quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Viajando...

A vida é uma continuidade, sempre e sempre. Não existe um destino final ao qual ela esteja se dirigindo. Apenas a peregrinação, apenas a viagem em si já é a vida, não o chegar a algum ponto, a alguma meta -- apenas dançar e estar em peregrinação, movendo-se alegremente sem se preocupar com nenhum ponto de chegada.O que você fará depois que chegar a um destino? Ninguém nunca fez esta pergunta porque todo mundo está empenhado em ter alguma meta na vida. Porém, as implicações disso...Se você atingir de fato o destino final da vida, o que vem depois? Você irá parecer muito desapontado! Não haverá lugar aonde ir... você já alcançou o ponto de destino... -- e ao longo da viagem deixou escapar tudo. Era preciso deixar passar! Então, nu e plantado no ponto de chegada, você ficará olhando em volta como um idiota: qual era mesmo o propósito disso tudo...? Você esteve se apressando tanto, preocupando-se tanto, e este é o resultado final.

Osho Rinzai: Master of the Irrational Chapter 7

Comentário:

A pequenina figura que se desloca pela trilha que corta esta bela paisagem, não está preocupada em chegar a qualquer destino. Ele, ou ela, sabe que a viagem é a própria meta, que a peregrinação em si é o santuário. Cada passo no caminho é importante por si mesmo.
Quando esta carta aparece numa leitura, indica um tempo de movimento e mudança. Pode ser um deslocamento físico de um lugar para o próximo, ou um movimento interior de uma maneira de ser para outra. Qualquer que seja o caso, porém, esta carta assegura que a mudança será fácil, e que trará um sentimento de aventura e de crescimento; não há nenhuma necessidade de se esforçar nem de planejar em demasia. Esta carta da "Viagem" também nos lembra de que devemos aceitar e acolher o novo, exatamente como acontece quando viajamos para um outro país, com uma cultura e um ambiente diferentes daqueles a que estamos acostumados. Esta atitude de abertura e de aceitação estimula o surgimento de novos amigos e de novas experiências na nossa vida.


Coincidência ou não tudo aponta para esse tempo de mudança, para esse deslocamento físico e/ou emocional/comportamental. E já nem é preciso pensar ou premeditar mais, as coisas se sucedem e tudo parece "linkado".
Sigo naturalmente o fluxo a medida que tento de todas as formas melhorar o agora.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

O reencontro com a chuva...

Os pingos de chuva começavam a cair lá fora... Eu dentro de casa, tão inquieta, a ameaça de chuva parecia me provocar, me chamar...
E fui ao encontro das águas celestes. Os pingos se tornavam mais abundantes e logo minha roupa estava completamente molhada, a água tocava o meu rosto e escorria cuidadosamente por todo meu corpo num processo catartíco, ela ia me limpando, lavando tudo...
A chuva e o vento me estremeciam, então comecei a caminhar além da minha rua, aos meus passos se seguiam os pensamentos, como numa espécie de filme, me lembrei de cada coisa ruim que eu havia feito ou sentido, e tudo aquilo que me envergonhava... Pedi perdão a mim mesma, esse é o perdão mais difícil de se obter, porque o perdão de Deus eu já tive.
Deus que sempre se ocupou de mim, mesmo a minha revelia, e jamais deixou nada do que me era necessário faltar. A Ele, sob a chuva, dirigi minha prece mais ardente, pedi que me ajudasse a deixar ir embora tudo aquilo que não preciso, que me ajudasse a soltar as amarras.
E Deus que sempre diz 'sim', me deu a chuva e as lágrimas, que lavaram-me por dentro e por fora.
Voltei para casa, para um banho quente e o descanso do corpo exausto de luta.

CSD./

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Some sweet words in your birthday

Eu ganhei uma irmã há oito anos... E é tão bom dizer o quanto sou feliz por tê-la presente em minha vida desde então.
Esta semana ela comemora mais um aniversário, e não há melhor momento para que eu demonstre meu amor e minha gratidão por essa convivência fraternal.
Ela e seu enorme coração capaz de compreender e olhar aos outros de forma tolerante, sem preconceito, um caminho que nega o egoísmo e a superficialidade das genéricas relações sociais e estabelece uma troca humana legítima e compensatória.
Sua simplicidade de ser é admirável. Sua leveza e desprendimento singulares. Sua fibra, seu bom senso, mas não são essas características nobres que mais me fazem gostar dela... Gosto sobremaneira de sua humanidade, de sua ternura e firmeza, de dentro dela sempre existir os dois lados em estado de equilíbrio.
Essa irmã me contrapõe muitas vezes, e eu também sei que a contrario, mas a nisso uma espécie de prova de nossa capacidade de conviver, de respeitar, e de amar o que realmente somos.
Nossas diferenças nos aproximam e assim tem sido por anos.
Ela que sempre me cuidou como a uma irmãzinha... Eu que sempre a tive como um motivo para querer ser melhor a cada dia.
Feliz Aniversário Lutti! Que o universo sempre te reserve aquilo que você espalha por ele... Felicidades, sonhos realizados, paz e muita saúde.

