu coração o indicará!
Por enquanto, aqui e vivendo agora.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Isso também passará!


Observe as ondas no oceano. Quanto mais alto a onda sobe, mais fundo é o sulco que a segue. Em um momento, você é a onda, no outro, você é o sulco que se forma atrás. Aproveite ambos -- não fique apegado apenas a um deles. Não diga: "Eu gostaria de estar sempre no auge!" Isso não é possível. Encare simplesmente o fato: não é possível. Isso nunca aconteceu, e nunca irá acontecer. É simplesmente impossível -- não faz parte da natureza das coisas. Então, o que se pode fazer?Desfrute o pico enquanto ele durar, e depois desfrute o vale, quando ele vier. O que há de errado com o vale? O que há de mal em estar em baixa? É um relaxamento. O pico é uma excitação e ninguém pode viver o tempo todo em estado de excitação.
Osho Returning to the Source Chapter 4

Comentário:
Este personagem, obviamente, está, neste momento, "a cavaleiro do mundo", e todos estão celebrando o seu sucesso com uma chuva de papel picado.Devido à sua disposição para aceitar os recentes desafios da vida, neste momento, você está -- ou logo estará -- desfrutando de uma maravilhosa cavalgada sobre o tigre do sucesso. Receba bem essa oportunidade, desfrute-a, compartilhe a sua alegria com os outros -- e lembre-se de que todas as brilhantes paradas têm um começo e um fim.Mantendo isso em mente, se você extrair cada gota de sumo da felicidade que está experienciando neste momento, será capaz, depois, de aceitar o futuro da forma como vier, sem arrependimentos. Não seja, porém, tentado a agarrar-se a este momento de abundância, ou a acondicioná-lo em plástico para que dure para sempre.A maior sabedoria para ter em mente à medida que vão desfilando os acontecimentos da sua vida, sejam momentos de alta ou de baixa, é que "isto também passará". Celebre sim, e continue a cavalgar o tigre.
No momento certo... As palavras que sempre me fazem lembrar, que a vida é feita de tréguas!

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Estamos aqui de passagem...


O título do post é uma máxima muito repetida pela filosofia oriental... Não faço aqui apologia a esta ou aquela forma de enxergar e de viver a vida, porque todos estão em buscas de respostas para questões essenciais, e definitivamente não há forma, nem arte que leve a felicidade, há apenas indícios mais ou menos seguros de que caminhos trilhar.
Recentemente descobri que as pessoas muito se parecem com as tartarugas; seu corpo é a sua casa... Se estiver bem consigo, estará confortável no mais natural dos hábitats, inside yourself.
A vida é uma espécie de viagem, enquanto mais leve estiver, mais agradável será o percurso. Só recolha no caminho aquilo que for essencial, indispensável e frugal, tenho uma lista de sugestões meramente exemplificativas:
Sorriso de vó, conselho de pai, gargalhada de amigo, piscar de olhos quando dizem: ‘confie em mim’, as vezes que você segurou a mão de alguém, aquilo que alguém te disse e que você precisava ouvir, o olhar carinhoso de um cão, a inocência em um menino de rua, as lágrimas de quem se ama, essas a gente seca e transforma em sorrisos, os dias, tardes e noites memoráveis de conversas intermináveis, o silêncio necessário, a pausa para descansar, o ar, as conchas do mar...
O momento mudo antes de beijar, a generosa mão estendida, todos os beijos e braços dados de verdade, o balançar das folhas das árvores, os banhos de chuva, a saudade de quem se ama, todas as vezes que a vida te sussurrou: ‘tudo que acontece é perfeito, tenha calma’... Essa lista interminável ocupa pouco espaço.
Ódios, rancores e afins pesam demais... Jogue fora, carregá-los através do caminho vai tirar toda a beleza e magia da caminhada, quando não findá-la prematuramente.
Não esqueça as botas para o frio e as sandálias para o verão...
Estamos aqui de passagem, mas viaje sem pressa, vá leve... E experimente!
CSD./

