sábado, 14 de março de 2009

Faça seu coração vibrar

SAIA DA CONCHA

Ser curioso é bom porque assim que começa a jornada de questionamento da vida. Mas se você não for além dessa curiosidade, não haverá qualquer intensidade nisso. Talvez só pule de curiosidade em curiosidade como um barco à deriva, seguindo ao sabor das ondas, sem nunca ancorar em algum lugar.
A curiosidade é um bom ponto de partida, mas depois é preciso ficar mais passional. É preciso fazer da vida uma busca, não apenas uma curiosidade.
E o que quero dizer quando falo que é preciso fazer de sua vida uma busca? São muitas as perguntas, mas a busca é uma só. Quando uma pergunta se torna tão importante que você se dispõe a sacrificar a própria vida por ela, então ela é uma busca. Quando uma pergunta tem tamanha importância, tamanho significado que você pode arriscar e apostar tudo o que tem, então ela se torna uma busca.

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A sociedade lhe ensina: "Opte pelo conveniente, pelo confortável. Opte pelo caminho batido no qual seus antepassados e os antepassados de seus antepassados, desde Adão e Eva, já caminhavam. Essa é a prova - tantos milhões de pessoas já o percorreram, não pode ser o caminho errado."
Mas lembra-se de uma coisa: a multidão nunca passou pela experiência da verdade. A verdade só aconteceu a indivíduos.
Sempre que houver alternativas, tenha cuidado. Não opte pelo conveniente, pelo confortável, pelo respeitável, pelo socialmente aceitável, pelo honroso. Opte pelo que faz seu coração vibrar. Opte pelo que gostaria de fazer, apesar de todas as consequências.

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Cometer erros não é errado - cometa todos os erros de que for capaz. É desse jeito que você aprenderá mais. Só não cometa o mesmo erro mais de uma vez: isso faz de você um tolo.

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Você tem que se proteger de todas essas pessoas bem-intencionadas, que gostam de praticar o bem e estão a todo instante aconselhando-o a fazer isso ou aquilo. Ouça o que elas têm a dizer e agradeça. Elas não têm a intenção de lhe causar mal, mas causam. Ouça apenas seu próprio coração. Esse é o seu único professor. Na verdadeira jornada da vida, sua própria intuição é o único professor. Na verdadeira jornada da vida, sua própria intuição é o único professor que você tem.

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Existe algo de imensa importância sobre a verdade: a menos que você a encontre, ela nunca será verdade para você.
Se essa verdade é de outra pessoa e você pega emprestada, no mesmo instante ela deixa de ser verdade - passa a ser uma mentira.

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Seja o que for que esteja fazendo, pensando ou decidindo, lembre-se de perguntar uma coisa: isso está vindo de você ou se trata de outra pessoa falando? Você ficará surpreso ao descobrir a voz verdadeira. Talvez seja a de sua mãe - você a ouvirá falando outra vez. Talvez seja a de seu pai - não é muito difícil de detectar. A voz permanece ali, viva na memória, como se você a estivesse ouvindo pela primeira vez - o conselho, a ordem, a disciplina, o mandamento.

Livre-se das vozes que existem dentro de você e logo ficará surpreso ao ouvir uma voz silenciosa que nunca escutara antes. Você não consegue identificar de quem seja essa voz. Não, não é de sua mãe, de seu pai, de seu pastor, nem de seu professor... De repente você a identifica: ela é a sua própria voz. Depois faça o que ela diz sem receio.

Aonde quer que ela o leve, é ali que está o objetivo da sua vida, é ali que está o seu destino. É só ali que você encontrará satisfação, contentamento.

VERDADE OU CONSEQUÊNCIAS

Não pense nas consequências. Só os covardes pensam nas consequências.

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Todo mundo lhe diz para ser comedido. Por quê? Se a vida é tão curta, por que ser comedido?

Salte o mais alto que puder. Dance com toda a sua energia.

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Ser como todo mundo significa fazer parte de todo tipo de mentira que a sociedade chama de etiqueta, de boas maneiras. A razão é clara porque as pessoas falam sobre a verdade e ainda vivem em um mundo de mentiras. O coração delas anseia pela verdade. Elas tem vergonha de si mesmas por não serem verdadeiras, então falam sobre a verdade. Mas isso não passa de mera conversa. Viver de acordo com a verdade é perigoso demais - elas não podem se arriscar.

E o mesmo acontece com a liberdade. Da boca para fora, todo mundo quer a liberdade, mas ninguém é livre de fato e ninguém quer realmente ser livre, porque a liberdade traz responsabilidade. Ela não vem sozinha.

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A diferença entre ambição e anseio é que ambição visa a um objetivo, o anseio visa à fonte. A ambição significa que existe algo a se conquistar "lá fora". Ela depende de um objetivo, existe um motivo. Por isso você pode ser racional no que diz respeito a ela. Pode calcular se vale a pena atingir esse objetivo ou não. Não é uma questão de sentimento, é algo que se calcula. Você tem que seguir uma certa direção com cautela: o mundo é dos espertos, todo mundo está tentando atingir o mesmo objetivo e existe competição. Você tem que ser sagaz e inteligente, além de muito cauteloso. Tem que ser político, diplomático.

O anseio não tem um objetivo, mas tem uma fonte. O coração é a fonte.

Vicent Van Gogh sempre pintava as árvores tão grandes que elas iam além das estrelas. As estrelas eram pequenas, o Sol e a Lua eram pequenos e as árvores eram imensas... Alguém perguntou a ele: "Você é maluco? Por que nunca para de pintar árvores tão grandes? A estrela mais longínqua fica a milhões e milhões de anos-luz e as suas árvores sempre vão além das estrelas! Que maluquice é essa?"

E Van Gogh riu e disse: "Eu sei! Mas sei de outra coisa também, da qual você não se dá conta. As árvores são os anseios da terra para transcender as estrelas. Eu estou pintando os anseios, não as árvores. Estou mais preocupado com a fonte, não com o objetivo. É irrelevante se elas alcançam as estrelas ou não. Eu pertenço a terra, sou parte dela e compreendo o anseio da terra. Esse é o anseio da terra expresso através das árvores - ir além das estrelas."

E, por um anseio, tudo é possível. Nada é impossível porque a questão não é chegar a um lugar, mas apenas contemplar a fonte do próprio anseio.

Olhe bem dentro do seu coração. Ouça a voz calma dentro de você. E lembre-se de uma coisa: uma pessoa só se realiza na vida por meio dos anseios, nunca por meio das ambições.