Sua irmãzinha que te ama!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Into the wild

Long Nights

Have no fear
For when I'm alone
I'll be better off than I was before

I've got this light
I'll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know
I've got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

Eddie Vedder


Partir conscientemente. Me descobri inclinada a isso.
Por que dormir descontente...
Ah, o preço de ter companhia.
Minha sombra vem comigo enquanto nós deixamos tudo, deixamos tudo para trás.
A riqueza dos bolsos vazios
O amor vai criar uma sensação de riqueza
Por que me conter como outro livro na estante?
Minha sombra deita-se comigo sob o grande sol branco...
Vozes súbitas no vento
E a verdade que elas estão contando.
O mundo começa onde a estrada acaba.
Observe-me deixar tudo pra trás.

E.V. in 'far behind'

A carta que tirei...

A energia do todo se apossou de você. Você está possuído, você nem mesmo existe mais: o que existe é o todo.
Neste momento, à medida que o silêncio o penetra, você vai sendo capaz de compreender a significância dele, porque é o mesmo silêncio vivenciado pelo Buda Gautama. É o mesmo silêncio de Chuang Tzu ou Bodhidharma, de Nansen... O sabor do silêncio é o mesmo.
Os tempos mudam, o mundo continua se transformando, mas a experiência do silêncio, a alegria que vem dele, permanece a mesma. Essa é a única coisa em que você pode confiar, a única coisa que nunca morre. Esta é a única coisa que você pode chamar de seu próprio ser.
/
Osho Zen: The Diamond Thunderbolt Chapter 1

Comentário:
A receptividade silenciosa de uma noite estrelada de lua cheia, semelhante à de um espelho, reflete-se abaixo no lago coberto de névoa. O rosto que aparece no céu está em meditação profunda: uma deusa da noite que traz profundidade, paz e compreensão.Este é um momento muito precioso. Será fácil para você repousar internamente, e sondar as origens do seu próprio silêncio interior até o ponto em que ele se confunde com o silêncio do universo.
Não há nada para fazer, lugar nenhum aonde ir, e a marca do seu silêncio interior permeia tudo o que você faz. Isso poderia deixar algumas pessoas sentirem-se desconfortáveis, acostumadas que estão com todo o barulho e atividade do mundo. Não importa. Procure encontrar as pessoas capazes de entrar em sintonia com o seu silêncio, ou então desfrute a sua solitude. Este é o momento de reencontrar-se consigo mesmo. A compreensão e os insights que lhe ocorrem nesses instantes manifestar-se-ão mais tarde, em uma fase de maior extroversão da sua vida.
/
Está fui eu mesma que tirei essa manhã, para testar...
Mas não faço mais!
/
CSD./

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Vuelvo al Sur

Vuelvo al Sur,
como se vuelve siempre al amor,
vuelvo a vos,
con mi deseo, con mi temor.
Llevo el Sur,
como un destino del corazon,
soy del Sur,
como los aires del bandoneon.
Sueño el Sur,
inmensa luna, cielo al reves,
busco el Sur,
el tiempo abierto, y su despues.
Quiero al Sur,
su buena gente, su dignidad,
siento el Sur,
como tu cuerpo en la intimidad.
Te quiero Sur,
Sur, te quiero.

Letra: Fernando E. Solanas
Musica: Astor Piazzolla


Interessante foi perceber como na música ou na literatura, que os argentinos frequentemente se referem ao "sur" e nele expressam o apego e a saudade da sua terra.
Tomo emprestado seu significado para dizer: que o sul é um caloroso abraço, o sul guarda meu coração, o sul é a saudade que sempre irei sentir...
Não me importa se o referencial hegemônico do mundo sempre foi o norte, para 'nortear' o que quer que seja, não me importa que as vezes pensemos que o céu aqui fica as avessas.
"Busco el Sur, el tiempo abierto, y su despues. Quiero al Sur, su buena gente, su dignidad..."
É bom sentir orgulho do que é... É bom se lembrar das raízes, onde quer que se esteja.
E o "Sul" sempre será um bom lugar para se voltar.

CSD./

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Cambalache

E esse blog virou uma 'tangueria'... Vai mais um em homenagem a minha revolta com a imoralidade. O mundo sempre foi assim, mas daqui pra frente para ser diferente só depende de cada um...

Cambalache

Que el mundo fue y sera una porqueria,
ya lo se;
en el quinientos seis
y en el dos mil también;
que siempre ha habido chorros,
maquiavelos y estafaos,
contentos y amargaos,
valores y dubles,
pero que el siglo veinte es un desplieguede malda insolente
ya no hay quien lo niegue;
vivimos revolcaos en un merengue
y en un mismo lodo todos manoseaos.
Hoy resulta que es lo mismo
ser derecho que traidor,
ignorante, sabio, chorro,
generoso, estafador.
Todo es igual; nada es mejor;
lo mismo un burro que un gran profesor.
No hay aplazaos ni escalafon;
los inmorales nos han igualao.
Si uno vive en la imposturay otro roba en su ambición,
da lo mismo que si es cura,
colchonero, rey de bastos,
caradura o polizon.
Que falta de respeto,
que atropello a la razon;
cualquiera es un señor,
cualquiera es un ladron.
Mezclaos con Staviskyvan
Don Bosco y la Mignon,
don Chicho y Napoleon,
Carnera y San Martin.
Igual que en la vidriera irrespetuosa
de los cambalaches
se ha mezclao la vida
y herida por un sable sin remaches
ves llorar la Bíblia contra un bandoneon.
Siglo veinte, cambalache
problematico y febril;
el que no llora, no mama,
y el que no roba es un gil.
Dale no mas, dale que va,
que alla en el horno nos vamo a encontrar.
No pienses mas, sentate a un lao,
que a nadie importa si naciste honrao.
Que es lo mismo el que trabaja
noche y día como un buey
que el que vive de los otros,
que el que mata que el que cura
o esta fuera de la ley.


