Por que preciso ter uma carreira?
Não é possível que em mais de dois mil anos de produção intelectual ninguém tenha dito que fazer um adolescente escolher uma carreira aos 16, 17 ou 18 anos seja uma barbaridade. Muito mais, quem diz aos jovens que devem ter uma carreira? Mais especificamente, quem me enfiou na cabeça que eu preciso de uma carreira pra ser feliz?
Tudo começou assim, eu devia ter uns 2 anos, me enfiaram um lápis na mão e comecei a desenhar, pintar, etc., atividades simples…
Com o tempo as coisas foram ficando mais complexas, ensinaram-me o alfabeto, e antes que chegasse a hora de ser alfabetizada eu pedi a professora para me avançar uma série, e eu tinha fortes argumentos para o meu pleito, e então uma tampinha de 5 anos encheu a lousa com o alfabeto, dizendo que poderia aprender a ler e a escrever imediatamente.
Mas por que diabos eu queria crescer tão rápido, por que queria me adiantar um ano na escola?
Neste ritmo frenético eu cresci, na ânsia de alcançar, o que nem sei.
Aos 18, faculdade, aos 23, advogada, nada de genial, era meu desejo de normalidade.
Empregos, promoções, salário, participações, carro, roupas, lugares chiques, dinheiro, apartamento, decoração, cores e sabores… A carreira começava a me dar tudo que eu podia comprar, e a cada dia eu queria um pouco mais, e passei a ser escrava do meu estilo de vida.
Mas o meu jeito de viver, em nada me agradava, eu era frívola, e minha vida a cada dia estava mais vazia de sentido, vazia de pessoas, eu tinha pouquíssimos amigos, me relacionava profundamente com duas ou três pessoas, aos demais, eu fingia aridez, fingia nada, eu era a verdadeira figura da aridez emocional.
Eu não soube levar a minha vida de forma equilibrada, me dedicar a uma vertente, a carreira e a profissão, está matando o restante por inanição, e não posso me deixar morrer aos poucos, o que sobrará não é capaz de me manter sã pelos anos que virão. Deliberadamente estou me rebelando.
Façamos os seguintes questionamentos: i. Gosto de minha profissão? ii. Por que me chamar todas essas responsabilidades? Ter carro, ter casa, guardar dinheiro, isso é importante para mim? Se for, o quanto?
Meu coração e minha alma me dizem que gostariam de sair para ver o mundo, conhecer lugares, pessoas, comidas diferentes, aprender línguas, estudar filosofia, psicologia ou aromoterapia…
Tantas coisas na minha cabeça, mas agora eu voltei pra casa, para o meu mundinho de coisas tristes, nele vou viver até o florescimento dos meus desejos e vontades. Também é verdade que há tempo para tudo, o tempo de mudar chegará, enquanto isso, peço a Deus ‘a coragem dos tragais na rota dos ventos, a inocência das flores expostas às abelhas e a paciência das pedras no leito dos rios’…
CSD./
Não é possível que em mais de dois mil anos de produção intelectual ninguém tenha dito que fazer um adolescente escolher uma carreira aos 16, 17 ou 18 anos seja uma barbaridade. Muito mais, quem diz aos jovens que devem ter uma carreira? Mais especificamente, quem me enfiou na cabeça que eu preciso de uma carreira pra ser feliz?
Tudo começou assim, eu devia ter uns 2 anos, me enfiaram um lápis na mão e comecei a desenhar, pintar, etc., atividades simples…
Com o tempo as coisas foram ficando mais complexas, ensinaram-me o alfabeto, e antes que chegasse a hora de ser alfabetizada eu pedi a professora para me avançar uma série, e eu tinha fortes argumentos para o meu pleito, e então uma tampinha de 5 anos encheu a lousa com o alfabeto, dizendo que poderia aprender a ler e a escrever imediatamente.
Mas por que diabos eu queria crescer tão rápido, por que queria me adiantar um ano na escola?
Neste ritmo frenético eu cresci, na ânsia de alcançar, o que nem sei.
Aos 18, faculdade, aos 23, advogada, nada de genial, era meu desejo de normalidade.
Empregos, promoções, salário, participações, carro, roupas, lugares chiques, dinheiro, apartamento, decoração, cores e sabores… A carreira começava a me dar tudo que eu podia comprar, e a cada dia eu queria um pouco mais, e passei a ser escrava do meu estilo de vida.
Mas o meu jeito de viver, em nada me agradava, eu era frívola, e minha vida a cada dia estava mais vazia de sentido, vazia de pessoas, eu tinha pouquíssimos amigos, me relacionava profundamente com duas ou três pessoas, aos demais, eu fingia aridez, fingia nada, eu era a verdadeira figura da aridez emocional.
Eu não soube levar a minha vida de forma equilibrada, me dedicar a uma vertente, a carreira e a profissão, está matando o restante por inanição, e não posso me deixar morrer aos poucos, o que sobrará não é capaz de me manter sã pelos anos que virão. Deliberadamente estou me rebelando.
Façamos os seguintes questionamentos: i. Gosto de minha profissão? ii. Por que me chamar todas essas responsabilidades? Ter carro, ter casa, guardar dinheiro, isso é importante para mim? Se for, o quanto?
Meu coração e minha alma me dizem que gostariam de sair para ver o mundo, conhecer lugares, pessoas, comidas diferentes, aprender línguas, estudar filosofia, psicologia ou aromoterapia…
Tantas coisas na minha cabeça, mas agora eu voltei pra casa, para o meu mundinho de coisas tristes, nele vou viver até o florescimento dos meus desejos e vontades. Também é verdade que há tempo para tudo, o tempo de mudar chegará, enquanto isso, peço a Deus ‘a coragem dos tragais na rota dos ventos, a inocência das flores expostas às abelhas e a paciência das pedras no leito dos rios’…
CSD./
2 comentários:
Oi minininha. Vim aki pra atualizar meu comentários mas vc já o fez.
Bom, o que mais me chamou a atenção neste teu desabafo é vc ter usado o tempo passado pra falar da sua vida. "Mas o meu jeito de viver, em nada me AGRADAVA, eu ERA frívola, e minha vida a cada dia estava mais vazia de sentido, vazia de pessoas, eu TINHA pouquíssimos amigos, me RELACIONAVA profundamente com duas ou três pessoas, aos demais, eu fingia aridez, fingia nada, eu era a verdadeira figura da aridez emocional."
Vc percebeu?
Não, não havia percebido, não foi uma escolha consciente...
Enfim, nem sei... deixa passar! Preciso de um pouco de calma!
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