A vida é basicamente insegura. Essa é sua qualidade intrínseca. Nada pode mudar isso. A morte é segura, absolutamente segura. No momento que você escolhe a segurança, sem saber está escolhendo a morte. No momento que escolhe a vida, está escolhendo a insegurança.

Com a segurança, com o conhecido, você fica entediado. Começa a ficar entorpecido. Com a insegurança, com o desconhecido, com o inexplorado, você se sente extasiado, belo, criança novamente - mais uma vez aquele coração capaz de se maravilhar.

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Quem tem medo da morte? Nunca cruzei com alguém que o tenha. Mas quase todo mundo com quem cruzei tem medo da vida.

Esqueça o medo da vida... Ou você tem medo ou você vive - a decisão é sua. E o que há para temer? Não há nada que possa perder. Você só tem a ganhar.

Esqueça todos os medos e mergulhe de cabeça na vida.

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Seja a favor da vida. vida é sinônimo de Deus. Você pode esquecer a palavra 'Deus' - a vida é Deus. Viva com reverência, com grande respeito e gratidão. Você não conquistou esta vida: ela é um mero presente do além. Sinta-se grato e reverente. Abocache o máximo que puder, mastigue bem e digira tudo muito bem. E desfrute a vida de todas as maneiras possíveis - viva o bom e o ruim, o doce e o amargo, o escuro e o claro, o inverno e o verão. Viva todas as dualidades. Não tenha medo da experiência: quando mais experiência você tiver, mais integrado ficará.

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Quando você encontrar um amigo, encontre-o de fato. Sabe-se lá... Talvez nunca mais volte a encontrá-lo. Então vai se arrepender. E, assim, esse passado insatisfeito vai assombrá-lo, cobrando aquilo que você queria ter dito e não disse. Existem pessoas que querem dizer "eu te amo" a alguém, esperam anos por isso e acabam não dizendo. E a outra pessoa pode um dia morrer e elas vão chorar e lamentar: "Eu queria ter dito a ela que a amava, mas não disse."

Eu amo você!

Esse texto e sua bela mensagem me chegaram pelas mãos da minha irmã e tiveram um papel essencial em minha vida anos atrás... Mas naquela época eu não cheguei a um entendimento mais amplo de tudo que estava aqui contido. Inicialemtne só me fez entender que deveria dar ouvidos a minha voz interior e meus desejos, na época foi isso que fiz, atendi meu coração.

O desejo de ficar, dois anos depois se transformou em desejo de partir. Que poderia muito bem ser sufocado a todo e qualquer pretexto... Mas a vontade de me desapegar daquilo que amo talvez seja indício de uma evolução... O desapego não é não amar, ou abandonar, é amar muito mais, e abrir mão da posse e da presença, e mesmo assim de coração amar.

É esquecer o conforto e a segurança, e se atirar num vôo no vazio acreditando que a sua verdade íntima lhe conferirá asas.

Meu coração me levará ao objetivo de minha vida. Ele me conduzirá a satisfação dos meus anseios, da minha busca pessoal. E eu jamais esquecerei o passado que serviu de lastro para o novo tempo... Das pessoas maravilhosas que caminharam ao meu lado, que me deram a mão e muito mais que isso, não me deixaram cair... Hoje mais do que nunca eu sinto o amor, e sou grata e reverente...

CSD./


quinta-feira, 12 de março de 2009

É real e incrível

Nessa fase de mudança não é fácil manter um padrão de comportamento, manter um equilíbrio diante do contato com todas as situações onde a vida real acontece... E em momentos de desordem emocional me é comum os brainstorms, como este do post anterior, é uma forma desordenada de conectar emocionalmente os acontecimentos, que não guardam uma conexão completamente cognoscível. É minha forma de organizar as emoções, que me trouxeram um aprendizado inconsciente e revelá-lo ao consciente, para finalmente dar-lhe uma destinação dentro de mim.
No entanto, da ansiedade da noite sempre vem um dia ensolarado, como hoje. É preciso ter a sabedoria de se esperar pelos acontecimentos com qualidade, que é uma espera não-espera. Esta sabedoria transcende as bibliotecas e os livros e reside no fato de finalmente se acreditar que nós somos pequenos cosmos, que somos a miniatura do universo e funcionamos identicamente a ele.
Paciência, tranquilidade, compreensão das limitações, tudo isso se simplifica quando estamos conscientes de um plano maior ao qual pertencemos. Mas nossa máquina de pensar é ansiosa e condicionada a encontrar soluções rápidas, e nossos pensamento sempre estão em disritmia com o universo, e neste ruído perdemos a chance de viver plenamente.
Esta simples e complexa equação para mim resolveu-se, em parte, esta manhã, numa aula de inglês. Eu não estava sendo capaz de viver minhas descobertas, estava ansiosa, querendo que tudo se desenrolasse, que eu vendesse a casa, que negociasse o carro, que com tudo rapidamente resolvido na prática, eu, enfim poderia partir para minha viagem, meu momento esperado, meu resgate, minha nova vida. Contudo, a ansiedade pelo futuro fazia-me esquecer de que os praperativos não podem ser vividos mecanicamente, que tenho que estar alerta a tudo e aproveitar a vida agora, pois a vida está mudando dentro de mim nesse momento.
E hoje eu fui para aula de conversação, nas quintas-feiras pela manhã eu e a Teacher nos encontramos para estimular minha pronúncia, e me por em contato com os diálogos do contexto que provavelmente eu vá viver... As aulas de inglês tem sido ótimas, agradáveis, e aos poucos estou desenvolvendo um bom relacionamento com a Teacher, que está muito imbuída na intenção de me ajudar, eu sinto isso porque é muito verdadeira a atenção que ela me dá. Hoje passamos quase 2 horas (o combinado é 1 hora) conversando, em português e em inglês sobre a língua, sua fluência, como ela acontece, o que é necessário estar atento... Ela em seu enorme conhecimento linguístico pouco a pouco está me entregando elementos imprescindíveis dos quais eu tenho que entender... E essa é a espera não-espera. Viver as coisas quando elas acontecem, receber o que é dado e dar o que pode... Dessa nossa convivência de mútua ajuda já me ofereci para ajudá-la numa dificuldade particular, a Teacher morre de medo de dirigir, tem habilitação e não consegue sair sozinha, por isso me ofereci para nos domingos de manhã dar voltas com ela, vai ser uma honra e um prazer ajudá-la em algo que me é tão simples, dirigir para mim é como respirar, um ato quase involuntário.
Disso tudo me ficam várias coisas. O Universo me deu a chance de me reposicionar, de reencontra-me comigo, com a verdade sobre mim, e isso está me mudando por dentro e por fora, do jeito que posso, na velocidade que consigo. E essa conexão comigo e com o Universo está gradativamente alterando o meu ritmo, me pondo em consonância... E eu posso sentir que o ritmo é harmonioso porque minha frequência mudou, minha vibração é outra, e ela me confere bem-estar, paz, tranquilidade, ainda invadida por momentos mais conflituosos, mas o que eu posso esperar, mudar 26 anos em 6 meses? "Ainda vai levar um tempo", como dizia a canção do Lulu.
E sobre essa história de vibração... Isso sempre me pareceu papo de espírita, de naturalista, de gente 'zen'... Mas o que pode explicar as mudanças de perspectivas mudarem o seu ambiente, senão a vibração? Pessoas se afastaram e pessoas se aproximaram de mim nos últimos meses. Amigos se tornaram meros conhecidos que estão desconfortáveis comigo e me trazem desconforto, desconhecidos me acolhem e ajudam, se tornando companheiros de jornada. É inegável, hoje eu atraio outra coisa, porque transmito outra mensagem. Está ai uma boa coisa para fazer na minha não-espera, experimentar o que eu atraio agora, o que ainda continuo atraindo.
Neste momento eu me sinto feliz, intimamente muito feliz por conseguir enxergar minha melhora. E ela se reflete em tudo, hoje eu me relaciono com o trabalho de outra maneira e administro as consequências disso, hoje eu falo diferente, é, eu mudei a minha forma de falar (muito louco isso), meus gestos, minha expressão, meu olhar, tenho outros anseisos, outras necessidades... A mudança de sensações mudou o espetáculo, e este me agrada mais. E eu estou feliz, feliz com o que fiz.
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CSD./