Letra e Música de Enrique Santos Discépolo

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Esperança


A alegria do amor só é possível se você tiver conhecido a alegria de estar sozinho, porque só então você terá algo para compartilhar. De outra forma, serão dois mendigos se encontrando, agarrando-se um ao outro, mas não poderão obter o êxtase. Criarão infelicidade para ambos, porque cada um irá esperar em vão, que o outro o preencha. O outro está esperando a mesma coisa. Não podem se completar. Ambos estão cegos, não podem ajudar um ao outro.

Ouvi contar de um caçador que se perdeu na selva. Por três dias ele não conseguiu encontrar ninguém para perguntar pelo caminho de volta, e ele estava ficando cada vez mais assustado, entrando em pânico - três dias sem comer e com um medo constante de animais selvagens. Por três dias ele não foi capaz de dormir; ele ficava sentado acordado em alguma árvore, com receio de ser atacado. Havia cobras, leões, e outros animais selvagens.
No quarto dia de manhã cedo, ele viu um homem sentado debaixo de uma árvore. Você pode imaginar sua alegria. Ele correu, abraçou o homem, e disse: "Que alegria!" e o outro homem também o abraçou, e ambos estavam imensamente felizes. Depois eles perguntaram um ao outro, "Por que você está tão contente?"
O primeiro disse, "Eu estava perdido e esperava encontrar alguém." E o outro disse: "Eu também estou perdido e esperava encontrar alguém. Mas se ambos estamos perdidos então nossa felicidade é pura tolice. Agora estamos perdidos juntos!"
É isso que acontece: você está sozinho, a outra pessoa está sozinha. Então vocês se encontram. Primeiro há a lua-de-mel, o êxtase do encontro, o êxtase por não estarem mais sozinhos. Mas dentro de três dias ou, se você for inteligente o bastante, dentro de três horas... depende de quão inteligente você for. Se for tolo, irá levar mais tempo pois pessoas tolas são aquelas que não aprendem. Caso contrário, uma pessoa inteligente pode perceber em três minutos... "O que estamos tentando fazer? Não vai funcionar. Essa outra pessoa está tão sozinha quanto eu. Agora iremos viver juntos, serão duas solidões juntas. Juntar duas feridas não faz com que elas se curem."
Cada um de nós é parte dos outros, nenhum homem é uma ilha. Pertencemos a um continente invisível porém infinito. Nossa existência não possui limites.
Contudo, essas experiências só são vividas pelas pessoas que estão se aperfeiçoando, que estão em um estado de amor tão grande consigo mesmas que podem fechar os olhos, ficar sozinhas e ainda assim em êxtase absoluto. Essa é a essência da meditação.Meditação significa estar em êxtase dentro da sua solidão. Mas, quando você encontra o êxtase em sua solidão, logo esse êxtase se torna tão grande que você não pode contê-lo. Começa a transbordar de você. E quando começa a transbordar, torna-se amor. A meditação permite que o amor surja. E as pessoas que não conheceram a meditação jamais conhecerão o amor. Podem fingir que amam, mas não podem amar de fato. Apenas fingem, porque não têm nada para dar, não estão transbordantes. Amar é compartilhar. Mas antes que você possa compartilhar, você precisa ter algo para dar. A meditação deveria ser a primeira coisa. A meditação é o centro, o amor é a circunferência em torno dela. A meditação é a flor, o amor é o perfume.

Fonte: Osho Times

Você pode colocar no lugar de meditação a palavra consciência. Há várias maneiras de se chegar à consciencia, a meditação é uma delas.

LP./


Encontrei esse texto fazendo uma limpeza na caixa de e-mails, e ler isso hoje teve um pouco mais de sentido do que lê-lo há um ano e meio... Esse processo de busca da consciência é longo, o bom é que a cada dia pode ser melhor.

CSD./

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Malena (é um nome de um tango)...

Buenos Aires me deixou de herança dois cds de tango, os quais tenho escutado com relativa frequência (sem trema diz a nova regra ortográfica)...
É música para quem tem ouvido bom e permissivo, para quem gosta de ritmos que toquem os tímpanos e o coração. Os cantores e cantoras de tango lembram tenores, de voz grave e as vezes sibilante. Há quem os diga tristes, mas há também os festivos, apaixonados, debochados e de protesto. Pode-se dizer que é um movimento cultural engajado.

Aqui vai mais um que gosto, música e a letra, se chama Malena:

Malena canta el tango como ninguna
y en cada verso pone su corazón.
A yuyo del suburbio su voz perfuma,
Malena tiene pena de bandoneón.
Tal vez allá en la infancia su voz de alondra
tomó ese tono oscuro de callejón,
o acaso aquel romance que sólo nombra
cuando se pone triste con el alcohol.
Malena canta el tango con voz de sombra,
Malena tiene pena de bandoneón.

Tu canción
tiene el frío del último encuentro.
Tu canciónse hace amarga en la sal del recuerdo.
Yo no sési tu voz es la flor de una pena,
sólo sé que al rumor de tus tangos, Malena,
te siento más buena,
más buena que yo.

