Deve ocorrer em breve
uma brisa que leve
um jeito de chuva
à última branca de neve.
Até lá, observe-se
a mais estrita disciplina.
A sombra máxima
pode vir da luz mínima.
Paulo Leminski
"Quem quiser nascer tem que destruir um mundo; destruir no sentido de romper com o passado e as tradições já mortas, de desvincular-se do meio excessivamente cômodo e seguro da infância para a consequente dolorosa busca da própria razão do existir: ser é ousar ser." Hermann Hesse
sábado, 17 de outubro de 2009
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Ruptura

Converter a derrocada em uma ruptura, eis toda a função de um mestre. O psicoterapeuta simplesmente põe remendos. Essa é a sua função. Ele não está ali para transformá-lo. Você precisa de uma metapsicologia -- a psicologia dos budas. Sofrer uma derrocada conscientemente é a maior aventura da vida. É o maior risco, porque não há nenhuma garantia de que a derrocada se transformará em uma ruptura. Ela se transforma, mas essas coisas não podem ser garantidas. O caos em que você se encontra é muito antigo -- por muitas, muitas vidas você tem estado no caos. Trata-se de um caos espesso e denso. É quase um universo em si mesmo. Portanto, quando você o desafia com sua capacidade limitada, é claro que há perigo. Sem desafiar, porém, esse perigo, ninguém jamais se tornou integrado, ninguém jamais se tornou um indivíduo, indivisível.O Zen, ou a meditação, é o método que irá ajudá-lo a passar através do caos, pela noite escura da alma, com equilíbrio, disciplinado, alerta.O alvorecer não está muito longe, mas antes que lhe seja possível alcançar o nascer do dia, a noite escura precisará ser atravessada. À medida que a alvorada for se aproximando, a noite se tornará ainda mais escura.
Osho Walking in Zen, Sitting in Zen Chapter 1
Comentário:
A predominância do vermelho nesta carta indica, logo à primeira vista, que o seu tema é a energia, o poder e a força. A aura brilhante emana do plexo solar ou centro de poder da figura, e a sua postura é de exuberância e determinação. Todos nós atingimos ocasionalmente um ponto em que "bastante é o bastante". Nesses momentos parece que precisamos fazer alguma coisa, qualquer coisa, ainda que mais tarde essa coisa se revele um engano. Precisamos deixar de lado as cargas e restrições que nos estão limitando. Se não fazemos isso, elas ameaçam sufocar e neutralizar nossa própria energia vital.Se neste momento você está sentindo que "bastante é o bastante", aceite o risco de romper com os velhos padrões e limitações que têm impedido a sua energia de fluir. Ao fazê-lo, você ficará surpreso com a vitalidade e com a energia que essa Ruptura trará à sua vida.
A cartinha da vez... Já estava com saudade das edificantes mensagens!
domingo, 20 de setembro de 2009
Reflexões para um sábado a noite...
Minha preocupação com alguns fatos que vivo por aqui é tão inútil... Depois que voltei e que me deparei com minha maior dor, tudo que tenho tentado fazer é me encaixar numa vida que não é a minha, uma tentativa boba de fingir normalidade, mais um engodo.
Simplesmente não caibo mais nas roupas que vestia quando tinha dezesseis ou dezessete anos. Não adianta ligar para T., F., A., ir a festas com B., frequentar os velhos lugares e ficar procurando os velhos rostos, eles simplemente não estão lá, ou se estão, mudaram tanto quanto o meu, e o passado não adianta reeditar. Foi bom, foi divertido e durou o necessário, depois eu parti para uma vida diferente, encontrei coisas melhores e coisas piores, mas a vida aconteceu e continua acontecendo dentro de mim.
Este momento é uma pausa, uma parada para entender... E hoje entendi tanto. Entendi que o tempo não volta atrás, que relações construídas sob a areia são frágeis e podem nos desabrigar a qualquer momento, e é bom ter cuidado, e há coisas que talvez não carecem falar, a menos que seja perguntado.
Lembrei-me, num insight, de um presente que recebi da minha mãe, que outro dia encontrei aqui guardado no closet da vovó, era um pequeno ponei, que no passado era montado por um principezinho, que se perdeu com o tempo, mas aquele cavalinho continou por aqui, guardado me esperando, talvez como o amor dela, não exatamente como imaginei que seria, mas como pode ser... Talvez minha mãe realmente tenha me amado, talvez essa seja a única justificativa para que eu esteja viva depois de tudo. Talvez Deus tenha tentado me ajudar a entender isso todo esse tempo, mas eu sou uma filha teimosa. Talvez esse seja mesmo o meu modo, talvez errar seja meu modo de aprender, mas não posso odiar meus erros, eles são minha única chance de acertar.
Este momento é uma pausa, uma parada para entender... E hoje entendi tanto. Entendi que o tempo não volta atrás, que relações construídas sob a areia são frágeis e podem nos desabrigar a qualquer momento, e é bom ter cuidado, e há coisas que talvez não carecem falar, a menos que seja perguntado.
Lembrei-me, num insight, de um presente que recebi da minha mãe, que outro dia encontrei aqui guardado no closet da vovó, era um pequeno ponei, que no passado era montado por um principezinho, que se perdeu com o tempo, mas aquele cavalinho continou por aqui, guardado me esperando, talvez como o amor dela, não exatamente como imaginei que seria, mas como pode ser... Talvez minha mãe realmente tenha me amado, talvez essa seja a única justificativa para que eu esteja viva depois de tudo. Talvez Deus tenha tentado me ajudar a entender isso todo esse tempo, mas eu sou uma filha teimosa. Talvez esse seja mesmo o meu modo, talvez errar seja meu modo de aprender, mas não posso odiar meus erros, eles são minha única chance de acertar.