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Slowing Down


A meditação é uma espécie de remédio -- seu uso será apenas passageiro. Quando você tiver apreendido a qualidade, não precisará praticar mais nenhuma meditação em particular, pois a atitude meditativa é que deverá permear todos os cantos da sua vida.Andar é Zen, sentar-se é Zen.Qual será então essa qualidade? A pessoa passa a andar de maneira vigilante, alerta, alegremente, sem metas a atingir, centrada, com amor, deixando-se fluir. E o caminhar é despreocupado. A pessoa senta-se com amor, alerta, vigilante, desinteressadamente -- sem estar buscando alguma coisa em especial, mas apenas desfrutando a beleza do sentar-se sem fazer nada, o quanto isso é relaxante, repousante...Depois de uma longa caminhada, você se senta à sombra de uma árvore, e a brisa vem e o refresca.A cada momento é preciso que a pessoa esteja bem consigo mesma -- não empenhada em melhorar, cultivando alguma coisa, praticando alguma coisa. Andar é Zen, sentar-se é Zen.Falando ou em silêncio, movimentando-se, em repouso, a essência está à vontade. A essência está à vontade: esta é a idéia-chave. A essência está à vontade: esta é a afirmação-chave. Faça o que quiser, mas, no âmago mais profundo, permaneça à vontade, frio, calmo, centrado.
Osho The Sun Rises in the Evening Chapter 7

Comentário:
O Cavaleiro do Arco-Íris é um lembrete de que, exatamente como a tartaruga desta carta, nós também levamos conosco a nossa casa, aonde quer que vamos. Não há necessidade de apressar-se, não é preciso procurar abrigo em nenhum outro lugar. Mesmo quando mergulhamos nas profundezas das águas da emoção, podemos manter-nos abrigados em nós mesmos, imunes a dependências. Há um momento em que você se prepara para deixar de lado quaisquer expectativas que tem cultivado a seu próprio respeito, ou a respeito de outras pessoas; prepara-se para assumir a responsabilidade por quaisquer ilusões que possa ter estado carregando. Nessa hora, não há necessidade de fazer nada, bastando repousar na plenitude de quem você é neste exato momento. Se os desejos, esperanças e sonhos estão se tornando vagos, tanto melhor. Seu desaparecimento está abrindo espaço para um novo clima de tranqüilidade e de aceitação das coisas como são. Você irá sentir-se capaz de dar as boas-vindas a esse crescimento pessoal, de uma maneira que nunca esteve antes ao seu alcance.Desfrute essa sensação de diminuição do ritmo, de se aproximar do repouso, e de reconhecer que você já está em casa.
Mais uma vez perfeita! Parece saber do que acontece quando diz: "Se os desejos, esperanças e sonhos estão se tornando vagos, tanto melhor". Isso está acontecendo agora...

sábado, 17 de outubro de 2009

Lei do quão

Deve ocorrer em breve
uma brisa que leve
um jeito de chuva
à última branca de neve.
Até lá, observe-se
a mais estrita disciplina.
A sombra máxima
pode vir da luz mínima.

Paulo Leminski

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Ruptura


Converter a derrocada em uma ruptura, eis toda a função de um mestre. O psicoterapeuta simplesmente põe remendos. Essa é a sua função. Ele não está ali para transformá-lo. Você precisa de uma metapsicologia -- a psicologia dos budas. Sofrer uma derrocada conscientemente é a maior aventura da vida. É o maior risco, porque não há nenhuma garantia de que a derrocada se transformará em uma ruptura. Ela se transforma, mas essas coisas não podem ser garantidas. O caos em que você se encontra é muito antigo -- por muitas, muitas vidas você tem estado no caos. Trata-se de um caos espesso e denso. É quase um universo em si mesmo. Portanto, quando você o desafia com sua capacidade limitada, é claro que há perigo. Sem desafiar, porém, esse perigo, ninguém jamais se tornou integrado, ninguém jamais se tornou um indivíduo, indivisível.O Zen, ou a meditação, é o método que irá ajudá-lo a passar através do caos, pela noite escura da alma, com equilíbrio, disciplinado, alerta.O alvorecer não está muito longe, mas antes que lhe seja possível alcançar o nascer do dia, a noite escura precisará ser atravessada. À medida que a alvorada for se aproximando, a noite se tornará ainda mais escura.
Osho Walking in Zen, Sitting in Zen Chapter 1

Comentário:
A predominância do vermelho nesta carta indica, logo à primeira vista, que o seu tema é a energia, o poder e a força. A aura brilhante emana do plexo solar ou centro de poder da figura, e a sua postura é de exuberância e determinação. Todos nós atingimos ocasionalmente um ponto em que "bastante é o bastante". Nesses momentos parece que precisamos fazer alguma coisa, qualquer coisa, ainda que mais tarde essa coisa se revele um engano. Precisamos deixar de lado as cargas e restrições que nos estão limitando. Se não fazemos isso, elas ameaçam sufocar e neutralizar nossa própria energia vital.Se neste momento você está sentindo que "bastante é o bastante", aceite o risco de romper com os velhos padrões e limitações que têm impedido a sua energia de fluir. Ao fazê-lo, você ficará surpreso com a vitalidade e com a energia que essa Ruptura trará à sua vida.
A cartinha da vez... Já estava com saudade das edificantes mensagens!

domingo, 20 de setembro de 2009

Reflexões para um sábado a noite...