Tus ojos son oscuros como el olvido,
tus labios apretados como el rencor,
tus manos dos palomas que sienten frío,
tus venas tienen sangre de bandoneón.

Tus tangos son criaturas abandonadas
que cruzan sobre el barro del callejón,
cuando todas las puertas están cerradas
y ladran los fantasmas de la canción.
Malena canta el tango con voz quebrada,
Malena tiene pena de bandoneón.

Música: Lucio Demare – Letra: Homero Manzi (1941).


Sobre esse tango, sem querer descobri sua história, parece que o poeta 'arrabalero' de Buenos Aires, Homero Manzi inspirou-se, numa noite brasileira em que encontrou a cantora Malena de Toledo (Elena Tortolero, seu nome real), numa casa noturna de São Paulo (há quem afirme ter sido em Porto Alegre - quem afirma isso dever ser algum gaúcho sem dúvida).
Manzi estava com Demare. Encantou-se com a voz da musa inspiradora (nascida em 1916, falecida em 1960), no ano de 1941, quando ela era acompanhada pela orquestra de Hector Gentile. Essa música (de Demare), com letra de Manzi se eternizou como um dos clássicos do tango argentino.
Há controvérsias sobre o nascimento de Malena: alguns afirmam que foi no Uruguay; o escritor e Amigo pessoal Hector Ángel Benedeti, estudioso do tema, assegura que Malena nasceu na Argentina.
De onde é Malena? Só sei que é um inesquecível nome de tango.

CSD./

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Um exercício para a vida

Todos esses anos de busca por auto-conhecimento, terapias, ocupação, atividades das mais variadas, tiveram apenas um único objetivo, aplacar a angústa e a solidão que sempre senti.
Tanto tempo depois de iniciar esse caminho por mim mesma, parece que começo a ver uma singela luz, capaz de direcionar-me para fora do túnel escuro.
O maior teste de sucesso ou de fracasso de um ser humano ou de uma sociedade deveria ser medido pelo crescimento da vida solidária, pelo volume de troca humana legítima, útil e compensatória. Uma vida social deveria ser orientada pela confiança, pela lealdade, mas será que é isso que temos? A vida comum é capaz de curar os medos? Ela auxilia na compreensão das incertezas?
É incrível, mas hoje a amizade é um luxo. Por isso estou aprendendo a cuidar do que tenho, contudo, sem controle, sem excessos, e com respeito pelos outros.
Não tenho hesitado em alcançar um estado de conhecimento e clareza sobre minhas próprias dores, e minha finitude, que vem funcionando como conscientização de minha precariedade, e isso indica que o desenvolvimento material não representa nada, se me diluo enquanto pessoa e deixo os valores essenciais da condição humana escorrerem das minhas mãos.
É indispensável para construir e manter as relações compreender a singularidade do outro. Olhar o outro sem preconceito e de forma tolerante, nega o egoísmo e a superficialidade corriqueira dos relacionamentos humanos atuais. Preciso deixar de querer ver estampado no rosto alheio um pouco daquilo que sou, e ver o que realmente é. Vem-me à mente as palavras da infinita Clarice que a há muito já dizia: 'Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado pensava que, somando as compreensões eu amava. Não sabia que, somando as incompreensões é que se ama verdadeiramente... E porque no fundo eu quero amar o que eu amaria e não o que é...'O acomodamento humano faz preferir modificar o outro, em vez de modificar a si mesmo. Ao contrário, desprezar e reprovar menos, devem ser as palavras de ordem para escapar dessa lógica que exclui, deste modo se amplia a diversidade das perspectivas humanas.
Esse treino para a alteridade é o exercício que pode conduzir para fora do bloqueio defensivo, abrir o horizonte de uma vida menos solitária, mais plena e repleta de significado e experiências interessantes.

CSD./

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Perdendo a vergonha de existir

A tardezinha sai pra caminhar na pista da Universidade, tenho feito isso com relativa constância, mas não apenas como atividade física, esse é um momento para treinar o 'não pensar em nada'.
Parei um pouco, me sentei e fiquei a olhar a paisagem ao meu redor, observei uma criança jogando bola com seu companheiro, senti grande vontade de jogar também... Estava ali desenhada a chance de me aproximar e pedir para participar da brincadeira.
Eu que sempre morro de medo de me relacionar, morro de medo de dizer qualquer palavra... Então me aproximei e disse: '- Posso jogar também?'
Eles disseram que sim, então entrei na roda e começei a trocar passes, passei quase uma hora ali correndo, chutando, tocando, 'matando a bola' e fazendo embaixadas, fiz isso até cansar. Então me despedi e fui saindo, passei perto do menininho bati na mão dele, perguntei-lhe o nome, agradeci e continuei caminhando bem devagar em direção ao carrinho de água de coco.
Olhei para os meus pés, eles estavam sujos de lama, meu tênis branco ficou preto, e até minha canela tinha marcas de barro... Dei risada dessa molecagem, peguei minha água de coco e voltei andando pra casa, com uma sensação boa de estar perdendo a vergonha de existir.

CSD./

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Em tempos de crise... econômica, emocional, paradigmática...

Em meio ao monte de lixo eletrônico que recebo diariamente recebi essa pérola. É um texto atribuído a Albert Einstein. A abordagem do assunto é tão ampla e verdadeira que a torna atemporal como toda a obra desse grande cientista.