Talvez eu sempre tenha sido apaixonada pelas ilusões, aquelas que fazem crer apenas no que se pode experimentar com os cinco sentidos básicos, pois precisa-se ver, sentir, tocar para acreditar, no que, muitas vezes, não é real.
Naquele que posso intitular o pior dia da minha vida estive cercada de pessoas, que diziam coisas programadas, que me abraçavam mecanicamente, muitas delas até com carinho e compadecimento... Mas naquele dia duas pessoas estavam comigo. Ele quieto, calado, mas me oferecedo seu amor em singelos gestos. Ela falou comigo ao telefone, foi a única a entender o que eu estava sentindo, e por telefone (sem ver, sem estar presente, sem tocar) me deu o mais caloroso abraço, quero que ela saiba disso, que me deu o melhor abraço naquele dia escuro e trouxe um pouco de luz à minha escuridão.
Isso só me prova que tenho acreditado em ilusões, em ficções por muito tempo. Não é doloroso estar só, embora o melhor de mim se faça quando posso doar algo a alguém, doar de verdade, sem esperar contrapartida. Não importa que eu tenha cometidos erros, embora não possa mudar nada que passou, o futuro está a minha disposição para fazer algo melhor. Embora eu sempre tenha adorado a presença física, a voz, a proximidade daqueles que eu amo, o verdadeiro amor continua sendo eradiado, e só se deixa de percebê-lo se cortar os 'fios' e trancar o coração, há muitos meios de torná-lo embotado, como por exemplo perceber apenas pelos cinco sentidos básicos, quando na verdade o mais verdadeiro acontece a revelia deles.
É natural que eu caia diante de antigos vícios, mas aos poucos sinto o nascimento de uma nova razão, que tem mais a ver com sensitividade do que com racionalidade. E por isso não carece de explicações meticulosas. Não se sente meticulosamente, o sentir é inteiro, sem frações, sem compartimento, é sempre cheio, o que se pode dividir em átomos é só a racionalidade.
Naquele que posso intitular o pior dia da minha vida estive cercada de pessoas, que diziam coisas programadas, que me abraçavam mecanicamente, muitas delas até com carinho e compadecimento... Mas naquele dia duas pessoas estavam comigo. Ele quieto, calado, mas me oferecedo seu amor em singelos gestos. Ela falou comigo ao telefone, foi a única a entender o que eu estava sentindo, e por telefone (sem ver, sem estar presente, sem tocar) me deu o mais caloroso abraço, quero que ela saiba disso, que me deu o melhor abraço naquele dia escuro e trouxe um pouco de luz à minha escuridão.
Isso só me prova que tenho acreditado em ilusões, em ficções por muito tempo. Não é doloroso estar só, embora o melhor de mim se faça quando posso doar algo a alguém, doar de verdade, sem esperar contrapartida. Não importa que eu tenha cometidos erros, embora não possa mudar nada que passou, o futuro está a minha disposição para fazer algo melhor. Embora eu sempre tenha adorado a presença física, a voz, a proximidade daqueles que eu amo, o verdadeiro amor continua sendo eradiado, e só se deixa de percebê-lo se cortar os 'fios' e trancar o coração, há muitos meios de torná-lo embotado, como por exemplo perceber apenas pelos cinco sentidos básicos, quando na verdade o mais verdadeiro acontece a revelia deles.
É natural que eu caia diante de antigos vícios, mas aos poucos sinto o nascimento de uma nova razão, que tem mais a ver com sensitividade do que com racionalidade. E por isso não carece de explicações meticulosas. Não se sente meticulosamente, o sentir é inteiro, sem frações, sem compartimento, é sempre cheio, o que se pode dividir em átomos é só a racionalidade.
Sinto uma enorme gratidão, por tudo que aconteceu nesses últimos vinte e sete anos, porque é tão cedo, ainda há muito que viver, e a chance de fazer melhor me enche de esperança. Afinal ser assim tão imperfeita é a garantia de que essa vida tem sim um enorme sentido.
CSD./
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
Meu exercício preferido
Já estava com saudades de escrever... Fazia algum tempo que não nos encontravamos eu e a tela branca, ansiosa por letras, mas hoje nos reencontramos, engraçado ser justo hoje, ainda pouco ouvi um barulho tímido na janela, corri pra ver, e era chuva! Chuva, Chuva, Chuva!!! Saudades dela, havia três meses que ela não aparecia por aqui, e a terra clamava por ela, tudo estava tão seco, mas a chuva tudo fecunda, até o meu desejo de escrever.
Tudo está a um passo de mudar mais uma vez... Ainda não sou uma adoradora das mudanças, mas agora já resisto menos a elas, não porque gosto, é porque descobri que dói menos assim. Prefiro abrir a mão e entregar, de outro modo me seria arrancado, afinal é assim que acontece, a dinâmica das coisas que jamais entenderei.
E é com uma espécie de saudade de tudo (aquilo que foi bom e que não foi) é que olho por uma janela, o único sentido funcionando é a visão, não escuto nada, e as pessoas não me veem, mas eu enxergo todos os gestos mudos, os corpos cheios de expressão, e nada mais é dissimulado...
As palavras são capazes de elaborar os grandes tratados sobre a mentira, a invalidez, o nulo, a perfídia... Como as palavras fazemos as maiores negociatas conosco e com os outros, nada que sai de uma boca é verdade quando justifica, a verdade é qualquer outra coisa, e o que se fala não se sente, os sentimentos são incomunicáveis, os sentimentos quando muito apenas se versejam, puros e intocados.
Mas a humanidade continua querendo falar... E palavras mentirosas se dizem aos pais, aos amigos, ao analista. A verdade está quieta, muda, incólume, esperando que um dia se tenha coragem para olhá-la. A verdade quase sempre está longe da beleza, por isso é tão difícil encará-la.