quarta-feira, 11 de março de 2009

Minha desordem

O que eu ainda não disse? Que motivações me levam a querer mudar minha própria vida? Que sentimento me orienta nesse mar fragoso? O que desejo? O que me fortalece, o que me acalma? Meu grande medo, qual é? O que me machuca? Onde me dói?...
Até novembro do ano posto eu tinha uma vida 'normal', um trabalho desgastante mas que julgava gostar, alguns amigos de convívio próximo, ganhava algum dinheiro e poderia apostar numa bela carreira para o futuro.
Estava prestes a sair de viagem e uma amiga iria comigo... Foi quando, como num jogo, as peças mudaram de lugar. Por um descaso ou por um descuido, nunca vou saber a verdade, sai sozinha de férias. A paz e a tranquilidade da solidão, me fizeram acabar gostando da idéia.
Em São Paulo o primeiro entrechoque: Mariana, a amiga de infância, as vivências trazidas da América do Norte, histórias de viagem, o descaso pelo comum, a contrariedade ao pré-estabelecido, a revolta contra os valores internalizados pelo elemento social... O exemplo de amor a liberdade, a vida fora dos limites ditados. Me deparei ali com o avesso dos meus medos.
O segundo entrechoque paulistano foi a pobreza estampada na fachada da favela a caminho de Cumbica, a desordem me tomou, meus sentimentos todos se misturaram naquele momento, um
velhinho de 70 anos, que dirigia o táxi pediu para eu olhar a beleza dos jardins que logo surgiram a nossa frente, mas eu havia sido completamente absorvida pela realidade da favela, dos que sofrem, dos que vivem sem saber por que ou pra quê.
Naquele dia eu parti rumo ao sul. Em Buenos Aires tudo me deslumbrou e me sorveu... Aqueles jovens todos explorando a cidade de mochilas nas costas, a diversidade, a vida diferente e leve. Mas eu não conseguia entender o que se passava comigo. E com a calma e serenidade de quem encontra conforto na solidão e no silêncio eu fiz um prece na catedral de San Izidro, inicialmente agradeci tudo que me foi ofertado nessa vida, e a oportunidade de estar ali, e também pedi orientação para seguir uma vida que fosse útil aos designos do Pai, e completamente entregue a minha precariedade humana eu pedi para ser um instrumento nesse universo, para ajudar de alguma forma, dar a minha singela contribuição no que fosse.
E como numa frase de Oscar Wilde, que ouvi esta noite: 'Os deuses quando querem nos castigar atendem nossas preces'. As minhas preces foram atendidas, uma venda foi retirada dos meus olhos, que embora embaçados, viram pela primeira vez. Tal foi meu susto, minha vida não era minha, minha ambição despetalava meus valores, uma pressa por alcançar algo de tão furtivo prazer, que nem bem se consumava e já se desvanecia.
O meu tempo, minha saúde, minha juventude sendo gastos com ilusões patéticas... E foi grande meu desespero por ver a areia fina das certezas desfeitas escoando pelos meus dedos laços, a dor tomou meu coração, e as lágrimas desde então não mais secaram, as lágrimas são fundamentais hoje, elas impedem a implosão, seguram o desmoronamento.
Não se passa nem um dia sequer, sem que me lembre do pequeno Luca, e do quanto ele me ensinou. Não há um dia que não me lembre que EU SOU AQUELE MENINO DE RUA, que por um golpe de sorte teve uma vida diferente, mas somos iguais na raíz, e essa realidade me agride e consola, me conscientiza e me faz pequena como um átomo, digna da primeira humildade: "ser um tubo processador de merda".
Hoje vivo para mudar minha vida, dar colorido ao acromático. E me emprestar de utensílio ao universo, para o que quer que seja. Tenho pouquissímas certezas sobre mim, sobre o que gosto, mas alguns desejos são ululantes, quero falar várias línguas, ser poliglota... Quero usar as minhas mãos para o trabalho, elas são capazes de produzir calor e curar. Quero deixar todo o tempo já vivido, mal vivido ou sem sentido para trás.
A zona de conforto, o conhecido, o caminho trilhado e batido já não me cabem. O desapego é a lição a ser aprendida, e o tempo meu único e grande professor. A vida, a única possível estrada.
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CSD./

terça-feira, 10 de março de 2009

Maturidade


A diferença entre a relva e as flores é a mesma que existe entre você enquanto não sabe que é um buda, e você no momento em que compreende que é um buda. De fato, nem poderia ser diferente.O buda é completamente florescido, inteiramente aberto. Os seus lótus, suas pétalas, chegaram a uma realização...Com certeza, ser você mesmo, pleno de primavera, é muito mais belo do que o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus. E olha que essa é uma das coisas mais lindas de se ver: o orvalho de outono caindo sobre as folhas de lótus, brilhando ao sol da manhã, como pérolas verdadeiras. Naturalmente isso não passa de uma experiência momentânea. À medida que o sol se levanta, o orvalho de outono começa a evaporar-se...Essa beleza passageira certamente não pode ser comparada com uma eterna primavera em seu ser. Por mais longe que você consiga olhar para trás, verá que essa primavera sempre esteve ali. Olhando para frente o mais que pode, você se surpreenderá: trata-se do seu próprio ser. Onde quer que você esteja, essa primavera estará também, e as flores continuarão a cair sobre a sua cabeça. Isso é primavera espiritual.
Osho No Mind: The Flowers of Eternity Chapter 5