"Não pretendemos que as coisas mudem, se sempre fazemos o mesmo. A crise é a melhor benção que pode ocorrer com as pessoas e países, porque a crise traz progressos. A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura. É na crise que nascem as invenções, os descobrimentos e as grandes estratégias. Quem supera a crise, supera a si mesmo sem ficar "superado". Quem atribue à crise seus fracassos e penúrias, violenta seu próprio talento e respeita mais aos problemas do que às soluções. A verdadeira crise, é a crise da incompetência. O inconveniente das pessoas e dos países é a esperança de encontrar as saídas e soluções fáceis. Sem crise não há desafios, sem desafios, a vida é uma rotina, uma lenta agonia. Sem crise não há mérito. É na crise que se aflora o melhor de cada um. Falar de crise é promovê-le calar-se sobre ela é exaltar o conformismo. Em vez disso, trabalhemos duro. Acabemos de uma vez com a única crise ameaçadora, que é a tragédia de não querer lutar para superá-la"
Albert Einstein

Uma carta para você

Sydney, NSW, Austrália, 27 de janeiro de 2014.


Querida Lu, quanta saudade, há cinco anos não nos vemos, e sua imagem em minha mente ainda é aquela do dia da despedida. Como estão as coisas em nossa calorosa capital? Conte-me sobre todos que tem notícias.
Por aqui as coisas vão muito bem. Passada a adaptação com a língua inglesa, no ano passado voltei a estudar espanhol, não é ótimo? Um dia conversaremos em sua língua natal.
A vida em Sydney tem sido muito boa, aliás, desde os primeiros tempos (mais duros), andar pela cidade a pé, ou de ônibus é sempre um momento de lazer, a vista é deslumbrante, e me encanta todos os dias como da primeira vez.
Recentemente conheci Melbourne, uma cidade linda, charmosa, de estilo Europeu, e aqui finalmente realizei o sonho de assistir uma corrida de fórmula 1, não podia ser mais perfeito, Felipe Massa venceu e minha bandeira esteve no alto do podium, foi a glória, senti saudades de minha terra, mas uma saudade boa... Meus amigos aqui riram muito de mim, porque fiquei toda comovida com o hino, que não ouvia a um tempão.
Hoje posso dizer que fiz bons amigos por aqui, pessoas muito boas com quem divido momentos alegres e outros não tanto, sempre com grande franqueza e honestidade.
No trabalho as coisas estão bem melhores agora. Nos primeiros tempos ter um trabalho manual que me deixava livre pra pensar enquanto o executava foi muito bom, mas eu queria poder fazer algo com o que me identificasse mais. E agora estou trabalhando com minha nova atividade. Estou cada dia mais encantada pelas técnicas terapêuticas alternativas. Acompanho diversos pacientes com as mais variadas enfermidades e desequilíbrios, e a maioria deles reage muito bem a terapia complementar pelo aroma. É gratificante ver a melhora deles, é interessantíssimo observar com os elementos emocional, mental, espiritual e físico de cada pessoa formam um sistema, e esse tratamento integrado traz uma cura verdadeira e duradoura. Sinto grande prazer com o que faço, cada paciente se torna um amigo, e a troca que acontece, é a experiência mais real que já experimentei.
O coração também anda bem, tranqüilo e aconchegado, nem se recorda da aridez de outros tempos, eu e meu amor estamos experimentando uma fase de grande cumplicidade e liberdade, ele gosta de coisas simples, ao ar livre, e aqui é a verdadeira capital do ar livre, então aproveitamos os fins de semana e feriados nos parques, praia, quando temos um pouco mais de tempo e grana, aproveitamos para viajar por esse continente paradisíaco.
Bom, para você não pensar que a vida aqui é só sombra e água fresca, estou aguardando resposta sobre vaga em um curso de osmologia (ciência que estuda os aromas), o primeiro curso de aromaterapia me abriu as portas para continuar minha investigação científica sobre os fitoterápicos, espero conseguir essa vaga, será um grande ganho.
Esta semana não me senti muito bem por aqui, passei mal com o cheiro de perfume forte de uma colega de trabalho, de início achei normal, mas se repetiu na manhã seguinte, e me veio uma suspeita... fiz exame e, estou grávida, dá pra acreditar? A gente já queria isso a algum tempo, estávamos planejando para ano que vem, mas o bebê acelerou os planos, e estamos muito felizes por ele estar a caminho... Aliás, ele ou ela? Nossa, pra mim, tanto faz, Clarice ou Luca... Apesar de desejar muito esse momento, me dá um frio na barriga, morro de medo de não ser uma boa mãe, de não saber cuidar, de não levar jeito, acho que preciso de um cursinho.
Olha, você e Gustavo têm que se animar a vir passar umas férias aqui conosco... Há muito a se conhecer, e agora você tem um motivo a mais, conhecer seu sobrinho(a).
Bom, vou me despedindo, sentindo uma imensa saudade de você, do Brasil, e dos queridos amigos que deixei ai.

Espero te ver em breve irmã, você está sempre em meu coração.