Melhor não ouvir as justificativas, nem as nossas e nem as dos outros, melhor é continuar a observar pela janela, em silêncio...
CSD./
quarta-feira, 12 de agosto de 2009
Playfullness
No momento em que você começa a enxergar a vida como uma coisa não-séria, como uma brincadeira, toda a pressão sobre o seu coração desaparece. Todo o medo da morte, da vida, do amor -- tudo desaparece. A pessoa começa a se sentir muito leve, ou quase sem peso nenhum. Tão leve ela se torna, que é capaz de voar no céu aberto.A maior contribuição do Zen é oferecer-lhe uma alternativa à postura de homem sério. O homem sério fez o mundo, o homem sério inventou todas as religiões. Ele criou todas as filosofias, todas as culturas, todas as moralidades; tudo o que existe à sua volta é uma criação do homem sério. O Zen excluiu-se do mundo sério. Criou um mundo próprio muito divertido, cheio de risos, no qual até os grandes mestres se comportam como crianças.
Osho Nansen: The Point of Departure Chapter 8
Osho Nansen: The Point of Departure Chapter 8
Comentário:
A vida raramente é tão séria quanto acreditamos que seja, e quando reconhecemos este fato, ela responde oferecendo-nos cada vez mais oportunidades para brincar.
A vida raramente é tão séria quanto acreditamos que seja, e quando reconhecemos este fato, ela responde oferecendo-nos cada vez mais oportunidades para brincar.
A mulher desta carta está celebrando a alegria de estar viva, como uma borboleta que emergiu da sua crisálida para as promessas da luz. Ela nos faz lembrar do tempo em que éramos crianças, encontrando conchas na praia ou construindo castelos na areia, sem nenhuma preocupação com ondas que pudessem vir e desmanchá-los no momento seguinte. Ela sabe que a vida é um jogo, e está desempenhando neste momento o papel de um palhaço, sem nenhum constrangimento ou pretensão.
Quando o Valete do Fogo entra em sua vida, é um sinal de que você está preparado para receber o novo. Alguma coisa maravilhosa está despontando no horizonte, e você tem exatamente a qualidade da inocência feliz e da lucidez, para recepcioná-la de braços abertos.
segunda-feira, 3 de agosto de 2009
Sonhando...
Não precisa ser perfeito, até porque perfeição não existe... Precisa ser novo, e trazer consigo a magia de ensinar... De me ensinar a viver a novidade...
Me ensinar sobre o antigo, sobre o contemporâneo, me ensinar a viver mais e melhor...
Me ensinar que nunca é tarde para aprender quando se tem esperança e, sobretudo, coragem...
Para que, enfim, eu aprenda que se pode recomeçar, em qualquer estação do ano ou da vida...
Que a vida é o que queremos que ela seja, e que da minha quero um jardim...

E que no fundo, esse lugar, onde eu quero estar já existe dentro do meu coração...
CSD./
terça-feira, 28 de julho de 2009
Beatriz
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Edu Lobo e Chico Buarque, em 1982
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Edu Lobo e Chico Buarque, em 1982
Cada pedaço de mim sabe o inferno que é ser sol em noites de chuva, ser cor nos cinzas dos edifícios, ser luz na escuridão das manhãs. Cada todo de ti sabe a delícia que é ser flor nas asas do vento, ser cristal nos olhos das fadas, ser azul no fundo do mar. Cada suspiro de nós sabe a angústia que é ser só um na multidão dos dias, ser muito na pobreza da esquina, ser ninguém na roda da vida. Enquanto isso os relógios se vão, e vêem aqueles que sabem o que é apenas ser na ausência do nada.
Clarice Lispector
sábado, 18 de julho de 2009
A árvore de cedro do quintal...
De manhã ao acordar percebi que o cedro plantado pelo meu avô no quintal de casa havia, enfim, perdido todas as suas folhas, o que é natural no inverno.
Este fato tão comezinho me proporcionou uma reflexão sobre como começar de novo, do zero, sem sequer uma folha, assim como o cedro recomeça ao fim de todos os invernos. Afinal em minhas recentes descobertas eu havia optado por parar, repensar, reconsiderar minha vida, minhas escolhas para poder começar novamente partindo de outra premissa, vendo a vida por um novo ângulo.
Surpreendentemente este foi o assunto sobre o qual troquei as última palavras com meu avô, alguns minutos antes do acidente que lhe tirou a vida; eu lhe perguntei se ele havia percebido que seu cedro havia perdido todas as folhas, ele disse que sim...
Quando tudo aconteceu eu ainda estava pensando sobre isso, foi meu último pensamento antes do choque, antes de ser tomada por uma dor avassaladora, e isso não foi um acaso.
Eu perdi todas as minhas folhas, e estou juntando forças para começar de novo, vencer o inverno e ressurgir na primavera.
O meu avô também havia perdido todas as folhas, mas diferentemente de mim, este foi seu último inverno. Um novo ciclo se inicia para ele em um novo lugar; no desconhecido; no mistério mais profundo, em que literalmente morremos na esperança de renascer melhor.
Este fato tão comezinho me proporcionou uma reflexão sobre como começar de novo, do zero, sem sequer uma folha, assim como o cedro recomeça ao fim de todos os invernos. Afinal em minhas recentes descobertas eu havia optado por parar, repensar, reconsiderar minha vida, minhas escolhas para poder começar novamente partindo de outra premissa, vendo a vida por um novo ângulo.
Surpreendentemente este foi o assunto sobre o qual troquei as última palavras com meu avô, alguns minutos antes do acidente que lhe tirou a vida; eu lhe perguntei se ele havia percebido que seu cedro havia perdido todas as folhas, ele disse que sim...