Comentário:
O personagem desta carta está só, quieto, porém atento. O seu ser interior apresenta-se repleto de flores -- portadoras do espírito da primavera, e que renascem onde quer que ele vá. Este florescimento interior e a completude pessoal que ele sente, criam-lhe a possibilidade de uma mobilidade ilimitada. Ele pode deslocar-se em qualquer direção -- no seu próprio interior ou no mundo aqui de fora, não faz diferença, pois a sua alegria e maturidade não podem ser diminuídas por fatores externos. Ele chegou a um tempo de centramento pessoal e de expansividade -- a aura branca que o envolve é a sua proteção, e a sua luz. O conjunto das experiências da vida o trouxeram a este tempo de perfeição.
Quando você tirar esta carta, saiba que o momento lhe traz um presente -- pelo trabalho pesado que foi bem feito. Agora, suas bases são sólidas, e o sucesso e a boa sorte estão assegurados porque são a conseqüência natural daquilo que já foi vivenciado em seu íntimo.
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Muito interessante a carta de hoje... Ainda mais por me fazer lembrar de um singelo acontecimento de domingo.
Eu estava no Zoo da Federal, depois de uma breve caminhada sentei-me em frente ao viveiro das capivaras e das antas. Contemplativa... fechei os olhos por uns minutos... Ouvi o barulho do tecido sintético da minha calça ao ser tocado por algo...
Imaginei rapidamente, deve ser uma caca de passarinho, uma gota d'água, abri os olhos e era uma delicadíssima florzinha...
Enfim, que não tenha nenhum significado... me trouxe um sorriso e me fez um pouco mais alegre naquela tarde.
CSD./

domingo, 8 de março de 2009

Eu sei que vou te amar

'Eu sei que vou te amar' é um livro inspirado num filme, o que por certo já foge do normal, posto que em geral os livros é que inspiram os filmes, seu autor é Arnaldo Jabor, que nos anos 70 levou milhões ao cinema, na maioria jovens ávidos por entender esse mistério de amor e sexo.
Este livro estava há meses aguardando minha disposição para lê-lo, finalmente li.
Em minha opinião não traduz sequer um terço da genialidade de Jabor, mas há umas pérolas que merecem destaque, que passo a fazer:
- Eu sabia que você não aguentava!... é impressionante como este cara não aguenta ser amado!... Agora quando eu falei um pouco de verdade... de emoção... "aceita um drinque?" Que drinque? Cara... tu é barman, que drinque? Só se for coquetel das minhas lágrimas com tua hipocrisia!... Olha, essa bobagem de "quer um drinque" é o símbolo de tudo que nos aconteceu nos últimos anos... você não sabe o que é amor!... Eu não te culpo... eu te entendo... é teu sintoma... você não consegue, que que eu vou fazer? Tudo bem...
(...)
- Ai!... Meu Deus do céu... como a verdade de um homem é diferente da verdade de uma mulher... eu... eu... fiz tudo pra essa mulher... mas ela só lembra dos erros... mulher só contabiliza coisas negativas... só... "estraguei a vida dela"... tá legal... e as milhares de vezes que eu a protegi sem ela saber, hein? E a mão protegendo dos golpes do mundo, hein? E a contemplação muda da ingenuidade, e os ensinamentos discretos? E a carícia desinteressada? E a ejaculação contida pelo bem dela? E a muda concordância e a bobagem consentida para evitar o triunfo sobre a juvenil ignorância? Nada conta? Nada... nada... conta o quê? Conta uma frase que eu disse sobre uma ex-namorada... Isto pesa mais que tudo!... Quer dizer... esta senhora... esta senhora está a fim de me sacanear!!
(...)
- Rosas... eu olhava minha mulher dormindo... e pensava: "A vida é perfeita." Rosas brancas tremem, a grama está molhada, nosso quarto, o rosto dela... a vida é perfeita! O mundo está hamônico, eu tinha organizado tudo pra tua felicidade, e você destruiu! Você dormindo... o mundo era harmônico... então você quis ir embora... me abandonou... e destruiu tudo...
(...)
- ...Não aguento mais este papo... O Brasil está devendo cem bilhões de dólares... As multidões estão aí fora urrando de fome! Ouça! Ouviu? São as multidões... e a senhora e eu levando este papo de Sartre e Simone de Beauvoir, este lero-lero de casal! Isto não tem a menor importância para a vida humana! O mundo vai acabar e nós aqui nesta mediocridade, com o processo histórico lá fora.
(...)
... só a infância é verdadeira... por que as árvores ficam escuras e tremem?... por que o mundo era tão lindo e sinistro? E hoje só esta areia seca... e eu pensava: "Vou crescer... vou casar com um vestido de baile branco... um sonho de volsa... vou casar com um oficial da marinha... lindo... vou dançar"... eu achava meu futuro um luxo... meu Deus... que luxo era meu futuro!... E agora...
(...)
Estou ficando louco, quero um milagre, estou ficando louco, quero um milagre... um crime, um veneno, adeus amor, estou indo, adeus amor, estou indo para a sujeira, quero a luz da sarjeta, adeus pureza, quero o sujo, quero o que ninguém quer, adeus amor, a tua alma branca... adeus amor, você e teus cabelos adeus amor, você e a nossa felicidade...
(...)
... Eu era feliz, um robô feliz na minha mediocridade...
- ... a primeira humildade que um ser humano tinha de ter: eu sou um tubo! Um tubo processador de merda... começa aí a humildade...
(...)
- ... Doce é o limão, minha filhinha... doce é o mais ardido dos limões perto da tua crueldade absoluta... nunca confie, meu amigo, numa delicadeza doce! daí é que sai a morte!
(...)
- ... Quero que você diga para as mulheres que você conhecer... que lá no fundo... onde eu fui... é só escuro... eu desci no poço de Alice... sem fundo... e lá, na solidão completa, de repente surgem uns peixes luminosos... embriões flutuando a sua volta... os filhos de tua coragem... e você começa a subir de volta... sentindo uma alegria nova... e não é a tal "purificação pelo sofrimento" não, é ver... ver... que há qualquer coisa eterna na tua loucura... que a tua loucura é eterna... real... como o vento... o fogo... as árvores que se moviam na minha infância... hoje minha loucura é verdadeira como as coisas... aí eu comecei a me sentir uma habitante do planeta, igual... à miserável... igual à faminta... eu sou verdade... como a miséria... como os bichos... e também quero que você saiba que quando eu vejo você caído no chão, fraco feito um trapo... você passa a ser meu herói de novo... engraçado... quanto mais fraco você fica, mais gosto de você... nós dois... destruídos... sem pose... desamparados... aí eu nos quero... aí eu nos amo... eu acho que a gente tem hoje uma dignidade que nunca teve... era isto que eu queria te dizer... te dar... como um presente de amor...
(...)
Um beijo fecha a minha boca, um beijo fecha a minha boca!
Eu sei que vou te amar - Arnaldo Jabor

segunda-feira, 2 de março de 2009

Possibilidades...