Minha preocupação com alguns fatos que vivo por aqui é tão inútil... Depois que voltei e que me deparei com minha maior dor, tudo que tenho tentado fazer é me encaixar numa vida que não é a minha, uma tentativa boba de fingir normalidade, mais um engodo.
Simplesmente não caibo mais nas roupas que vestia quando tinha dezesseis ou dezessete anos. Não adianta ligar para T., F., A., ir a festas com B., frequentar os velhos lugares e ficar procurando os velhos rostos, eles simplemente não estão lá, ou se estão, mudaram tanto quanto o meu, e o passado não adianta reeditar. Foi bom, foi divertido e durou o necessário, depois eu parti para uma vida diferente, encontrei coisas melhores e coisas piores, mas a vida aconteceu e continua acontecendo dentro de mim.
Este momento é uma pausa, uma parada para entender... E hoje entendi tanto. Entendi que o tempo não volta atrás, que relações construídas sob a areia são frágeis e podem nos desabrigar a qualquer momento, e é bom ter cuidado, e há coisas que talvez não carecem falar, a menos que seja perguntado.
Lembrei-me, num insight, de um presente que recebi da minha mãe, que outro dia encontrei aqui guardado no closet da vovó, era um pequeno ponei, que no passado era montado por um principezinho, que se perdeu com o tempo, mas aquele cavalinho continou por aqui, guardado me esperando, talvez como o amor dela, não exatamente como imaginei que seria, mas como pode ser... Talvez minha mãe realmente tenha me amado, talvez essa seja a única justificativa para que eu esteja viva depois de tudo. Talvez Deus tenha tentado me ajudar a entender isso todo esse tempo, mas eu sou uma filha teimosa. Talvez esse seja mesmo o meu modo, talvez errar seja meu modo de aprender, mas não posso odiar meus erros, eles são minha única chance de acertar.
Talvez eu sempre tenha sido apaixonada pelas ilusões, aquelas que fazem crer apenas no que se pode experimentar com os cinco sentidos básicos, pois precisa-se ver, sentir, tocar para acreditar, no que, muitas vezes, não é real.
Naquele que posso intitular o pior dia da minha vida estive cercada de pessoas, que diziam coisas programadas, que me abraçavam mecanicamente, muitas delas até com carinho e compadecimento... Mas naquele dia duas pessoas estavam comigo. Ele quieto, calado, mas me oferecedo seu amor em singelos gestos. Ela falou comigo ao telefone, foi a única a entender o que eu estava sentindo, e por telefone (sem ver, sem estar presente, sem tocar) me deu o mais caloroso abraço, quero que ela saiba disso, que me deu o melhor abraço naquele dia escuro e trouxe um pouco de luz à minha escuridão.
Isso só me prova que tenho acreditado em ilusões, em ficções por muito tempo. Não é doloroso estar só, embora o melhor de mim se faça quando posso doar algo a alguém, doar de verdade, sem esperar contrapartida. Não importa que eu tenha cometidos erros, embora não possa mudar nada que passou, o futuro está a minha disposição para fazer algo melhor. Embora eu sempre tenha adorado a presença física, a voz, a proximidade daqueles que eu amo, o verdadeiro amor continua sendo eradiado, e só se deixa de percebê-lo se cortar os 'fios' e trancar o coração, há muitos meios de torná-lo embotado, como por exemplo perceber apenas pelos cinco sentidos básicos, quando na verdade o mais verdadeiro acontece a revelia deles.
É natural que eu caia diante de antigos vícios, mas aos poucos sinto o nascimento de uma nova razão, que tem mais a ver com sensitividade do que com racionalidade. E por isso não carece de explicações meticulosas. Não se sente meticulosamente, o sentir é inteiro, sem frações, sem compartimento, é sempre cheio, o que se pode dividir em átomos é só a racionalidade.
Sinto uma enorme gratidão, por tudo que aconteceu nesses últimos vinte e sete anos, porque é tão cedo, ainda há muito que viver, e a chance de fazer melhor me enche de esperança. Afinal ser assim tão imperfeita é a garantia de que essa vida tem sim um enorme sentido.
CSD./