Quando tudo aconteceu eu ainda estava pensando sobre isso, foi meu último pensamento antes do choque, antes de ser tomada por uma dor avassaladora, e isso não foi um acaso.
Eu perdi todas as minhas folhas, e estou juntando forças para começar de novo, vencer o inverno e ressurgir na primavera.
O meu avô também havia perdido todas as folhas, mas diferentemente de mim, este foi seu último inverno. Um novo ciclo se inicia para ele em um novo lugar; no desconhecido; no mistério mais profundo, em que literalmente morremos na esperança de renascer melhor.
CSD./
O cedro do quintal, esperando por novas folhas, assim como eu...sábado, 4 de julho de 2009
Viva la vida
Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso, já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar, mas também decepcionei alguém.
Já abracei pra proteger, já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, "quebrei a cara" muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só pra escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)! Mas vivi! E ainda vivo!
Não passo pela vida... Bom mesmo é ir a luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve a vida é MUITO para ser insignificante.
Autor desconhecido
As marcas que a vida deixa... São aprendizado e não castigo...
segunda-feira, 29 de junho de 2009
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Pertencer
Um amigo meu, médico, assegurou-se que desde o berço a criança sente o ambiente, a criança quer: nela o ser humano no berço mesmo já começou.Tenho certeza de que no berço a minha primeira vontade foi a de pertencer. Por motivos que aqui não importam, eu de algum modo devia estar sentindo que não pertencia a nada e a ninguém. Nasci de graça.
Se no berço experimentei essa fome humana, ela continua a me acompanhar pela vida afora, como se fosse um destino. A ponto de meu coração se contrair de inveja e desejo quando vejo uma freira: ela pertence a Deus.
Exatamente porque é tão forte em mim a fome de me dar a algo ou a alguém, é que me tornei bastante arisca: tenho medo de revelar de quanto preciso e de como sou pobre. Sou, sim. Muito pobre. Só tenho um corpo e uma alma. E preciso de mais do que isso. Quem sabe se comecei a escrever tão cedo na vida porque, escrevendo, pelo menos eu pertencia um pouco a mim mesma. O que é um fac-símile triste.
Com o tempo, sobretudo os últimos anos, perdi o jeito de ser gente. Não sei mais como se é. E uma espécie toda nova da “solidão de não pertencer” começou a me invadir como heras num muro.Se meu desejo mais antigo é o de pertencer, por que então nunca fiz parte de clubes ou de associações? Porque não é isso o que eu chamo de pertencer. O que eu queria, e não posso, é por exemplo que tudo o que me viesse de bom de dentro de mim eu pudesse dar àquilo que eu pertencesse. Mesmo minhas alegrias, como são solitárias às vezes. E uma alegria solitária pode se tornar patética. É como ficar com um presente todo embrulhado com papel enfeitado de presente nas mãos – e não ter a quem dizer: tome, é seu, abra-o! Não querendo me ver em situações patéticas e, por uma espécie de contenção, evitando o tom de tragédia, então raramente embrulho com papel de presente os meus sentimentos.
Pertencer não vem apenas de ser fraca e precisar unir-se a algo ou a alguém mais forte. Muitas vezes a vontade intensa de pertencer vem em mim de minha própria força – eu quero pertencer para que minha força não seja inútil e fortifique uma pessoa ou uma coisa.
Embora eu tenha uma alegria: pertenço, por exemplo, a meu país, e como milhões de outras pessoas sou a ele tão pertencente a ponto de ser brasileira. E eu que, muito sinceramente, jamais desejei ou jamais desejaria a popularidade – sou individualista demais para que pudesse suportar a invasão de que uma pessoa popular é vítima -, eu, que não quero a popularidade, sinto-me no entanto feliz de pertencer à literatura brasileira. Não, não é por orgulho, nem por ambição. Sou feliz de pertencer à literatura brasileira por motivos que nada têm a ver com a literatura, pois nem ao menos sou uma literata ou uma intelectual. Feliz apenas por “fazer parte”.
Quase consigo me visualizar no berço, quase consigo reproduzir em mim a vaga e no entanto premente sensação de precisar pertencer. Por motivos que nem minha mãe nem meu pai podiam controlar, eu nasci e fiquei apenas: nascida.
No entanto fui preparada para ser dada à luz de um modo tão bonito. Minha mãe já estava doente, e, por uma superstição bastante espalhada, acreditava-se que ter um filho curava uma mulher de uma doença. Então fui deliberadamente criada: com amor e esperança. Só que não curei minha mãe. E sinto até hoje essa carga de culpa: fizeram-me para uma missão determinada e eu falhei. Como se contassem comigo nas trincheiras de uma guerra e eu tivesse desertado. Sei que meus pais me perdoaram eu ter nascido em vão e tê-los traído na grande esperança. Mas eu, eu não me perdôo. Quereria que simplesmente se tivesse feito um milagre: eu nascer e curar minha mãe. Então, sim: eu teria pertencido a meu pai e a minha mãe. Eu nem podia confiar a alguém essa espécie de solidão de não pertencer porque, como desertor, eu tinha o segredo da fuga que por vergonha não podia ser conhecido. A vida me fez de vez em quando pertencer, como se fosse para me dar a medida do que eu perco não pertencendo. E então eu soube: pertencer é viver. Experimentei-o com a sede de quem está no deserto e bebe sôfrego os últimos goles d’água de um cantil. E depois a sede volta e é no deserto mesmo que caminho.
Clarice Lispector - in Aprendendo a Viver
Saudade Clarice! Saudade imensa... é no deserto mesmo que caminho...
sexta-feira, 5 de junho de 2009
My grief
Difícil escrever sobre esse momento... Uma mente aflita precisa de compreensão. Embora eu saiba que isso não terei, pois meu desejo não é uma necessidade para minha evolução.