A mente pode aceitar fronteiras em qualquer lugar. A verdade, porém, é que, por sua própria natureza, a existência não pode aceitar fronteiras de espécie alguma, pois o que haverá do outro lado do muro? Céu e novamente um outro céu. Por isso é que estou dizendo que céus sobre céus estão disponíveis para o seu vôo.
Não se contente facilmente. Os que se contentam com pouco permanecem pequenos: pequenas são as suas alegrias, pequenos são os seus êxtases, pequenos são os seus silêncios, pequeno é o seu ser.
Mas não há necessidade disso!
Essa pequenez é uma imposição que você mesmo faz à sua liberdade, às suas possibilidades ilimitadas, ao seu potencial sem limites.

Osho Live Zen Chapter 2

Comentário:
A águia tem uma visão panorâmica de todas as possibilidades existentes na paisagem lá embaixo, enquanto voa livremente pelo céu, com naturalidade e sem qualquer esforço. Ela está realmente no seu domínio, majestosa e senhora de si.
Esta carta indica que você se encontra num ponto em que um mundo de possibilidades lhe é oferecido. Por ter desenvolvido mais amor para consigo mesmo, por estar mais pleno de si mesmo, você consegue trabalhar facilmente com os outros. Por estar relaxado e à vontade, você é capaz de reconhecer possibilidades à medida que elas se apresentam, algumas vezes até antes que outros as consigam perceber. Por estar em sintonia com a sua própria natureza, você compreende que a existência lhe está proporcionando exatamente aquilo de que você precisa. Aproveite o vôo! E celebre todas as variadas maravilhas da paisagem aberta diante de seus olhos.

Acreditando ou não nas cartinhas, você tem toda razão quando diz que cada mensagem vale um minutinho de reflexão, aliás, vários minutos eu diria.
São edificantes... E pra mim, já ando ficando cismada com essa brincadeira, risos!
Tem gente me espionando! Você anda passando informações privilegiadas pra alguém???
Olha lá hein...

CSD./

sábado, 28 de fevereiro de 2009

A Menininha...


Eu sei que estive ausente por muito tempo. Mas agora estou aqui do teu lado, pra segurar a sua mãozinha.
O nosso caminho é uma longa escalada... Mas estaremos lado a lado! Prometo cuidar de você, te amparar nas dificuldades, festejar nossas conquistas... Prometo brincar contigo, cantar pra você dormir.
Lembrando o 'poetinha' eu te digo: 'de tudo ao meu amor serei atento antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto...'
Eu te amo menininha, jamais se esqueça disso, seremos sempre você e eu!

CSD./

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

New Soul

Acompanhando esse movimento de mudança interna, que como é cediço, incomoda, dói e machuca, sempre há uma espécie de bálsamo, particular para cada um. O meu, sempre foi a arte, a literatura, a música.
Vários estilos musicais tem me chamado atenção ultimamente... O tango, o jazz, a bossa nova, dentre outros...
Em especial, uma cantora franco-israelita me fez voltar os olhares para seu ritmo, sua música, sua arte, ela se chama Yaël Naïm, mal sei pronunciar seu nome, mas seu som é de compreensão universal.
Para aliviar um pouco a pressão do dia, dedico esse post para uma de suas músicas, New Soul:

I'm a new soul I came to this strange world hoping
I could learn a bit about how to give and take.
But since I came here felt the joy and the fear
finding myself making every possible mistake

la-la-la-la-la-la-la-la...

I'm a young soul in this very strange world hoping
Icould learn a bit about what is true and fake.
But why don't please trying
to comunnicate finding
just that love is not always easy to make.

la-la-la-la-la-la-la-la...

This is a happy end cause'
you don't understand
everything you have done why's
everything so wrong
this is a happy end
come and give me your hand I'll
take your far away.

I'm a new soul I came to this strange world hoping
I could learn a bit about how to give and take
but since I came here fellt the joy and the fear
finding myself
making every possible mistake

la-la-la-la-la-la-la-la...
la-la-la-la-la-la-la-la-la-la....

Yaël Naïm

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Minha vida agora é surpresa...

Nesta tranquila tarde de segunda-feira de carnaval encontrei as queridas amigas Lu e Cleiva para um café, papo descontraído, a boa e velha companhia agradável das irmãs, propícia para falar de qualquer coisa, de amenidades ao que nos angustia.
Em algum momento falei sobre as certezas e de quanto elas podem nos trazer malefícios, eu que sempre tive tantas... Minha carreira, minha profissão, meu jeito de agir, a forma de conduzir os relacionamentos, o lugar onde pensava passar o resto de minha vida, meus objetivos de curto e longo prazo...
De repente um vento que veio do sul soprou e tudo se desfez. Meu castelo de cartas marcadas, meus erros, tudo trazido a luz.
Agora eu vivo a surpresa, minha vida é surpresa, o desejo ardente de seguir meu coração que quer me levar a outro lugar, e a única 'certeza' são as infinitas possibilidades que surgirão.
A duras penas eu aprendo mais essa lição... e esqueço as certezas do passado.
Voltando ao encontro com as meninas, nem quero pensar na falta que vou sentir dessas duas pessoas tão importantes na minha vida, quando eu sair para ver o mundo.
Por enquanto, vou aproveitando ao máximo, tudo que puder, até o fim, sabendo que alguns sentimentos não tem fim.

CSD./

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Viajando...