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Meu exercício preferido

Já estava com saudades de escrever... Fazia algum tempo que não nos encontravamos eu e a tela branca, ansiosa por letras, mas hoje nos reencontramos, engraçado ser justo hoje, ainda pouco ouvi um barulho tímido na janela, corri pra ver, e era chuva! Chuva, Chuva, Chuva!!! Saudades dela, havia três meses que ela não aparecia por aqui, e a terra clamava por ela, tudo estava tão seco, mas a chuva tudo fecunda, até o meu desejo de escrever.
Tudo está a um passo de mudar mais uma vez... Ainda não sou uma adoradora das mudanças, mas agora já resisto menos a elas, não porque gosto, é porque descobri que dói menos assim. Prefiro abrir a mão e entregar, de outro modo me seria arrancado, afinal é assim que acontece, a dinâmica das coisas que jamais entenderei.
E é com uma espécie de saudade de tudo (aquilo que foi bom e que não foi) é que olho por uma janela, o único sentido funcionando é a visão, não escuto nada, e as pessoas não me veem, mas eu enxergo todos os gestos mudos, os corpos cheios de expressão, e nada mais é dissimulado...
As palavras são capazes de elaborar os grandes tratados sobre a mentira, a invalidez, o nulo, a perfídia... Como as palavras fazemos as maiores negociatas conosco e com os outros, nada que sai de uma boca é verdade quando justifica, a verdade é qualquer outra coisa, e o que se fala não se sente, os sentimentos são incomunicáveis, os sentimentos quando muito apenas se versejam, puros e intocados.
Mas a humanidade continua querendo falar... E palavras mentirosas se dizem aos pais, aos amigos, ao analista. A verdade está quieta, muda, incólume, esperando que um dia se tenha coragem para olhá-la. A verdade quase sempre está longe da beleza, por isso é tão difícil encará-la.
Melhor não ouvir as justificativas, nem as nossas e nem as dos outros, melhor é continuar a observar pela janela, em silêncio...
CSD./

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Playfullness

No momento em que você começa a enxergar a vida como uma coisa não-séria, como uma brincadeira, toda a pressão sobre o seu coração desaparece. Todo o medo da morte, da vida, do amor -- tudo desaparece. A pessoa começa a se sentir muito leve, ou quase sem peso nenhum. Tão leve ela se torna, que é capaz de voar no céu aberto.
A maior contribuição do Zen é oferecer-lhe uma alternativa à postura de homem sério. O homem sério fez o mundo, o homem sério inventou todas as religiões. Ele criou todas as filosofias, todas as culturas, todas as moralidades; tudo o que existe à sua volta é uma criação do homem sério. O Zen excluiu-se do mundo sério. Criou um mundo próprio muito divertido, cheio de risos, no qual até os grandes mestres se comportam como crianças.
Osho Nansen: The Point of Departure Chapter 8
Comentário:
A vida raramente é tão séria quanto acreditamos que seja, e quando reconhecemos este fato, ela responde oferecendo-nos cada vez mais oportunidades para brincar.
A mulher desta carta está celebrando a alegria de estar viva, como uma borboleta que emergiu da sua crisálida para as promessas da luz. Ela nos faz lembrar do tempo em que éramos crianças, encontrando conchas na praia ou construindo castelos na areia, sem nenhuma preocupação com ondas que pudessem vir e desmanchá-los no momento seguinte. Ela sabe que a vida é um jogo, e está desempenhando neste momento o papel de um palhaço, sem nenhum constrangimento ou pretensão.
Quando o Valete do Fogo entra em sua vida, é um sinal de que você está preparado para receber o novo. Alguma coisa maravilhosa está despontando no horizonte, e você tem exatamente a qualidade da inocência feliz e da lucidez, para recepcioná-la de braços abertos.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Sonhando...

Sonhando com a possibilidade de viver um tempo noutro lugar...

Não precisa ser perfeito, até porque perfeição não existe... Precisa ser novo, e trazer consigo a magia de ensinar... De me ensinar a viver a novidade...

Me ensinar sobre o antigo, sobre o contemporâneo, me ensinar a viver mais e melhor...

Me ensinar que nunca é tarde para aprender quando se tem esperança e, sobretudo, coragem...

Para que, enfim, eu aprenda que se pode recomeçar, em qualquer estação do ano ou da vida...

Que a vida é o que queremos que ela seja, e que da minha quero um jardim...