Cacá

CSD./


Talvez você não esteja entendendo nada e ache essa carta uma loucura, mas esse foi o jeito que eu encontrei de visualizar o futuro que eu quero... Dei um salto na linha do tempo e escrevi para você do futuro, é claro que a única base para a carta são os meus desejos, espero me alinhar com eles, e transformar o máximo que puder em realidade!

domingo, 25 de janeiro de 2009

Ela está de volta...

Tarde de sábado preguiçosa... Peguei no sono lendo uma revista sobre sono, o assunto era muito sugestivo!
Acordei disposta a fazer uma caminhada... Caminhar tem sido uma boa estratégia para manter a sanidade, o contato com o verde, os animais do zoo da universidade, sentir os próprios passos e a respiração... Quem sabe com algum esforço começo a praticar meditação andando, li sobre o assunto e me interessei, preciso implementar.
Hoje, diferentemente de outros dias, tive companhia para caminhar, a Jô estava comigo.
Terminada a caminhada, fomos ao supermercado, lá encontramos Diego e Nelissa, que contaram os planos para o casamento, uma ótima notícia!
Voltando para casa, a Jô comentou como achava gostasa essa vida de namorados... E terminou por indagar, o por quê de estarmos sozinhas. Eu não tinha a resposta para Jô, mas me lembrei de Clarice, e lhe falei sobre 'o ovo e a galinha', nem tive coragem de olhá-la quando disse sobre sermos boas agentes, permaneci caminhando impassível, lembrando das palavras da Bruxa Mestre:

'meu sacrifício é reduzir-me à minha vida pessoal. Fiz do meu prazer e da minha dor meu destino disfarçado. E ter apenas a própria vida é, para quem já viu o ovo, um sacrifício... É necessário que eu tenha a modéstia de viver.' (...) 'Faço parte da maçonaria dos que viram o ovo e o renegam como forma de protegê-lo. Somos os que se abstêm de destruir, e nisso se consomem. Nós, agentes disfarçados e distribuídos pelas funções menos reveladoras, nós as vezes nos reconhecemos. A um certo modo de olhar, a um jeito de dar a mão, nós nos reconhecemos e a isto chamamos de amor. E então não é necessário o disfarce: embora não se fale, também não se mente, embora não se diga a verdade, também não é mais necessário dissimular. Amor é quando é concedido participar um pouco mais. Poucos querem o amor, porque o amor é a grande desilusão de tudo o mais. E poucos suportam perder todas as outras ilusões. Há os que se voluntariam para o amor, pensando que o amor enriquece a vida pessoal. É o contrário: o amor é finalmente a pobreza. Amor é não ter. Inclusive amor é desilusão do que se pensava que era amor. E não é prêmio, por isso não envaidece, amor não é prêmio, é uma condição concedida exclusivamente para aqueles que, sem ele, corromperiam o ovo com a dor pessoal. Isso não faz do amor uma exceção honrosa; ele é exatamente concedido aos maus agente, àqueles que atrapalhariam tudo se não lhes fosse permitido adivinhar vagamente.'...
Clarice Lispector in 'O ovo e a galinha'

Longe de mim tentar entender e encontrar respostas para a vida que temos, eu só quero me ocupar de ir vivendo, porque para mim, como para todos, a vida nos ultrapassa. E não interessa a compreensão desse universo maior, preciso apenas que o jogo da minha vida se faça, e que eu encontre alguma alegria no caminho...
Para viver basta repetir o ato involuntário de respirar, deixar o ar adentrar os pulmões, mais nada... Mas para VIVER era necessário muito mais que isso, e estou começando a aprender a deixar o ar entrar, na primeira vez ele dói nos pulmões, para aliviar experimento o choro dos bebês.

CSD./

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Essas incursões perigosas...

Saber de si mesmo? Um risco. As vezes a gente se depara com um ser desconhecido, estranho, gritando por detrás de nossos olhos.
Esse ser nos pede coisas inimagináveis ao modelo pré-concebido, pré-moldado social... Ouví-lo e caminhar em direção a sua voz, nos faz iniciar uma incursão perigosa...
Seguir essa voz é estar disposto a entrar em túneis apertados e escuros onde estão escondidos os desejos e os quereres. Dentro desses túneis é possível sentir medo, desespero, hesitação, é possível querer gritar ao mundo o absurdo de nossas verdades íntimas. Estar lá dentro é o encontro mais real que já tivemos com nós mesmo.
Essa viagem tem perigos que a assemelha a viagem ao centro da terra de Júlio Verne... A diferença entre elas? A que me refiro não é ficção, e ao final, a bela e dedicada Graubem não estará esperando o héroi Axel para entregar-lhe seu amor.
Essa incursão é uma escolha, pura e simples. E não há qualquer garantia que ela lhe agrade, o risco é todo seu. Também não lhe é necessário nenhum pré-requisito, basta ter curiosidade e coragem para se olhar nos olhos, o que se vê, só você poderá classificar, pois como disse minha amiga Cláudia Beatriz, no almaço de hoje, fazendo citação do bom baiano Caetano Veloso, 'cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é'.

CSD./

domingo, 18 de janeiro de 2009

As fotos não divulgadas de Buenos Aires

A beleza da cidade a noite...



Derechos Humanos? Onde estão?


Chuva de papel picado no último dia do ano...



O presente de ano novo que me dei...


Pausa para rir de mim mesma... sempre quis fazer isso, hahaha!



Ele não acordou nem pra posar pra foto...