Tantas coisas pelas quais a minha mente roga não me são dadas... E eu só preciso aceitar isso, aceitar o silêncio daqueles que amo, o amor que me é dado, aceitar o que falta e consolar meu coração, segurar o choro infantil e olhar adiante, e isso comprime minha garganta que prende o grito de dor.
E devo por fim esquecer o que digo, o que penso... Deixar tudo e ficar com nada! O nada é tudo!
CSD./
sexta-feira, 29 de maio de 2009
Friendliness

Primeiro dedique-se à meditação, atinja a bem-aventurança, e então muito amor se manifestará de maneira espontânea. Nessa condição, é belo estar com os outros e belo também é estar sozinho. É simples também. Você não depende dos outros e também não torna os outros dependentes de você. O que existe é sempre amizade, amistosidade. A coisa nunca se transforma numa relação; continua sendo uma afinidade. Você convive, mas não cria um casamento. O casamento nasce do medo, a afinidade nasce do amor.Você estabelece um relacionamento; enquanto as coisas andarem bem, você compartilha. Se você percebe que é chegado o momento de partir porque os caminhos se separam numa encruzilhada, você diz adeus com uma enorme gratidão por tudo que o outro foi para você, por todas as alegrias, todos os prazeres, e por todos os belos momentos compartilhados juntos. Sem nenhum sofrimento, sem nenhuma dor, você simplesmente se afasta.
Osho The White Lotus Chapter 10
Comentário:
Os ramos destas duas árvores floridas estão entrelaçados, e as suas pétalas caídas misturam-se no chão, com suas belas cores. É como se o céu e a terra estivessem interligados pelo amor. As árvores se erguem individualmente, cada qual enraizadas no solo, em sua própria conexão com a terra. Desse ponto de vista, simbolizam a essência dos verdadeiros amigos, maduros, cooperativos entre si, espontâneos. Não existe nenhuma ansiedade na ligação entre eles, nenhuma carência, nenhuma vontade de transformar o outro em alguma coisa diferente.
Esta carta indica uma prontidão para entrar nesta qualidade de amistosidade. Ao fazê-lo, você poderá notar que não está mais interessado nos diferentes tipos de dramas e romances em que as outras pessoas estão empenhadas. Não se trata de uma perda. É o surgimento de uma disposição de espírito mais elevada, mais carregada de amor, nascida de uma sensação de vivenciamento pleno. É o surgimento de um amor verdadeiramente incondicional, sem expectativas ou exigências.
Essa carta me deixou entusiasmada... Será que estou me aproximando disto? Será que enfim eu consegui deixar de lado minhas carências e minhas necessidades pra poder oferecer algo mais autêntico, mais puro, mais verdadeiro para alguém?
Eu desejei tanto isso, que um dia eu pudesse amar sem a ansiedade de transformar o ser amado, sem desejar que ele não parasse de me refletir... E hoje eu sinto nossa amizade tão matura, tão plena... E me sinto pronta para deixar aflorar esse amor incondicional, sem expectativas, sem exigências...
Você é meu amigo de fé
Você meu amigo de fé
Meu irmão camarada
Amigo de tantos caminhos
E tantas jornadas
Cabeça de homem
Mas coração de menino
Aquele que está do meu lado
Em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas
Meu bom companheiro
Você tantas vezes provou
Que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas
Amigo, você é o mais certo
Das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida
Em que precisamos de alguém prá ajudar na saída
A sua palavra de força, de fé e de carinho
Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho
Você meu amigo de fé Meu irmão camarada
Sorriso e abraço festivo na minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas
Amigo, você é o mais certo nas horas incertas
Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que eu tenho um grande amigo
Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que você é meu amigo
É inexplicável o prazer de ter amigos!
Meu irmão camarada
Amigo de tantos caminhos
E tantas jornadas
Cabeça de homem
Mas coração de menino
Aquele que está do meu lado
Em qualquer caminhada
Me lembro de todas as lutas
Meu bom companheiro
Você tantas vezes provou
Que é um grande guerreiro
O seu coração é uma casa de portas abertas
Amigo, você é o mais certo
Das horas incertas
As vezes em certos momentos difíceis da vida
Em que precisamos de alguém prá ajudar na saída
A sua palavra de força, de fé e de carinho
Me dá a certeza de que eu nunca estive sozinho
Você meu amigo de fé Meu irmão camarada
Sorriso e abraço festivo na minha chegada
Você que me diz as verdades com frases abertas
Amigo, você é o mais certo nas horas incertas
Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que eu tenho um grande amigo
Não preciso nem dizer
Tudo isso que eu lhe digo
Mas é muito bom saber
Que você é meu amigo
Do grande Roberto... Pra você querida amiga! Foi você quem me mostrou o quanto a letra dessa canção é linda e cheia de significado, inda mais para nós! Minha amiga de fé, minha irmã, camarada! Estou aprendendo que as vezes não se precisa de palavras, os sentimentos nos bastam!
É inexplicável o prazer de ter amigos!
domingo, 24 de maio de 2009
Hora de partir
Sempre imaginei que as lições sobre partida a gente aprendesse com os aeroportos... Era só passar em frente, e pronto, já se saberia partir nas asas de uma aeronave qualquer.
Sinto que se aproxima a passos largos meu momento de partir. Não tenho o que lamentar, nem remorso pelo que deixo para trás. Todas as lembranças estão grudadas na minha retina.
Uma inquietação?... Não ter a presença recorrente daqueles que amo, e de não saber qual será a dinâmica dos relacionamentos daqui para frente... A dúvida sempre aflige, e a saudade dói.