A vida é uma continuidade, sempre e sempre. Não existe um destino final ao qual ela esteja se dirigindo. Apenas a peregrinação, apenas a viagem em si já é a vida, não o chegar a algum ponto, a alguma meta -- apenas dançar e estar em peregrinação, movendo-se alegremente sem se preocupar com nenhum ponto de chegada.O que você fará depois que chegar a um destino? Ninguém nunca fez esta pergunta porque todo mundo está empenhado em ter alguma meta na vida. Porém, as implicações disso...Se você atingir de fato o destino final da vida, o que vem depois? Você irá parecer muito desapontado! Não haverá lugar aonde ir... você já alcançou o ponto de destino... -- e ao longo da viagem deixou escapar tudo. Era preciso deixar passar! Então, nu e plantado no ponto de chegada, você ficará olhando em volta como um idiota: qual era mesmo o propósito disso tudo...? Você esteve se apressando tanto, preocupando-se tanto, e este é o resultado final.

Osho Rinzai: Master of the Irrational Chapter 7

Comentário:

A pequenina figura que se desloca pela trilha que corta esta bela paisagem, não está preocupada em chegar a qualquer destino. Ele, ou ela, sabe que a viagem é a própria meta, que a peregrinação em si é o santuário. Cada passo no caminho é importante por si mesmo.
Quando esta carta aparece numa leitura, indica um tempo de movimento e mudança. Pode ser um deslocamento físico de um lugar para o próximo, ou um movimento interior de uma maneira de ser para outra. Qualquer que seja o caso, porém, esta carta assegura que a mudança será fácil, e que trará um sentimento de aventura e de crescimento; não há nenhuma necessidade de se esforçar nem de planejar em demasia. Esta carta da "Viagem" também nos lembra de que devemos aceitar e acolher o novo, exatamente como acontece quando viajamos para um outro país, com uma cultura e um ambiente diferentes daqueles a que estamos acostumados. Esta atitude de abertura e de aceitação estimula o surgimento de novos amigos e de novas experiências na nossa vida.


Coincidência ou não tudo aponta para esse tempo de mudança, para esse deslocamento físico e/ou emocional/comportamental. E já nem é preciso pensar ou premeditar mais, as coisas se sucedem e tudo parece "linkado".
Sigo naturalmente o fluxo a medida que tento de todas as formas melhorar o agora.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O reencontro com a chuva...

Os pingos de chuva começavam a cair lá fora... Eu dentro de casa, tão inquieta, a ameaça de chuva parecia me provocar, me chamar...
E fui ao encontro das águas celestes. Os pingos se tornavam mais abundantes e logo minha roupa estava completamente molhada, a água tocava o meu rosto e escorria cuidadosamente por todo meu corpo num processo catartíco, ela ia me limpando, lavando tudo...
A chuva e o vento me estremeciam, então comecei a caminhar além da minha rua, aos meus passos se seguiam os pensamentos, como numa espécie de filme, me lembrei de cada coisa ruim que eu havia feito ou sentido, e tudo aquilo que me envergonhava... Pedi perdão a mim mesma, esse é o perdão mais difícil de se obter, porque o perdão de Deus eu já tive.
Deus que sempre se ocupou de mim, mesmo a minha revelia, e jamais deixou nada do que me era necessário faltar. A Ele, sob a chuva, dirigi minha prece mais ardente, pedi que me ajudasse a deixar ir embora tudo aquilo que não preciso, que me ajudasse a soltar as amarras.
E Deus que sempre diz 'sim', me deu a chuva e as lágrimas, que lavaram-me por dentro e por fora.
Voltei para casa, para um banho quente e o descanso do corpo exausto de luta.

CSD./

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Some sweet words in your birthday

Eu ganhei uma irmã há oito anos... E é tão bom dizer o quanto sou feliz por tê-la presente em minha vida desde então.
Esta semana ela comemora mais um aniversário, e não há melhor momento para que eu demonstre meu amor e minha gratidão por essa convivência fraternal.
Ela e seu enorme coração capaz de compreender e olhar aos outros de forma tolerante, sem preconceito, um caminho que nega o egoísmo e a superficialidade das genéricas relações sociais e estabelece uma troca humana legítima e compensatória.
Sua simplicidade de ser é admirável. Sua leveza e desprendimento singulares. Sua fibra, seu bom senso, mas não são essas características nobres que mais me fazem gostar dela... Gosto sobremaneira de sua humanidade, de sua ternura e firmeza, de dentro dela sempre existir os dois lados em estado de equilíbrio.
Essa irmã me contrapõe muitas vezes, e eu também sei que a contrario, mas a nisso uma espécie de prova de nossa capacidade de conviver, de respeitar, e de amar o que realmente somos.
Nossas diferenças nos aproximam e assim tem sido por anos.
Ela que sempre me cuidou como a uma irmãzinha... Eu que sempre a tive como um motivo para querer ser melhor a cada dia.
Feliz Aniversário Lutti! Que o universo sempre te reserve aquilo que você espalha por ele... Felicidades, sonhos realizados, paz e muita saúde.

Sua irmãzinha que te ama!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Into the wild

Long Nights

Have no fear
For when I'm alone
I'll be better off than I was before

I've got this light
I'll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know
I've got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

Eddie Vedder


Partir conscientemente. Me descobri inclinada a isso.
Por que dormir descontente...
Ah, o preço de ter companhia.
Minha sombra vem comigo enquanto nós deixamos tudo, deixamos tudo para trás.
A riqueza dos bolsos vazios
O amor vai criar uma sensação de riqueza
Por que me conter como outro livro na estante?
Minha sombra deita-se comigo sob o grande sol branco...
Vozes súbitas no vento
E a verdade que elas estão contando.
O mundo começa onde a estrada acaba.
Observe-me deixar tudo pra trás.

E.V. in 'far behind'

A carta que tirei...

A energia do todo se apossou de você. Você está possuído, você nem mesmo existe mais: o que existe é o todo.
Neste momento, à medida que o silêncio o penetra, você vai sendo capaz de compreender a significância dele, porque é o mesmo silêncio vivenciado pelo Buda Gautama. É o mesmo silêncio de Chuang Tzu ou Bodhidharma, de Nansen... O sabor do silêncio é o mesmo.
Os tempos mudam, o mundo continua se transformando, mas a experiência do silêncio, a alegria que vem dele, permanece a mesma. Essa é a única coisa em que você pode confiar, a única coisa que nunca morre. Esta é a única coisa que você pode chamar de seu próprio ser.
/
Osho Zen: The Diamond Thunderbolt Chapter 1

Comentário:
A receptividade silenciosa de uma noite estrelada de lua cheia, semelhante à de um espelho, reflete-se abaixo no lago coberto de névoa. O rosto que aparece no céu está em meditação profunda: uma deusa da noite que traz profundidade, paz e compreensão.Este é um momento muito precioso. Será fácil para você repousar internamente, e sondar as origens do seu próprio silêncio interior até o ponto em que ele se confunde com o silêncio do universo.
Não há nada para fazer, lugar nenhum aonde ir, e a marca do seu silêncio interior permeia tudo o que você faz. Isso poderia deixar algumas pessoas sentirem-se desconfortáveis, acostumadas que estão com todo o barulho e atividade do mundo. Não importa. Procure encontrar as pessoas capazes de entrar em sintonia com o seu silêncio, ou então desfrute a sua solitude. Este é o momento de reencontrar-se consigo mesmo. A compreensão e os insights que lhe ocorrem nesses instantes manifestar-se-ão mais tarde, em uma fase de maior extroversão da sua vida.
/
Está fui eu mesma que tirei essa manhã, para testar...
Mas não faço mais!
/
CSD./

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vuelvo al Sur

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,
Sur, te quiero.