O mito da fundação de Roma... Rómulo, Remo e a Loba, 'leite de mãe severa'...

O túmulo que mais me chamou atenção no cemitério da Recoleta


Todas as manhãs na hora do café eu lia a recomendação do dia.

As bandeiras por toda a parte...

O diário de bordo...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Mais do 'tratadinho'

Por que preciso ter uma carreira?

Não é possível que em mais de dois mil anos de produção intelectual ninguém tenha dito que fazer um adolescente escolher uma carreira aos 16, 17 ou 18 anos seja uma barbaridade. Muito mais, quem diz aos jovens que devem ter uma carreira? Mais especificamente, quem me enfiou na cabeça que eu preciso de uma carreira pra ser feliz?
Tudo começou assim, eu devia ter uns 2 anos, me enfiaram um lápis na mão e comecei a desenhar, pintar, etc., atividades simples…
Com o tempo as coisas foram ficando mais complexas, ensinaram-me o alfabeto, e antes que chegasse a hora de ser alfabetizada eu pedi a professora para me avançar uma série, e eu tinha fortes argumentos para o meu pleito, e então uma tampinha de 5 anos encheu a lousa com o alfabeto, dizendo que poderia aprender a ler e a escrever imediatamente.
Mas por que diabos eu queria crescer tão rápido, por que queria me adiantar um ano na escola?
Neste ritmo frenético eu cresci, na ânsia de alcançar, o que nem sei.
Aos 18, faculdade, aos 23, advogada, nada de genial, era meu desejo de normalidade.
Empregos, promoções, salário, participações, carro, roupas, lugares chiques, dinheiro, apartamento, decoração, cores e sabores… A carreira começava a me dar tudo que eu podia comprar, e a cada dia eu queria um pouco mais, e passei a ser escrava do meu estilo de vida.
Mas o meu jeito de viver, em nada me agradava, eu era frívola, e minha vida a cada dia estava mais vazia de sentido, vazia de pessoas, eu tinha pouquíssimos amigos, me relacionava profundamente com duas ou três pessoas, aos demais, eu fingia aridez, fingia nada, eu era a verdadeira figura da aridez emocional.
Eu não soube levar a minha vida de forma equilibrada, me dedicar a uma vertente, a carreira e a profissão, está matando o restante por inanição, e não posso me deixar morrer aos poucos, o que sobrará não é capaz de me manter sã pelos anos que virão. Deliberadamente estou me rebelando.
Façamos os seguintes questionamentos: i. Gosto de minha profissão? ii. Por que me chamar todas essas responsabilidades? Ter carro, ter casa, guardar dinheiro, isso é importante para mim? Se for, o quanto?
Meu coração e minha alma me dizem que gostariam de sair para ver o mundo, conhecer lugares, pessoas, comidas diferentes, aprender línguas, estudar filosofia, psicologia ou aromoterapia…
Tantas coisas na minha cabeça, mas agora eu voltei pra casa, para o meu mundinho de coisas tristes, nele vou viver até o florescimento dos meus desejos e vontades. Também é verdade que há tempo para tudo, o tempo de mudar chegará, enquanto isso, peço a Deus ‘a coragem dos tragais na rota dos ventos, a inocência das flores expostas às abelhas e a paciência das pedras no leito dos rios’…

CSD./

'Tratadinho' de minhas pequenas verdades

Iniciei uma nova incursão literária, em que pretendo descrever as minhas pequenas verdades extraídas da vida, do alto da compreensão magnífica de meus 26 anos… Se estou sendo sarcástica? Um pouco, faz parte de minha personalidade ácida, nascida após a morte de algumas ilusões. Irei lançando os temas em forma de sentenças, uma a uma, as quais trarei de discorrer sobre, breve e singelamente, já que se trata de um pequeno tratado.
Eis a primeira:

Ter a confiança das pessoas é diferente de ter o seu amor:

Obter a confiança de alguém não é tarefa fácil, porém o caminho mais simples é a responsabilidade, o comedimento, o usual e comezinho bom senso, e ser a figura do apoiador.
Apoiador é aquele sujeito capaz de numa inundação, num desastre natural, permanecer ao seu lado dando-lhe tudo que precisa, tirando de si para lhe proteger e lhe salvar.
O apoiador vai te ajudar a arrumar um novo emprego, vai elevar sua auto-estima, vai ficar ao seu lado mesmo que em silêncio te velando e te protegendo, ele toma seu partido, toma seus problemas no colo. Ele é um ser servil, cresceu ouvindo a história japonesa da lebre, peço permissão para contá-la: alguns animais da floresta ajudam um lenhador faminto, o urso lhe trás um peixe, que conseguiu pescar com suas habilidades inatas, a ágil raposa lhe trás um cacho de uvas bem maduras, e a frágil lebre que nada poderia lhe oferecer, se joga no fogo e lhe dá a própria carne em sacrifício.
Quem foi o ser humano que contou pela primeira vez essa história? Ela é cruel, nos faz internalizar um padrão de doação ilimitada aos outros, que nos remete a uma vida de concessões além dos limites saudáveis de troca, disto falaremos mais, quando do desenrolar de outras de minhas verdades. Enfim, é este ser, o apoiador, capaz de se tornar o grande amigo confiável, alguém em que se possa contar para as adversidades da vida, alguém a quem confiar qualquer compromisso, obrigação, objeto, pessoa, ideal. Ele vai levá-lo a cabo por sua própria natureza.
O apoiador sempre terá muitas pessoas ao lado, todas muito interessadas em sentir a segurança deste ser perseverante, deste ser que se doa sem pensar, mas que, contudo, inconscientemente espera reciprocidade, aliás, não só reciprocidade, o apoiador é o que é porque deseja amor, deseja ser amado.
E ter a confiança das pessoas é bem diferente de ter seu amor… O apoiador ‘compra’ a confiança, o respeito, o seu status, afinal ele está sempre ali na sua lida diária, cultivando, regando suas afeições, ele é sempre tão gentil e cativo, difícil não destinar a ele um olhar afetuoso, mas amá-lo, é outra coisa.
Este ser parece não ter a capacidade de despertar amor, desperta outros sentimentos, mas não amor, como despertaria amor alguém que está pronto para se abandonar em favor dos outros, o apoiador é o exemplo de morte do amor próprio, sem o qual o amor dos outros não é possível.
Estranha verdade, desorientadora e real, o apoiador não consegue se amar, ele tenta, busca, se cuida, mas infelizmente não se ama, ele tão acostumado a ser a lebre, quantas vezes se atirou no fogo para servir de banquete, que alimentou e renovou alguém, que após satisfeito seguiu seu caminho, todos eles sempre seguem, aqueles que necessitam do apoiador, sanada a situação, a sazonalidade partem em busca de suas vidas.
O apoiador inerte vê a partida como mais um abandono, como mais uma rejeição para sua coleção, sem entender que o grande responsável por isso é ele mesmo.
Não se pode dar aquilo que não possui, não se pode ser simplesmente para se dar. Se doar faz parte de nossa natureza, mas o que não se deve fazer é entregar tudo e quedar vazio.
Se o apoiador conseguisse entender que todo ser humano é irremediavelmente sozinho, se entendesse, que solidão humana nenhuma união jamais ameniza, deixaria a sua busca desesperada por aquilo que nunca chega, por aquilo que nunca terá.
E se isso fosse simples eu fecharia meus olhos e não escreveria mais nenhuma palavra, sentiria o amor brotar sobre as pedras das calçadas e alcançar o coração ferido, curando-o.
Mas eu não sei o que é isso, eu só tive a confiança sinalagmática das pessoas, o amor é diferente.

CSD./

Uno


Uno busca lleno de esperanzas
el camino que los sueños
prometieron a sus ansias.
Sabe que la lucha es cruel y es mucha
pero lucha y se desangra por la fe que lo empecina…
Uno va arrastrándose entre espinas
y en su afán de dar su amor,
sufre y se destroza hasta entender
que uno se ha quedao sin corazón…
Precio de castigo que uno entrega
por un beso que no llega
a un amor que lo engañó…
¡Vacío ya de amar y de llorar tanta traición!
Si yo tuviera el corazón…
(El corazón que di…)
Si yo pudiera como ayer
querer sin presentir…
Es posible que a tus ojos
que me gritan tu cariño
los cerrara con mis besos…
Sin pensar que eran como esos otros ojos, los perversos,
los que hundieron mi vivir.
Si yo tuviera el corazón…
(El mismo que perdí…)
Si olvidara a la que ayer lo destrozó y…
pudiera amarte.. me abrazaría a tu ilusión
para llorar tu amor…
Pero, Dios te trajo a mi destino
sin pensar que ya es muy tardey no sabré cómo quererte…
Déjame que llore
como aquel sufre en vida
la tortura de llorar su propia muerte…
Pura como sos, habrías salvadomi esperanza con tu amor…
Uno está tan solo en su dolor…
Uno está tan ciego en su penar….
Pero un frío cruel que es peor que el odio
-punto muerto de las almas,
tumba horrenda de mi amor
-maldijo para siempre y me robó…
toda ilusión…

Música : Mariano Mores
Letra : Enrique Santos Discépolo

O menino do Obelisco



Buenos Aires, 02 de janeiro de 2009.

Depois de jantar em Puerto Madero passei a caminhar pela Av. Corrientes, caminhar é digestivo!
Fui até a 9 de Julio, parei em frente ao Obelisco, fiquei a tomar algumas fotos como uma boa turista, quando escutei uma vozinha dizendo que aquela havia ficado boa.
A voz era de um menino bem pequeno, que perto das 23h estava sozinho no centro de Buenos Aires. Ele estava a chupar caramelos e a jogá-los fora, perguntei porque ele fazia aquilo, e me disse que não gostava muito daqueles, perguntei pelos seus pais e ele disse que estavam por perto, preferi acreditar.
Perguntei-lhe seu nome, Luca, se chamava o pequeno, tinha 10 anos. Pedi para tirar uma foto dele, ele gostou da idéia, e me fez uma pose, logo depois disse que precisava ir, e atravessou correndo a 9 de Julio.
Pobre niño, mais uma vítima do abandono e da pobreza. E eu conseguia ver tantas semelhanças e diferenças entre nós, ambos sozinhos, a noite, observando o movimento da métropole, mas eu estava segura pela idade e pelo conforto material, ele era apenas um menino de 10 anos. E hoje, por um instante, quando ele me olhou com aquele olhar doce, tive vontade de levá-lo para casa, e cuidar dele, tive vontade de ser a mãe de Luca.
Adíos Niño!
CSD./