O que fazer? Tocar um tango argentino.
Minha mente aflita não para de perguntar, 'o que será daqui pra frente?'. Não tenho respostas, nenhuma resposta. Eu só quero viver, me incumbir de ir vivendo... Isso já é tão difícil.
O peito segue apertado. A despedida nunca é fácil, não achei que essa seria. Mas não preciso dizer adeus.
CSD./
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Somos muitos, mesmo sendo dois...
Eu queria ser poeta…
Conhecer o ofício de recolher palavras.
Realizar a proeza de desvendar os silêncios.
E descobrir o que o outro fala.
Mesmo quando ele não diz.
Eu queria ser amigo dos versos…
Possuir as asas que à inspiração pertencem.
E alcançar a palavra que possa ser a tradução do amor que sinto por você.
Mas do poeta eu só possuo os óculos,
Óculos são instrumentos que ampliam a visão.
O amor também.
E já que não sou poeta,
O amor é o que me resta.
Desde quando a vida me permitiu conhecer você,
Tenho experimentado a beleza do significado da amizade.
Quando nossos caminhos se encontraram, foi amizade à primeira vista.
Depois daquele encontro, meu mundo ficou mais bonito.
Sua presença quando os dias eram difíceis…
Quando pensei que felicidade era coisa de outro mundo.
Sua palavra me convenceu de que eu deveria continuar.
Suas alegrias despertando minhas alegrias…
Suas risadas me fazendo rir também.
Nossas madrugadas de conversas…
Vida dividida nas pequenas coisas.
Costura do tempo nos aproximando sempre mais.
Mas quando surgiram nossas diferenças…
Quando descobrimos nossos maiores defeitos…
Manifestações de protesto, crises nervosas, discursos desaforados…
A promessa de que iria embora definitivamente da sua vida…
E de que nunca mais voltaria a pronunciar seu nome.
Mas depois a saudade.
A ausência mensurada.
O arrependimento, o pedido de perdão…
E o aprendizado de que quanto mais a gente ama…
Muito mais a gente precisa perdoar.
O amor é o motivo do perdão.
E o perdão é a continuidade do amor.
Obrigado por ter me ajudado a entender isso.
Estar ao seu lado é sempre motivo de festa…
Quando estamos juntos a vida ganha um significado diferente.
Retiramos o dia comum do calendário, e o transformamos em feriado.
Extraímos felicidade das coisas mais simples.
E multiplicamos a graça de cada instante…
Eu não sei dizer quem eu sou, sem que me recorde de você.
Se da minha vida eu sou o sujeito, você é um adjetivo.
Você me empresta qualidade.
Você me devolve quando sou roubado.
Você me encontra quando estou perdido.
Pode ser que um dia a gente venha a se perder nas distâncias desse mundo.
Pode ser que um dia a gente se separe.
Nem sempre a vida respeita o que a gente quer.
Mas uma coisa é certa,
Se pela força da distância você se ausentar,
Pelo poder que há na saudade você há de voltar.
Mesmo que o tempo passe, você fique velhinho.
E viva aquela fase: põe meu amigo no sol, tira meu amigo do sol…
Mesmo que você perca toda a sua utilidade.
Dentro de mim, você continuará tendo significado.
E haverá sempre um lugar reservado em minha casa para você chegar quando quiser.
Eu não gostaria que a morte nos alcançasse sem antes poder lhe dizer…
Que nas miudezas dos meus dias que passam,
Você é um grande acontecimento que permanece.
Amar é um recurso humano, que nos faz eternos.
Recolhe e resguarda e não deixa morrer.
Retira da mira do tempo.
E aconchega a pessoa amada na certeza: Você não vai passar!
Hoje, neste dia em que a vida nos permitiu um encontro nestas páginas,
Neste instante em que seus olhos se ocupam das palavras que meu coração resolveu improvisar,
Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes em que você me enxergou melhor que eu.
Pela sua capacidade de me olhar devagar,
Já que nesta vida muita gente já me olhou depressa demais.
Eu que nem sempre soube acertar,
Aprendi com você que arrependimento é bem melhor do que culpa.
Obrigado por você não ter desistido de mim.
Obrigado pelo seu dom de multiplicar o que sou e o que posso.
Eu, que na solidão dos meus dias sou tentado a pensar pequeno,
Quando o encontro sou sempre surpreendido com seu poder,
De me fazer ver o mundo com as mesmas lentes dos poetas.
Obrigado hoje e sempre.
O que nos torna amigos é a capacidade de sermos muitos,
Mesmo quando somos dois.
Pe. Fabio de Melo
Conhecer o ofício de recolher palavras.
Realizar a proeza de desvendar os silêncios.
E descobrir o que o outro fala.
Mesmo quando ele não diz.
Eu queria ser amigo dos versos…
Possuir as asas que à inspiração pertencem.
E alcançar a palavra que possa ser a tradução do amor que sinto por você.
Mas do poeta eu só possuo os óculos,
Óculos são instrumentos que ampliam a visão.
O amor também.
E já que não sou poeta,
O amor é o que me resta.
Desde quando a vida me permitiu conhecer você,
Tenho experimentado a beleza do significado da amizade.
Quando nossos caminhos se encontraram, foi amizade à primeira vista.
Depois daquele encontro, meu mundo ficou mais bonito.
Sua presença quando os dias eram difíceis…
Quando pensei que felicidade era coisa de outro mundo.
Sua palavra me convenceu de que eu deveria continuar.
Suas alegrias despertando minhas alegrias…
Suas risadas me fazendo rir também.
Nossas madrugadas de conversas…
Vida dividida nas pequenas coisas.
Costura do tempo nos aproximando sempre mais.