Letra: Fernando E. Solanas
Musica: Astor Piazzolla


Interessante foi perceber como na música ou na literatura, que os argentinos frequentemente se referem ao "sur" e nele expressam o apego e a saudade da sua terra.
Tomo emprestado seu significado para dizer: que o sul é um caloroso abraço, o sul guarda meu coração, o sul é a saudade que sempre irei sentir...
Não me importa se o referencial hegemônico do mundo sempre foi o norte, para 'nortear' o que quer que seja, não me importa que as vezes pensemos que o céu aqui fica as avessas.
"Busco el Sur, el tiempo abierto, y su despues. Quiero al Sur, su buena gente, su dignidad..."
É bom sentir orgulho do que é... É bom se lembrar das raízes, onde quer que se esteja.
E o "Sul" sempre será um bom lugar para se voltar.

CSD./

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cambalache

E esse blog virou uma 'tangueria'... Vai mais um em homenagem a minha revolta com a imoralidade. O mundo sempre foi assim, mas daqui pra frente para ser diferente só depende de cada um...

Cambalache

Que el mundo fue y sera una porqueria,
ya lo se;
en el quinientos seis
y en el dos mil también;
que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dubles,
pero que el siglo veinte es un desplieguede malda insolente
ya no hay quien lo niegue;
vivimos revolcaos en un merengue
y en un mismo lodo todos manoseaos.
Hoy resulta que es lo mismo
ser derecho que traidor,
ignorante, sabio, chorro,
generoso, estafador.
Todo es igual; nada es mejor;
lo mismo un burro que un gran profesor.
No hay aplazaos ni escalafon;
los inmorales nos han igualao.
Si uno vive en la imposturay otro roba en su ambición,
da lo mismo que si es cura,
colchonero, rey de bastos,
caradura o polizon.
Que falta de respeto,
que atropello a la razon;
cualquiera es un señor,
cualquiera es un ladron.
Mezclaos con Staviskyvan
Don Bosco y la Mignon,
don Chicho y Napoleon,
Carnera y San Martin.
Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida
y herida por un sable sin remaches
ves llorar la Bíblia contra un bandoneon.
Siglo veinte, cambalache
problematico y febril;
el que no llora, no mama,
y el que no roba es un gil.
Dale no mas, dale que va,
que alla en el horno nos vamo a encontrar.
No pienses mas, sentate a un lao,
que a nadie importa si naciste honrao.
Que es lo mismo el que trabaja
noche y día como un buey
que el que vive de los otros,
que el que mata que el que cura
o esta fuera de la ley.


Letra e Música de Enrique Santos Discépolo

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Esperança


A alegria do amor só é possível se você tiver conhecido a alegria de estar sozinho, porque só então você terá algo para compartilhar. De outra forma, serão dois mendigos se encontrando, agarrando-se um ao outro, mas não poderão obter o êxtase. Criarão infelicidade para ambos, porque cada um irá esperar em vão, que o outro o preencha. O outro está esperando a mesma coisa. Não podem se completar. Ambos estão cegos, não podem ajudar um ao outro.

Ouvi contar de um caçador que se perdeu na selva. Por três dias ele não conseguiu encontrar ninguém para perguntar pelo caminho de volta, e ele estava ficando cada vez mais assustado, entrando em pânico - três dias sem comer e com um medo constante de animais selvagens. Por três dias ele não foi capaz de dormir; ele ficava sentado acordado em alguma árvore, com receio de ser atacado. Havia cobras, leões, e outros animais selvagens.
No quarto dia de manhã cedo, ele viu um homem sentado debaixo de uma árvore. Você pode imaginar sua alegria. Ele correu, abraçou o homem, e disse: "Que alegria!" e o outro homem também o abraçou, e ambos estavam imensamente felizes. Depois eles perguntaram um ao outro, "Por que você está tão contente?"
O primeiro disse, "Eu estava perdido e esperava encontrar alguém." E o outro disse: "Eu também estou perdido e esperava encontrar alguém. Mas se ambos estamos perdidos então nossa felicidade é pura tolice. Agora estamos perdidos juntos!"
É isso que acontece: você está sozinho, a outra pessoa está sozinha. Então vocês se encontram. Primeiro há a lua-de-mel, o êxtase do encontro, o êxtase por não estarem mais sozinhos. Mas dentro de três dias ou, se você for inteligente o bastante, dentro de três horas... depende de quão inteligente você for. Se for tolo, irá levar mais tempo pois pessoas tolas são aquelas que não aprendem. Caso contrário, uma pessoa inteligente pode perceber em três minutos... "O que estamos tentando fazer? Não vai funcionar. Essa outra pessoa está tão sozinha quanto eu. Agora iremos viver juntos, serão duas solidões juntas. Juntar duas feridas não faz com que elas se curem."
Cada um de nós é parte dos outros, nenhum homem é uma ilha. Pertencemos a um continente invisível porém infinito. Nossa existência não possui limites.
Contudo, essas experiências só são vividas pelas pessoas que estão se aperfeiçoando, que estão em um estado de amor tão grande consigo mesmas que podem fechar os olhos, ficar sozinhas e ainda assim em êxtase absoluto. Essa é a essência da meditação.Meditação significa estar em êxtase dentro da sua solidão. Mas, quando você encontra o êxtase em sua solidão, logo esse êxtase se torna tão grande que você não pode contê-lo. Começa a transbordar de você. E quando começa a transbordar, torna-se amor. A meditação permite que o amor surja. E as pessoas que não conheceram a meditação jamais conhecerão o amor. Podem fingir que amam, mas não podem amar de fato. Apenas fingem, porque não têm nada para dar, não estão transbordantes. Amar é compartilhar. Mas antes que você possa compartilhar, você precisa ter algo para dar. A meditação deveria ser a primeira coisa. A meditação é o centro, o amor é a circunferência em torno dela. A meditação é a flor, o amor é o perfume.