E que no fundo, esse lugar, onde eu quero estar já existe dentro do meu coração...
CSD./

terça-feira, 28 de julho de 2009

Beatriz

Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida

Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz

Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida

Edu Lobo e Chico Buarque, em 1982

Cada pedaço de mim sabe o inferno que é ser sol em noites de chuva, ser cor nos cinzas dos edifícios, ser luz na escuridão das manhãs. Cada todo de ti sabe a delícia que é ser flor nas asas do vento, ser cristal nos olhos das fadas, ser azul no fundo do mar. Cada suspiro de nós sabe a angústia que é ser só um na multidão dos dias, ser muito na pobreza da esquina, ser ninguém na roda da vida. Enquanto isso os relógios se vão, e vêem aqueles que sabem o que é apenas ser na ausência do nada.
Clarice Lispector

sábado, 18 de julho de 2009

A árvore de cedro do quintal...

De manhã ao acordar percebi que o cedro plantado pelo meu avô no quintal de casa havia, enfim, perdido todas as suas folhas, o que é natural no inverno.
Este fato tão comezinho me proporcionou uma reflexão sobre como começar de novo, do zero, sem sequer uma folha, assim como o cedro recomeça ao fim de todos os invernos. Afinal em minhas recentes descobertas eu havia optado por parar, repensar, reconsiderar minha vida, minhas escolhas para poder começar novamente partindo de outra premissa, vendo a vida por um novo ângulo.
Surpreendentemente este foi o assunto sobre o qual troquei as última palavras com meu avô, alguns minutos antes do acidente que lhe tirou a vida; eu lhe perguntei se ele havia percebido que seu cedro havia perdido todas as folhas, ele disse que sim...
Quando tudo aconteceu eu ainda estava pensando sobre isso, foi meu último pensamento antes do choque, antes de ser tomada por uma dor avassaladora, e isso não foi um acaso.
Eu perdi todas as minhas folhas, e estou juntando forças para começar de novo, vencer o inverno e ressurgir na primavera.
O meu avô também havia perdido todas as folhas, mas diferentemente de mim, este foi seu último inverno. Um novo ciclo se inicia para ele em um novo lugar; no desconhecido; no mistério mais profundo, em que literalmente morremos na esperança de renascer melhor.
CSD./

O cedro do quintal, esperando por novas folhas, assim como eu...

sábado, 4 de julho de 2009

Viva la vida

Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas vivi! E ainda vivo!
Não passo pela vida... Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve a vida é MUITO para ser insignificante.
Autor desconhecido


As marcas que a vida deixa... São aprendizado e não castigo...

segunda-feira, 29 de junho de 2009

E como o tempo passa!


Há 27 anos era assim... Saudades!



segunda-feira, 15 de junho de 2009

Pertencer

Um amigo meu, médico, assegurou-se que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano no berço mesmo já começou.Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei essa fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. Quem sabe se comecei a escrever tão cedo na vida porque, escrevendo, pelo menos eu pertencia um pouco a mim mesma. O que é um fac-símile triste.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova da “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso o que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertencesse. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Embora eu tenha uma alegria: pertenço, por exemplo, a meu país, e como milhões de outras pessoas sou a ele tão pertencente a ponto de ser brasileira. E eu que, muito sinceramente, jamais desejei ou jamais desejaria a popularidade – sou individualista demais para que pudesse suportar a invasão de que uma pessoa popular é vítima -, eu, que não quero a popularidade, sinto-me no entanto feliz de pertencer à literatura brasileira. Não, não é por orgulho, nem por ambição. Sou feliz de pertencer à literatura brasileira por motivos que nada têm a ver com a literatura, pois nem ao menos sou uma literata ou uma intelectual. Feliz apenas por “fazer parte”.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido. A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles d’água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.

Clarice Lispector - in Aprendendo a Viver
Saudade Clarice! Saudade imensa... é no deserto mesmo que caminho...

sexta-feira, 5 de junho de 2009

My grief

Difícil escrever sobre esse momento... Uma mente aflita precisa de compreensão. Embora eu saiba que isso não terei, pois meu desejo não é uma necessidade para minha evolução.
Tantas coisas pelas quais a minha mente roga não me são dadas... E eu só preciso aceitar isso, aceitar o silêncio daqueles que amo, o amor que me é dado, aceitar o que falta e consolar meu coração, segurar o choro infantil e olhar adiante, e isso comprime minha garganta que prende o grito de dor.
E devo por fim esquecer o que digo, o que penso... Deixar tudo e ficar com nada! O nada é tudo!
CSD./