Mas quando surgiram nossas diferenças…
Quando descobrimos nossos maiores defeitos…
Manifestações de protesto, crises nervosas, discursos desaforados…
A promessa de que iria embora definitivamente da sua vida…
E de que nunca mais voltaria a pronunciar seu nome.
Mas depois a saudade.
A ausência mensurada.
O arrependimento, o pedido de perdão…
E o aprendizado de que quanto mais a gente ama…
Muito mais a gente precisa perdoar.
O amor é o motivo do perdão.
E o perdão é a continuidade do amor.
Obrigado por ter me ajudado a entender isso.
Estar ao seu lado é sempre motivo de festa…
Quando estamos juntos a vida ganha um significado diferente.
Retiramos o dia comum do calendário, e o transformamos em feriado.
Extraímos felicidade das coisas mais simples.
E multiplicamos a graça de cada instante…
Eu não sei dizer quem eu sou, sem que me recorde de você.
Se da minha vida eu sou o sujeito, você é um adjetivo.
Você me empresta qualidade.
Você me devolve quando sou roubado.
Você me encontra quando estou perdido.
Pode ser que um dia a gente venha a se perder nas distâncias desse mundo.
Pode ser que um dia a gente se separe.
Nem sempre a vida respeita o que a gente quer.
Mas uma coisa é certa,
Se pela força da distância você se ausentar,
Pelo poder que há na saudade você há de voltar.
Mesmo que o tempo passe, você fique velhinho.
E viva aquela fase: põe meu amigo no sol, tira meu amigo do sol…
Mesmo que você perca toda a sua utilidade.
Dentro de mim, você continuará tendo significado.
E haverá sempre um lugar reservado em minha casa para você chegar quando quiser.
Eu não gostaria que a morte nos alcançasse sem antes poder lhe dizer…
Que nas miudezas dos meus dias que passam,
Você é um grande acontecimento que permanece.
Amar é um recurso humano, que nos faz eternos.
Recolhe e resguarda e não deixa morrer.
Retira da mira do tempo.
E aconchega a pessoa amada na certeza: Você não vai passar!
Hoje, neste dia em que a vida nos permitiu um encontro nestas páginas,
Neste instante em que seus olhos se ocupam das palavras que meu coração resolveu improvisar,
Eu gostaria de lhe agradecer pelas inúmeras vezes em que você me enxergou melhor que eu.
Pela sua capacidade de me olhar devagar,
Já que nesta vida muita gente já me olhou depressa demais.
Eu que nem sempre soube acertar,
Aprendi com você que arrependimento é bem melhor do que culpa.
Obrigado por você não ter desistido de mim.
Obrigado pelo seu dom de multiplicar o que sou e o que posso.
Eu, que na solidão dos meus dias sou tentado a pensar pequeno,
Quando o encontro sou sempre surpreendido com seu poder,
De me fazer ver o mundo com as mesmas lentes dos poetas.
Obrigado hoje e sempre.
O que nos torna amigos é a capacidade de sermos muitos,
Mesmo quando somos dois.
Pe. Fabio de Melo
Esse texto não poderia ser mais perfeito para dedicar-lhe. Obrigada ao Pe. Fabio por me emprestar as palavras.
O rebelde
Ontem a noite, pela primeira vez eu tirei uma carta pensando em algo que nos fosse comum (a nós duas). E me deparei com essa leitura.
Essa é a nossa natureza, embora por vezes pensemos no quanto seria mais fácil estar com a massa amorfa, não é lá que estamos, e sou agradecida por isso, por essa fagulha dentro do meu coração que me impulsiona, mesmo quando nada mais faça sentido... O sentido para tudo ainda está dentro de nós!
Essa é a nossa natureza, embora por vezes pensemos no quanto seria mais fácil estar com a massa amorfa, não é lá que estamos, e sou agradecida por isso, por essa fagulha dentro do meu coração que me impulsiona, mesmo quando nada mais faça sentido... O sentido para tudo ainda está dentro de nós!

As pessoas têm muito medo daqueles que conhecem a si mesmos. Estes têm um certo poder, uma certa aura e um certo magnetismo, um carisma capaz de libertar os jovens, ainda cheios de vida, do aprisionamento tradicional...
O homem iluminado não pode ser escravizado -- este é o problema -- e não pode ser feito prisioneiro... Todo gênio que tenha conhecido um pouco do seu íntimo está fadado a ser um pouco difícil de ser absorvido: ele deverá ser uma força perturbadora. As massas não querem ser perturbadas, ainda que se encontrem na miséria; estão na miséria, mas estão acostumadas com isso, e qualquer um que não seja um miserável parece um estranho.
O homem iluminado é o maior forasteiro do mundo; ele parece não pertencer a ninguém. Nenhuma organização consegue confiná-lo, nenhuma comunidade, nenhuma sociedade, nenhuma nação.
Osho The Zen Manifesto: Freedom from Oneself Chapter 9
Comentário:
A figura de poder e autoridade desta carta é, visivelmente, de alguém que é senhor do seu próprio destino. Em seu ombro, há uma representação do sol, e a tocha que ele segura na mão direita simboliza a luz da sua própria verdade, arduamente conquistada. Rico ou pobre, o Rebelde é de fato um imperador, porque quebrou as correntes do condicionamento repressivo e das opiniões da sociedade. Ele deu forma a si mesmo abraçando todas as cores do arco-íris, aflorando das raízes obscuras e amorfas de seu passado inconsciente, e criando asas para voar para o céu. A sua própria maneira de ser é rebelde -- não porque esteja lutando contra alguém ou contra qualquer coisa, mas porque ele descobriu a sua própria natureza verdadeira e está determinado a viver de acordo com ela. A águia é o animal com o qual se afina espiritualmente, um mensageiro entre a terra e o céu. O Rebelde nos desafia a ser suficientemente corajosos para assumir responsabilidade por quem somos, e para viver a nossa verdade.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
Previsão do tempo para 2009*
Bom, se o ajudarmos
a ser bom. Céu claro
se nossos pensamentos forem claros
A luz começa
na boa vontade da alma - e dos olhos.