Fonte: Osho Times

Você pode colocar no lugar de meditação a palavra consciência. Há várias maneiras de se chegar à consciencia, a meditação é uma delas.

LP./


Encontrei esse texto fazendo uma limpeza na caixa de e-mails, e ler isso hoje teve um pouco mais de sentido do que lê-lo há um ano e meio... Esse processo de busca da consciência é longo, o bom é que a cada dia pode ser melhor.

CSD./

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Malena (é um nome de um tango)...

Buenos Aires me deixou de herança dois cds de tango, os quais tenho escutado com relativa frequência (sem trema diz a nova regra ortográfica)...
É música para quem tem ouvido bom e permissivo, para quem gosta de ritmos que toquem os tímpanos e o coração. Os cantores e cantoras de tango lembram tenores, de voz grave e as vezes sibilante. Há quem os diga tristes, mas há também os festivos, apaixonados, debochados e de protesto. Pode-se dizer que é um movimento cultural engajado.

Aqui vai mais um que gosto, música e a letra, se chama Malena:

Malena canta el tango como ninguna
y en cada verso pone su corazón.
A yuyo del suburbio su voz perfuma,
Malena tiene pena de bandoneón.
Tal vez allá en la infancia su voz de alondra
tomó ese tono oscuro de callejón,
o acaso aquel romance que sólo nombra
cuando se pone triste con el alcohol.
Malena canta el tango con voz de sombra,
Malena tiene pena de bandoneón.

Tu canción
tiene el frío del último encuentro.
Tu canciónse hace amarga en la sal del recuerdo.
Yo no sési tu voz es la flor de una pena,
sólo sé que al rumor de tus tangos, Malena,
te siento más buena,
más buena que yo.

Tus ojos son oscuros como el olvido,
tus labios apretados como el rencor,
tus manos dos palomas que sienten frío,
tus venas tienen sangre de bandoneón.

Tus tangos son criaturas abandonadas
que cruzan sobre el barro del callejón,
cuando todas las puertas están cerradas
y ladran los fantasmas de la canción.
Malena canta el tango con voz quebrada,
Malena tiene pena de bandoneón.

Música: Lucio Demare – Letra: Homero Manzi (1941).


Sobre esse tango, sem querer descobri sua história, parece que o poeta 'arrabalero' de Buenos Aires, Homero Manzi inspirou-se, numa noite brasileira em que encontrou a cantora Malena de Toledo (Elena Tortolero, seu nome real), numa casa noturna de São Paulo (há quem afirme ter sido em Porto Alegre - quem afirma isso dever ser algum gaúcho sem dúvida).
Manzi estava com Demare. Encantou-se com a voz da musa inspiradora (nascida em 1916, falecida em 1960), no ano de 1941, quando ela era acompanhada pela orquestra de Hector Gentile. Essa música (de Demare), com letra de Manzi se eternizou como um dos clássicos do tango argentino.
Há controvérsias sobre o nascimento de Malena: alguns afirmam que foi no Uruguay; o escritor e Amigo pessoal Hector Ángel Benedeti, estudioso do tema, assegura que Malena nasceu na Argentina.
De onde é Malena? Só sei que é um inesquecível nome de tango.

CSD./

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um exercício para a vida

Todos esses anos de busca por auto-conhecimento, terapias, ocupação, atividades das mais variadas, tiveram apenas um único objetivo, aplacar a angústa e a solidão que sempre senti.
Tanto tempo depois de iniciar esse caminho por mim mesma, parece que começo a ver uma singela luz, capaz de direcionar-me para fora do túnel escuro.
O maior teste de sucesso ou de fracasso de um ser humano ou de uma sociedade deveria ser medido pelo crescimento da vida solidária, pelo volume de troca humana legítima, útil e compensatória. Uma vida social deveria ser orientada pela confiança, pela lealdade, mas será que é isso que temos? A vida comum é capaz de curar os medos? Ela auxilia na compreensão das incertezas?
É incrível, mas hoje a amizade é um luxo. Por isso estou aprendendo a cuidar do que tenho, contudo, sem controle, sem excessos, e com respeito pelos outros.
Não tenho hesitado em alcançar um estado de conhecimento e clareza sobre minhas próprias dores, e minha finitude, que vem funcionando como conscientização de minha precariedade, e isso indica que o desenvolvimento material não representa nada, se me diluo enquanto pessoa e deixo os valores essenciais da condição humana escorrerem das minhas mãos.
É indispensável para construir e manter as relações compreender a singularidade do outro. Olhar o outro sem preconceito e de forma tolerante, nega o egoísmo e a superficialidade corriqueira dos relacionamentos humanos atuais. Preciso deixar de querer ver estampado no rosto alheio um pouco daquilo que sou, e ver o que realmente é. Vem-me à mente as palavras da infinita Clarice que a há muito já dizia: 'Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado pensava que, somando as compreensões eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente... E porque no fundo eu quero amar o que eu amaria e não o que é...'O acomodamento humano faz preferir modificar o outro, em vez de modificar a si mesmo. Ao contrário, desprezar e reprovar menos, devem ser as palavras de ordem para escapar dessa lógica que exclui, deste modo se amplia a diversidade das perspectivas humanas.
Esse treino para a alteridade é o exercício que pode conduzir para fora do bloqueio defensivo, abrir o horizonte de uma vida menos solitária, mais plena e repleta de significado e experiências interessantes.

CSD./

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Perdendo a vergonha de existir

A tardezinha sai pra caminhar na pista da Universidade, tenho feito isso com relativa constância, mas não apenas como atividade física, esse é um momento para treinar o 'não pensar em nada'.
Parei um pouco, me sentei e fiquei a olhar a paisagem ao meu redor, observei uma criança jogando bola com seu companheiro, senti grande vontade de jogar também... Estava ali desenhada a chance de me aproximar e pedir para participar da brincadeira.
Eu que sempre morro de medo de me relacionar, morro de medo de dizer qualquer palavra... Então me aproximei e disse: '- Posso jogar também?'
Eles disseram que sim, então entrei na roda e começei a trocar passes, passei quase uma hora ali correndo, chutando, tocando, 'matando a bola' e fazendo embaixadas, fiz isso até cansar. Então me despedi e fui saindo, passei perto do menininho bati na mão dele, perguntei-lhe o nome, agradeci e continuei caminhando bem devagar em direção ao carrinho de água de coco.
Olhei para os meus pés, eles estavam sujos de lama, meu tênis branco ficou preto, e até minha canela tinha marcas de barro... Dei risada dessa molecagem, peguei minha água de coco e voltei andando pra casa, com uma sensação boa de estar perdendo a vergonha de existir.

CSD./