sexta-feira, 29 de maio de 2009

Friendliness


Primeiro dedique-se à meditação, atinja a bem-aventurança, e então muito amor se manifestará de maneira espontânea. Nessa condição, é belo estar com os outros e belo também é estar sozinho. É simples também. Você não depende dos outros e também não torna os outros dependentes de você. O que existe é sempre amizade, amistosidade. A coisa nunca se transforma numa relação; continua sendo uma afinidade. Você convive, mas não cria um casamento. O casamento nasce do medo, a afinidade nasce do amor.Você estabelece um relacionamento; enquanto as coisas andarem bem, você compartilha. Se você percebe que é chegado o momento de partir porque os caminhos se separam numa encruzilhada, você diz adeus com uma enorme gratidão por tudo que o outro foi para você, por todas as alegrias, todos os prazeres, e por todos os belos momentos compartilhados juntos. Sem nenhum sofrimento, sem nenhuma dor, você simplesmente se afasta.
Osho The White Lotus Chapter 10

Comentário:
Os ramos destas duas árvores floridas estão entrelaçados, e as suas pétalas caídas misturam-se no chão, com suas belas cores. É como se o céu e a terra estivessem interligados pelo amor. As árvores se erguem individualmente, cada qual enraizadas no solo, em sua própria conexão com a terra. Desse ponto de vista, simbolizam a essência dos verdadeiros amigos, maduros, cooperativos entre si, espontâneos. Não existe nenhuma ansiedade na ligação entre eles, nenhuma carência, nenhuma vontade de transformar o outro em alguma coisa diferente.
Esta carta indica uma prontidão para entrar nesta qualidade de amistosidade. Ao fazê-lo, você poderá notar que não está mais interessado nos diferentes tipos de dramas e romances em que as outras pessoas estão empenhadas. Não se trata de uma perda. É o surgimento de uma disposição de espírito mais elevada, mais carregada de amor, nascida de uma sensação de vivenciamento pleno. É o surgimento de um amor verdadeiramente incondicional, sem expectativas ou exigências.
Essa carta me deixou entusiasmada... Será que estou me aproximando disto? Será que enfim eu consegui deixar de lado minhas carências e minhas necessidades pra poder oferecer algo mais autêntico, mais puro, mais verdadeiro para alguém?
Eu desejei tanto isso, que um dia eu pudesse amar sem a ansiedade de transformar o ser amado, sem desejar que ele não parasse de me refletir... E hoje eu sinto nossa amizade tão matura, tão plena... E me sinto pronta para deixar aflorar esse amor incondicional, sem expectativas, sem exigências...

Você é meu amigo de fé

Você meu amigo de fé
Meu irmão camarada
Amigo de tantos caminhos
E tantas jornadas
Cabeça de homem
Mas coração de menino
Aquele que está do meu lado
Em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas
Meu bom companheiro
Você tantas vezes provou
Que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas
Amigo, você é o mais certo
Das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida
Em que precisamos de alguém prá ajudar na saída
A sua palavra de força, de fé e de carinho
Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho
Você meu amigo de fé Meu irmão camarada
Sorriso e abraço festivo na minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas
Amigo, você é o mais certo nas horas incertas
Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que eu tenho um grande amigo
Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que você é meu amigo

Do grande Roberto... Pra você querida amiga! Foi você quem me mostrou o quanto a letra dessa canção é linda e cheia de significado, inda mais para nós! Minha amiga de fé, minha irmã, camarada! Estou aprendendo que as vezes não se precisa de palavras, os sentimentos nos bastam!


É inexplicável o prazer de ter amigos!

domingo, 24 de maio de 2009

Hora de partir

Sempre imaginei que as lições sobre partida a gente aprendesse com os aeroportos... Era só passar em frente, e pronto, já se saberia partir nas asas de uma aeronave qualquer.
Sinto que se aproxima a passos largos meu momento de partir. Não tenho o que lamentar, nem remorso pelo que deixo para trás. Todas as lembranças estão grudadas na minha retina.
Uma inquietação?... Não ter a presença recorrente daqueles que amo, e de não saber qual será a dinâmica dos relacionamentos daqui para frente... A dúvida sempre aflige, e a saudade dói.
O que fazer? Tocar um tango argentino.
Minha mente aflita não para de perguntar, 'o que será daqui pra frente?'. Não tenho respostas, nenhuma resposta. Eu só quero viver, me incumbir de ir vivendo... Isso já é tão difícil.
O peito segue apertado. A despedida nunca é fácil, não achei que essa seria. Mas não preciso dizer adeus.
CSD./