Somos responsáveis
pelo bom tempo,
Compreensão, simpatia, impulso de ajudar
tornar belas as manhãs
e embalar as noites
em casa e no mundo
Carlos Drummond de Andrade
a ser bom. Céu claro
se nossos pensamentos forem claros
A luz começa
na boa vontade da alma - e dos olhos.
Somos responsáveis
pelo bom tempo,
Compreensão, simpatia, impulso de ajudar
tornar belas as manhãs
e embalar as noites
em casa e no mundo
Carlos Drummond de Andrade
* A previsão do tempo era para 1967, mas creio que nos servirá para todos os anos.
Este ano não está sendo nada fácil, mas eu creio que há um propósito maior em tudo isso, pra você e pra mim.
Enfrentar as tempestadas é um velho ofício seu... Essa é apenas mais uma, e logo virá o tempo bom, a brisa leve... Força e coragem irmã!
sexta-feira, 15 de maio de 2009
Compreendendo

Você está fora da prisão, fora da gaiola; pode abrir as asas e o céu inteiro é seu. Todas as estrelas e a lua e o sol, pertencem a você. Você pode desaparecer no azul do além... Basta desfazer-se do apego a essa gaiola. Saia dela, e o céu inteiro será seu. Abra as suas asas e voe passando à frente do sol, como uma águia.
No céu interior, no mundo interior, a liberdade é o valor mais alto -- tudo o mais é secundário, inclusive a bem-aventurança, o êxtase. Existem milhares de flores, elas são incontáveis, mas todas elas só se tornam possíveis em clima de liberdade.
Osho Christianity, the Deadliest Poison and Zen… Chapter 6
Comentário:
O pássaro retratado nesta carta está olhando para fora, do que parece ser uma gaiola. Não há porta; na verdade, as barras estão desaparecendo. As grades eram uma ilusão, e esta avezinha está sendo atraída pela graça, pela liberdade e pelo encorajamento das outras. Ela está abrindo suas asas, pronta para alçar vôo pela primeira vez. O surgimento de uma nova compreensão -- o de que a gaiola sempre esteve aberta e o céu sempre esteve ali para que nós o explorássemos -- pode fazer com que nos sintamos um pouco abalados de início. Está bem, e é natural sentir-se chocado, mas não deixe que isso desperdice a oportunidade para vivenciar a leveza de coração e a aventura que lhe estão sendo oferecidas ali mesmo, junto com a sensação de abalo.Deixe-se levar pela delicadeza e gentileza desse momento. Sinta o bater de asas dentro de você. Abra as asas e seja livre.
No céu interior, no mundo interior, a liberdade é o valor mais alto -- tudo o mais é secundário, inclusive a bem-aventurança, o êxtase. Existem milhares de flores, elas são incontáveis, mas todas elas só se tornam possíveis em clima de liberdade.
Osho Christianity, the Deadliest Poison and Zen… Chapter 6
Comentário:
O pássaro retratado nesta carta está olhando para fora, do que parece ser uma gaiola. Não há porta; na verdade, as barras estão desaparecendo. As grades eram uma ilusão, e esta avezinha está sendo atraída pela graça, pela liberdade e pelo encorajamento das outras. Ela está abrindo suas asas, pronta para alçar vôo pela primeira vez. O surgimento de uma nova compreensão -- o de que a gaiola sempre esteve aberta e o céu sempre esteve ali para que nós o explorássemos -- pode fazer com que nos sintamos um pouco abalados de início. Está bem, e é natural sentir-se chocado, mas não deixe que isso desperdice a oportunidade para vivenciar a leveza de coração e a aventura que lhe estão sendo oferecidas ali mesmo, junto com a sensação de abalo.Deixe-se levar pela delicadeza e gentileza desse momento. Sinta o bater de asas dentro de você. Abra as asas e seja livre.
Enfim a liberdade. Rompi com todas as amarras que me mantinham presa a uma vidinha infeliz, fazendo o que não gostava, sendo quem eu não era. Me preparei tanto para esse momento, o sofrimento foi a ponte que me levou ao outro lado.
E finalmente era hora de voltar para casa. Mas não deu tempo de te levar pra praia, de passear com você, de poder dar um pouco de alegria a quem trabalhou tanto em prol dos outros... Como eu queria tanto ter feito isso por nós.
Mas por outro lado, houve tempo para te dizer o quanto eu queria voltar, e você estava tão feliz por isso, e você me fez muito feliz por ter deixado tudo preparado para mim, você nem sabe, mas esse seu gesto significou todo o amor, o carinho e o cuidado que você sempre teve por mim, e que por muitas vezes não vi por estar muito distraída... Eu sei que amor não se agradece, amor merece reciprocidade, e você sabe que eu te amo, e sempre vou te amar.
Um novo tempo começou... Pouco sei do que virá pela frente, mas quero poder seguir honrando-te e te deixando orgulhosa dos teus frutos.
sábado, 9 de maio de 2009
Para Sempre
Por que Deus permite
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-las um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixaria uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto ao seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
Como é difícil aceitar a sua ausência. A saudade é inevitável... Um dia a gente vai se encontrar, e você vai novamente me levar pela mão.
que as mães vão se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não se apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.
Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-las um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixaria uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto ao seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.
Carlos Drummond de Andrade
Como é difícil aceitar a sua ausência. A saudade é inevitável... Um dia a gente vai se encontrar, e você vai novamente me levar pela mão.
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